----------------------------------------------- Lista: dtoambiental (Fique atento: dicas no rodape!) Mensagem enviada por: "Antonio Fernando Pinheiro Pedro" <[EMAIL PROTECTED]> ---------------------------------------------- Amigos listeiros, Vale a pena conferir esta troca de pontos de vista de nossos ambientalistas cariocas. []s. AFPP -----Mensagem original----- De: Antonio Fernando Pinheiro Pedro <[EMAIL PROTECTED]> Para: Vilmar Berna <[EMAIL PROTECTED]> Data: Sexta-feira, 30 de Julho de 1999 23:22 Assunto: Re: considera��es sobre ONG's >Caro Vilmar Berna, > >Li com aten��o sua manifesta��o e fiquei bastante impressionado com a >precis�o e abrang�ncia de sua an�lise. >Discordo, apenas, dos elogios que fez ao PROAONG, cujo teor clientelista era >evidente, embora nunca confessado... >No mais, parab�ns pelo posicionamento. >Vou divulgar seu posicionamento para nossas listas de Direito Ambiental e >Direito da Cidade, visto a import�ncia do tema. >Um abra�o. > >Antonio Fernando Pinheiro Pedro >Advogado > > >-----Mensagem original----- >De: Vilmar Berna <[EMAIL PROTECTED]> >Para: Dora Hees de Negreiros <[EMAIL PROTECTED]> >>Data: Quinta-feira, 29 de Julho de 1999 11:28 >Assunto: Re: considera��es sobre ONG's > > >>Interessante, Dora, e obrigado pela troca de experi�ncia e pela >oportunidade >>de me permitir refletir melhor sobre o assunto. >> >>Penso que a atua��o em defesa do meio ambiente admite diversas formas >>diferentes de organiza��es e n�o acho que exista competitividade entre ONGs >>de Combate e Profissionais, ou melhor, desejaria que n�o existisse, pois >>considero que s�o trabalhos complementares. As ONGs de combate, mais que as >>profissionais, abrem espa�o atrav�s de suas t�ticas eco-chatas para >>pol�ticas p�blicas e gest�o compartilhada da quest�o ambiental, espa�o >>ocupado invariavelmente pelas ONGs profissionais, que possuem os quadros >>t�cnicos e a compet�ncia para a execu��o. >> >>Penso ainda que estamos no in�cio da constru��o do movimento pela cidadania >>ambiental em nosso pa�s, que este ainda � um movimento muito recente, e por >>isso temos todos de aprender ainda muito uns com os outros. Tanto >>'ambientalistas-de-combate' quanto 'ambientalistas-profissionais', pois >>longe de sermos advers�rios, somos aliados de uma luta comum, que � a >>preserva��o do meio ambiente. Por isso preferi concentrar meus esfor�os na >>acelera��o deste amadurecimento e hoje sou mais um jornalista ambiental que >>dirigente de ONG de Combate, al�as, deixei de ser presidente dos Defensores >>da Terra em mar�o deste ano e, al�m de ser editor do Jornal do Meio >>Ambiente, ajudei a fundar uma ONG profissional, a Coopernatureza, portanto, >>nestes 15 anos, estive dos v�rios lados do 'balc�o', levando em conta que >>tamb�m j� fui administrador p�blico (diretor de meio ambiente na Prefeitura >>de S�o Gon�alo e Coordenador de Projetos Comunit�rios e Educa��o Ambiental >>na Companhia de Limpeza de Niter�i). >> >>Neste per�odo, pude ver e participar de muita coisa e, sem formar ju�zo de >>valor, mas apenas refletindo sobre o que vi na realidade, concordo que as >>ONGs sejam todas de a��o, afinal procuram agir para mudar as coisas, mas h� >>uma diferen�a fundamental entre elas, diferente da realidade americana, >onde >>os cidad�os-ambientais se contentam em serem colaboradores financeiros de >>ONGs profissionais de combate, como o Greenpeace, que voc� citou. No Brasil >>n�o temos esta cultura, at� por que os brasileiros desconfiam muito da >>seriedade na aplica��o de seu dinheiro doado. Aqui, estes >>cidad�os-ambientais preferem doar seu tempo livre, n�o seu dinheiro. Assim, >>temos gar�ons, donas-de-casa, profissionais liberais, aposentados, etc., >que >>em seu tempo de folga se dedicam a denunciar problemas ambientais e v�o aos >>poucos tomando gosto pela coisa e podem at� se profissionalizar na �rea. >>(Aqui, para que cidad�os-doadores d�m certo eles precisam de uma vantagem >>imediata, camiseta, livro, cart�o de afinidade, etc. S� por amor, neca.) >> S�o os cidad�os-ambientais que integram a maiora das ONGs que chamo de >>combate, muitas vezes lideradas por INGs (Indiv�duos N�o-Governamentais), >>que t�m uma vis�o mais cidad�, mas combativa das quest�es - e �s vezes s�o >>movidos pela vaidade, ou vontade de aparecer, mas que acabam sendo um >>instrumento para o avan�o das lutas ambientais. � aquela hist�ria de >>escrever certo pelas linhas tortas. Essas pessoas, que formam as ONGs de >>combate, s�o movidas a romantismo, amor pela natureza, t�m muito pouco a >>perder, fazem um trabalho volunt�rio, dessa sua luta volunt�ria e cidad� >n�o >>dependem nem seu emprego nem neg�cio algum, n�o precisam contemporizar seus >>pensamentos nem a��es, medir suas palavras, e invariamente dividem o mundo >>equivocada e simplesmente em bons e maus para o meio ambiente: bons est�o >do >>lado dos ambientalistas e maus do lado das empresas e governos. Formar uma >>lideran�a ambientalista nestas condi��es leva tempo, uns cinco anos, e >>durante este per�odo � um milagre que as pessoas permane�am na luta pois o >>que mais contabilizam s�o derrotas ambientais que vit�rias, al�m de >roubarem >>seu tempo livre dos estudos, da fam�lia, do trabalho. �s vezes, s� mesmo o >>prazer de ver o nome divulgado no jornal, ser procurado pela m�dia, ser >>reconhecido socialmente mant�m essas pessoas atuantes. Muitas abandonam a >>luta antes disso,acumulando ressentimentos e amarguras. Por isso nosso >>chamado movimento ambientalista t�m tantos INGs e tantos egologistas (que >>cultivam o ego), temos tantas pessoas mal-humoradas e ranzinzas, temos >>tantos ecologistas comprometidos com partidos pol�ticos de esquerda, pois >>estes partidos s�o formadores de lideran�as pol�ticas que s�o sens�veis �s >>quest�es da cidadania, embora n�o tenham - como no passado, quando os >>partidos estiveram na clandestinidade - a orienta��o de aparelharem o >>movimento . Por isso costumo dizer que os eco-chatos s�o preciosidades que >>ainda foram muito pouco estudados e menos valorizados ainda pelos >cientistas >>sociais. E sempre que encontro um eco-chato, procuro dar aten��o e >>estimul�-lo para permanecer na luta, e sempre que posso contribuo de alguma >>forma para ajudar no seu amadurecimento, na amplia��o de sua capacidade de >>di�logo. � uma pena que n�o tenhamos cursos - com bolsas - para esses >>esp�cimes raros (devem ser no m�ximo uns 50 em todo do Estado do Rio de >>Janeiro), que atuam como fermento na massa e poderiam ser muito mais >>eficazes se aprendessem um m�nimo de t�cnicas. Tentei trazer para o Rio a >>experi�ncia que considerei maravilhosa que o F�bio Feldmann implantou em >S�o >>Paulo, o Projeto PROAONG, para instrumentalizar, capacitar, melhorar a >>atua��o das ONGs de combate, mas n�o consegui. Lembro de ter falado com o >>Maur�cio Lobo, com o Perri, e com tantos outros. Apresentei uma iniciativa >>legislativa atrav�s do Minc, mas tamb�m n�o deu em nada. Paci�ncia. Talvez >>um dia... >> >>J� as ONGs que chamo de profissionais at� t�m vis�o cr�tica a cerca dos >>problemas ambientais, mas n�o se exp�em para n�o se inviabilizarem mais >>tarde nas parcerias com governos e empresas para a execu��o de projetos e >>obten��o de fundos. At� por que s�o em sua maioria formados n�o por >>eco-chatos volunt�rios, mas por profissionais iriundos da academia ou da >>pr�pria administra��o p�blica. Essas ONGs n�o disp�em de energia e quadros >>para as desgastantes reuni�es de constru��o de coletivos como APEDEMAs, ou >>participa��es gratuitas em Conselhos, ou reuni�es sempre desgastantes com >>autoridades para discutir decis�es muitas vezes equivocadas dessas >>autoridades, como liberar empreendimentos sem EIA/RIMA e nunca - nunca - >>entram com a��o na Justi�a ou den�ncia em Minist�rio P�blico contra >empresas >>e autoridades, principal atividade das ONGs de combate. At� podem organizar >>manifesta��es e atos p�blicos, mas raramente se reveste de car�ter >>reivindicat�rio ou de den�ncia, ficando mais no campo da educa��o ambiental >>em parceria com os governos. >> >>O problema � quando autoridades sem escr�pulos, movidas pela l�gica >>pol�tica, tendem a evitar e se proteger das ONGs de combate, que acusam >>pejorativamente de pol�ticas, e buscam apoio nas ONGs profissionais, que >>justificam como t�cnicas. Fazem conv�nios, liberam recursos, executam >>projetos conjuntos e anunciam para a sociedade com pompa e circunst�ncia >que >>sua administra��o trabalha com as ONGs. Acabam gerando uma esp�cie de >>ressentimento das ONGs de combate contra as profissionais, quando deveriam >>se verem com aliadas. E as ONGs profissionais n�o t�m uma estrat�gia de se >>aproximarem das ONGs de combate, at� por que aiinda h� muito preconceito >>entre elas e baixa compreens�o do exato papel de cada uma neste processo de >>contru��o da cidadania ambiental no Brasil. Dividem-se equivocadamente em >>pol�ticas e t�cnicas, amadoras e profissionais, o que impede que atuem como >>aliadas. >> As autoridades s� n�o explicam com que tipo de ONGs est�o fazeno >>parceria, e como este � um assunto muito interno do movimento, para a >>sociedade fica parecendo que h� de verdade uma sincera abertura da >>autoridade com as ONGs. A autoridade se aproveita da situa��o - e de uma >>certa cumplicidade, ou ingenuidade das ONGs profissionais - para se >>justificar diante dessa opini�o p�blica que sua administra��o sofre uma >>injusta persegui��o de algumas ONGs, mas que s�o um grupo isolado com >>objetivos pol�ticos aparelhados por partidos e futuros candidatos, sem >>siceridade, portanto, que suas reivindica��es n�o s�o justas. >> As ONGs profissionais, por serem poucos os recursos e poucos os quadros >>t�cnicos dispon�veis, precisam concentrar o foco nos projetos em que >>obtiveram os recursos. Usam a t�cnica do farol. Concentram-se na execu��o >do >>projeto-alvo e lan�am sombra sobre os demais assuntos. J� as ONGs de >combate >>mant�m a luz sobre tudo, s�o mais generalistas. Seu foco � mais sobre uma >>regi�o e n�o sobre um projeto. Assim, opinam sobre quase tudo, enquanto as >>ONGs profissionais procuram opinar - e a� opinam bem - sobre o objeto de >seu >>foco. S� que n�o h� um interc�mbio entre elas, o que gera mais e mais >>ressentimentos. As ONGs profissionais tendem a se especializar cada vez >mais >>num determinado assunto e, de uma certa forma, precisam ser vistas pelas >>ag�ncias financiadoras como uma not�ria especialista no tema, da� a >parceria >>com outras ONGs podem se tornar na verdade uma perda de energia e de imagem >>na hora de obten��o de fundos. Assim, tem ONGs que se tornam 'donas' da >mata >>atl�ntica, da tartaruga, do mico-le�o, da amaz�nia, do nuclear, da >>biodiversidade, dos oceanos, dos manguezais, e por a� vai, numa disputa >>fren�tica por espa�o na retina dos financiadores. >> Acho que por hoje j� basta, mas nem consegui entrar na internaliza��o >da >>quest�o ambiental por outros segmentos, como o das empresas de consultoria >e >>das v�rias empresas privadas que come�aram a atuam principalmente no meio >>ambinete industrial. Disputam espa�o com as ONGs profissionais junto aos >>financiadores brasileiros. Mas a� j� � outra hist�ria. >> Tem ainda o fato de at� agora n�o se ter criado no Brasil um curso >>regular para a forma��o de agentes de capta��o de recursos para projetos >>ambientais, uma atividade para poucos iniciados, disputados a tapa, num >pa�s >>com milhares de bi�logos, engenheiros florestais, agr�nomos desempregados e >>que poderiam se tornarem executivos de obten��o de fundos. No Brasil est� � >>uma atividade ainda meio marginal, como se fosse pouco nobre, quando nos >EUA >>j� existe at� uma Associa��o Nacional dos Executivos de Obten��o de Fundos. >>Quem sabe alguma universidade de Interessa. J� encaminhei proposta para a >>UERJ/Nuseg, Faculdade da Cidade e Faculdade Carioca, mas quanto maior a >>institui��o, maior a burocracia, maior a lentid�o. � nisso que d� estarmos >>sempre nadando contra a corrente, defendendo paradigmas novos diante de >>culturas antigas. Paci�ncia... >>Um abra�o e obrigado, mais uma vez, por me ter permitido dividir com voc� >>estas reflex�es. >>Vilmar >> >> >> >> >> >> >>-----Mensagem original----- >>De: Dora Hees de Negreiros <[EMAIL PROTECTED]> >>Para: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]> >>Data: Quinta-feira, 29 de Julho de 1999 08:35 >>Assunto: considera��es sobre ONG's >> >> >>Prezado Vilmar: >>Recebi a sua mensagem e gostaria de participar da reflex�o nela proposta. >>Nos Estados Unidos classificam as ONG's em "pro-active" e "re-active" . >>Todas s�o de a��o, mas algumas dedicam-se � rea��o, den�ncia, >>fiscaliza��o, >>o que � uma especialidade e precisa ser bem feita. >> >>Todas s�o de combate: combatem a destrui��o ambiental, as diferen�as >sociais >>e procuram interferir nos processos de gest�o ambiental, umas participando >>diretamente e as outras fiscalizando e denunciando irregularidades. >> >>E profissionais, se n�o forem todas, n�o sobreviver�o nestes tempos >>modernos. >> >>A GREENPEACE, talvez o maior exemplo de ONG re-ativa � certamente muito >>profissional em tudo o que faz. Atua no mundo todo e movimenta milh�es de >>d�lares. Imagino que tenha um processo gerencial altamente sofisticado. >> >>O importante � que as ONG's s�o espa�os em que todos podem participar, cada >>um com as suas especialidades e dentro de suas possibilidades e limita��es, >>para melhorar o mundo em que vivemos. >>Em Washington D.C. visitei uma ONG que atua fazendo lobby no Congresso- s�o >>jornalistas que transformam as mensagens contidas em relat�rios t�cnicos >>indigestos em mensagens de f�cil compreens�o para os congressistas, e >fazem >>press�o. >> >>O IBG seria uma ONG pro-ativa pois dedica-se preferencialmente � realiza��o >>de projetos. Temos investido no aprimoramento do nosso processo de gest�o >>interna, e procuramos dividir o que aprendemos com as outras ONG's. A >>professora Susana Feichas, da EBAP da Funda��o Getulio Vargas nos deu um >>curso de Gest�o de ONG's para o qual convidamos todas as ONG's. >>Aprendemos que espa�o dos amadores esta diminuindo. Assim como as empresas, >>as ONG's , tanto as pr�-ativas como as re-ativas, e cada qual com a sua >>miss�o, precisam se organizar e se capacitar para atuar nestes novos >>tempos. >> >> Um abra�o >> Dora >> >>Dora Hees de Negreiros >>Superintendente >>Instituto Ba�a de Guanabara >>Rua Maestro Fel�cio Toledo 495 sla 1108 >>Centro Niter�i RJ CEP: 24030-102 >>[EMAIL PROTECTED] >>http://www.ability.com.br/ibg >> >> >> > ----------------------------------- Dicas: 1- D�vidas e instru��es diversas procure por Listas em: http://www.pegasus.com.br 2- Pegasus Virtual Office http://www.pvo.pegasus.com.br
[DTOAMBIENTAL] =?iso-8859-1?Q?En:_considera=E7=F5es_sobre_ONG's?=
Antonio Fernando Pinheiro Pedro Fri, 30 Jul 1999 19:49:09 -0700
