“EFEITO BUMERANGUE” — Os modernistas, quando tomam conhecimento de um caso — alguns dentre eles, alguma vez, conhecem algum fato!, embora sempre superficialmente —, percebendo o burlesco que é aplicar suas teorias aéreas a um fato real, imediatamente o qualificam de lenda.

— Se só existisse um caso… De um único tipo ou classificação… Talvez insuficientemente verificado…

— Os racionalistas fingem ignorar, e os modernistas nem suspeitam que todos os tipos de fenômenos supranormais ou de milagres vão repetindo-se ao longo dos séculos até hoje, de forma que os antigos vão se confirmando à medida que vão se acumulando até hoje e por sua vez os modernos confirmam os antigos. É o chamado “efeito bumerangue”. Abri o livro da história, da história da verdade, da realidade e aí encontrareis milagres. Cada uma de tantas espécies de fenômenos supranormais vai formando outros tantos ingentes monoblocos. O que haveremos de pensar a respeito do preconceito teórico dos racionalistas e modernistas na ordem dos fatos? A título de exemplo, seleciono alguns fatos e os acrescento ao monobloco da espécie “cadáver inamovível”:

Século VIII

* Quando foi descoberto o túmulo de S. Fritz, os monges decidiram trasladar o féretro à vizinha cidade Bassoues, mas sucessivamente e em conjunto várias juntas de carneiros não conseguiram remover o féretro. Tentaram então com um boi, que com toda facilidade o levou até o cimo do morro, mas aí não deu mais um passo. Não houve modo de animar o animal a seguir puxando nem um passo a mais.

Todo o acontecido era muito estranho e até parecia contraditório. Pensaram os monges que o santo não queria entrar na cidade, “nem morto!”. Assim, foi construída no alto do morro uma capela, onde com absoluta facilidade foi colocado o féretro de S. Fritz num túmulo de mármore. Até hoje50.

* Ano 712. Um cortejo de monges levava tranqüilamente o caixão com o corpo de Santa Gudula para o Colégio de Nivelle. Mas, quando chegaram a Ham, impossível avançar. Após muitos intentos, decidiram trocar de rota e depositar o féretro na Capela do Salvador, em Morzelle, onde a santa tanto havia orado e chorado: absoluta facilidade. Selo histórico dos Bolandistas51.

Século VII

S. Valério havia sido enterrado em Leuconaus. Quando para maior veneração quiseram trasladar seus restos mortais para Amiens, os operários não conseguiram remover do sepulcro o ataúde: “um poder irresistível paralisava todos seus esforços”. Compreenderam que “o santo quer ficar aqui”52.

Século VI

* S. Remi morreu no dia 13 de janeiro do ano 545, e foi enterrado na Igreja de S. Cristóvão, em Reims.

Mas a igreja era muito pequena para a multidão que queria visitar o túmulo de S. Remi, e assim construíram ao lado uma outra nave exclusiva para o culto ao santo. Terminadas as obras, ao pretender trasladar os restos de S. Remi, todo esforço foi completamente inútil.

Convencidos de que era impossível a remoção, clero e povo ficaram rezando até altas horas da noite por dois motivos: um, para agradecer ao santo, que por esse meio quis manifestar sua especial “presença” ou proteção; e em segundo lugar para pedir ao santo que permitisse o traslado, não se negando a ser visitado por tantíssimas pessoas que vinham pedir sua proteção. Então…, inamovível, mas voa sozinho: diante da multidão em oração, num instante, o caixão com o corpo de S. Remi se trasladou sozinho ao novo túmulo.

Era o dia 1º de outubro. É por isso que neste dia se celebra a festa de S. Remi e não no dia da sua morte, como de praxe com outros santos53.

* Durante as exéquias de S. Medardo, bispo de Noyon onde morreu, o rei Clotário I prometeu publicamente construir, como monumento de honra ao santo, uma nova igreja em Soissons.

Quando o cortejo fúnebre chegou a Aisne em Attichy, na periferia de Crouy, a menos de duzentos passos de Soissons, o féretro ficou completamente inamovível. Não cabiam dúvidas. Todos terminaram por compreender que o santo escolhera o local para a igreja prometida.

O rei garantiu à multidão que dedicaria a metade da arrecadação de Crouy à construção da nova igreja nesse local. E imediatamente tiveram outra surpresa: verificaram até o cansaço que se fizera muito fácil levantar, de um lado, a metade do féretro que apontava para Crouy; mas a outra ponta, oposta a Crouy, ficava grudada no chão e era absolutamente impossível levantá-la. Como se uma Mão Todo-poderosa pressionasse num canto.

Meio envergonhado, o rei prometeu dedicar toda a arrecadação à construção da nova igreja. E então todo o ataúde ficou tão leve que foi carregado com absoluta facilidade.

Nada menos que os incomparáveis historiadores, Bolandistas, garantem a veracidade dos fatos54.

* Durante a consagração da Igreja de S. Honoré como Sé da diocese de Amiens, o pároco, padre Lupicin, anunciou que descobrira onde estavam enterrados os mártires do século III Fuscian, Victorius e Gratian. Então o rei Childebert II enviou uma comisS. para trasladar os restos mortais dos três mártires a Paris. Inamovíveis. Os esqueletos dos três mártires tiveram de continuar em Amiens. O rei, comovido pelo milagre, cumulou de presentes a nova Catedral de Amiens55.

Século V

Outro inamovível que voa sozinhoA capela erigida sobre o túmulo de S. Martin, em Tours, ficou muito pequena para acolher tantas pessoas que vinham venerar ou em busca da intercesS. do santo. Foi construída uma igreja bem maior.

No ano 491, para a consagração da nova igreja, pretenderam trasladar o corpo de S. Martin. Absolutamente inamovível. Como dois dias depois se celebraria o aniversário da sagração de S. Martin como bispo de Tours, pensaram que talvez o santo preferisse esperar até então…

Mas dois dias depois o ataúde continuava absolutamente inamovível. Desistiram. Pouco depois, sob a presidência de S. Perpétuo, então bispo de Tours, comemoravam o aniversário da sagração episcopal de S. Martin. Na cerimônia colocaram sobre o ataúde a capa litúrgica que o próprio S. Martin usava nas celebrações mais solenes. E então, lentamente, envolto na Capa Pluvial, sozinho, o ataúde com o corpo de S. Martin voou até o novo sepulcro na nova igreja56.

*** O relato original fala que os presentes viram um anjo em forma de velho transportando o ataúde pelos ares. Alguma outra relação, como a de Brewer, defende até vigorosamente que o velho era o próprio falecido S. Martin57.

— Certamente não. Não há aparições de anjos. A ação dos anjos simboliza o poder divino, como demonstro no livro “As Aparições, outra Perspectiva. A Ciência Purifica a Fé”.

— Igualmente todo o atribuído aos mortos é erro de interpretação: a parapsicologia demonstrou até a saciedade que os mortos não agem absolutamente nada no nosso mundo, como amplamente se demonstra nos cinco volumes de “Os Mortos Interferem no Mundo?”

— Alguém, ou várias pessoas, convencido como todos de que os milagres que presenciavam se deviam à intercesS. de S. Martin perante Deus, pode haver plasmado objetivamente a idéia, fantasmogênese parapsicológica, e então todos haveriam visto a imagem do velho. Explico a fantasmogênese no primeiro volume do livro que acabo de citar a respeito dos mortos, e também no volume 2 de “As Forças Físicas da Mente”.

— Mas não precisa tanto. Alguém deve haver projetado a imagem do velho. Alucinatoriamente. E muitos tomaram a sério os comentários a respeito. Basta. É corriqueiro.

 [Continua]

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