Prezados Amigos

Estou retransmitindo um texto importante sobre os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (Protocolo de Kyoto) enviado pelo ECOAR.

Vale a pena !

Rodrigo Agostinho
Instituto Ambiental Vid�gua


Prezad@ Senhor@,

estamos enviando o Manifesto anexo em continuidade � nossa participa��o como Observadores a Quinta Confer�ncia das Partes da UNFCCC, realizada entre 25 de outubro e 05 de novembro p.p..

Este Manifesto tem por objetivo estabelecer um novo patamar para as propostas relativas ao Desenvolvimento Sustent�vel, o qual foi abordado na Quinta Confer�ncia das Partes, por um grande n�mero de participantes e observadores, como uma "Oportunidade de Neg�cios" dentro da tem�tica do Aquecimento Global.

Solicitamos a leitura cr�tica deste documento e sua contribui��o para a divulga��o e enfoque do tema de extrema urg�ncia e atualidade.

Cordialmente

Instituto ECOAR para a Cidadania

[EMAIL PROTECTED]

www.ecoar.org.br


 

Manifesto para o Desenvolvimento Humano

ou

Como os pa�ses do Norte podem come�ar  a pagar a sua divida para com os pa�ses do Sul atrav�s do

Mecanismo de Desenvolvimento Limpo

 “O lindo da heran�a ind�gena � a capacidade de conviv�ncia humana, a profundidade da solidariedade, o sentido de reciprocidade, o sentimento de responsabilidade social.” Darcy Ribeiro – antrop�logo brasileiro em: “Meu cora��o pede uma vit�ria”.

 A todos os cidad�os do Planeta Terra,

 Ao adentrar a Casa da Historia (Haus der Geschichte) na cidade de Bonn na Republica Federativa da Alemanha, deparamos com dois enormes “banners” contendo aproximadamente 30 cita��es de pessoas famosas, todas elas com  mensagens semelhantes, que podem ser sintetizadas pela primeira cita��o que transcrevemos a seguir:

 “N�s, alem�es, temos uma repara��o imensur�vel a fazer. A paz no mundo depende claramente de que demonstremos a nossa vontade sincera de mostrar novos caminhos, n�o s� agora no momento da necessidade, mas constantemente e para sempre.” – Ernst Reuters, 22/06/1945

 O povo alem�o, consciente dessa d�vida, exige que seu pa�s a honre e, desta forma, o exima desse terr�vel �nus.

 No entanto, outras na��es tem causado  preju�zos imensur�veis a povos e pa�ses atrav�s, n�o s� de guerras e ocupa��es, mas tamb�m,  por meio de processos mais sutis de dizima��o,  como o dom�nio econ�mico que acarreta a fome e a falta de trabalho, a usura que expolia os recursos das na��es, a dissemina��o de gases t�xicos que acarretam doen�as, a destrui��o do meio ambiente entre outros.

 Ao participarmos, como observadores, da Quinta Conferencia das Partes da Conven��o Quadro das Na��es Unidas sobre Mudan�a do Clima, acompanhamos os trabalhos de observa��o e a atua��o do f�rum de Organiza��es N�o Governamentais, CAN (Climate Action Network).

 Ficou patente a diferen�a do conhecimento adquirido e de organiza��o entre as ONGs do Norte e do Sul, assim como ficou patente a identifica��o dos pa�ses em desenvolvimento (antigamente chamados de subdesenvolvidos) como o bloco Sul e dos pa�ses industrializados (a grosso modo Anexo I) como bloco Norte. Tem-se ent�o a polariza��o Norte-Sul no processo de globaliza��o econ�mica, social e pol�tica do Planeta Terra.

 No bloco Sul, a  maior parte da popula��o n�o tem sequer suas necessidades b�sicas de alimenta��o, moradia e trabalho  satisfeitas. Dignidade e auto estima s�o conquistas ainda distantes dessa massa exclu�da do processo civilizat�rio globalizado.

 Enquanto isso o bloco Norte dissemina o seu conceito de Desenvolvimento Sustentado onde as prioridades se colocam na  seguinte ordem:

 - sustentabilidade econ�mica

- desenvolvimento tecnol�gico

- benef�cios sociais

 Esta prioriza��o n�o est� de acordo com o artigo 4.7  da Conven��o sobre Mudan�a do Clima (...e levar� plenamente em conta o fato de que o desenvolvimento econ�mico e social e a erradica��o da pobreza s�o as prioridades primordiais e absolutas das Partes, pa�ses em desenvolvimento.).

 O desenvolvimento que se faz premente ao bloco Sul  � aquele que se sustente social e ambientalmente, cultural e pedagogicamente,  alem de econ�mica e tecnologicamente.

 Ora, a Organiza��o das Na��es Unidas � a depositaria da Declara��o Internacional dos Direitos Humanos, assim como tamb�m � depositaria do compromisso da Agenda XXI.

 Se o bloco Sul tivesse as m�nimas condi��es de realizar as suas Agendas XXI a partir das comunidades e setores sociais menos favorecidos, que s�o em n�meros absolutos a grande maioria da popula��o do Planeta Terra, obter�amos, � claro, uma agenda de condi��es m�nimas de sobreviv�ncia.

 Considerando agora o ultimo par�grafo do artigo “Inexor�vel Lei da Entropia” do Prof. Dr. Jos� Eli da Veiga (Professor Titular de Economia e Ci�ncia Ambiental da Universidade de S�o Paulo), recuperando o pensamento de Nicholas Georgescu-Roegen  e publicado no jornal O Estado de S�o Paulo em  23 de outubro de 1999 e reproduzido a seguir:

 “Todo o organismo vivo est� sujeito ao aumento de entropia, mas procura mante-la constante tirando de seu meio ambiente os elementos de baixa entropia necess�rios a compensa��o. O crescimento econ�mico moderno baseou-se na extra��o da baixa entropia contida no carv�o e no petr�leo. Um dia se basear� em formas de explora��o mais diretas da energia solar. Mas nem por isso poder� contrariar o segundo principio da termodinamica, o que acabar� por obrigar a humanidade a abandonar o crescimento. E n�o se tratar� de conseguir apenas o “”crescimento zero””, ou um “”estado estacion�rio””, vis�es consideradas ing�nuas por Georgescu. Sua conclus�o � de que ser� necess�rio encontrar uma via de desenvolvimento humano que possa ser compat�vel com a retra��o, isto �, com o decr�scimo do produto. Uma tese por demais inconveniente para  a inevit�vel miopia do curto prazo”.

 Pelo acima exposto e lembrando que mais de 70% da energia gerada no Planeta � consumida pelo Bloco Norte (com 20% da popula��o mundial) e que, no m�nimo, 2/3 dos Gases Efeito Estufa s�o por eles emitidos, PROPOMOS ENT�O QUE A TODO PROJETO DE MECANISMO DE DESENVOLVIMENTO LIMPO,  ELABORADO  CONFORME O PROTOCOLO DE QUIOTO, SEJA AGREGADO UM PROJETO SOCIAL, AMBIENTALMENTE CORRETO, QUE CONTEMPLE AS POPULA��ES E REGI�ES MAIS SOFRIDAS DA PARTE HOSPEDEIRA, DEFINIDO E ACOMPANHADO POR UM CONS�RCIO DE 3 ONGs LOCAIS (VISIVELMENTE SEM FINS LUCRATIVOS), COM OBSERVA��O E CONTROLE POR UMA COMISS�O INTERNACIONAL DEVIDAMENTE ESTABELECIDA PARA TAL FIM, DA SEGUINTE FORMA:

 1.      A todo projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo deve ser agregado um Projeto Social.

2.      Este Projeto Social deve ser financiado pelo comprador dos Certificados de Redu��o de Emiss�es do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.

3.      O valor proporcional do Projeto Social em rela��o ao projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo deve ser na mesma propor��o do consumo total de energia das Partes industrializadas para as Partes em desenvolvimento e de menor desenvolvimento.

Esta proposta poder� ser negociada pela compra sem restri��es dos Certificados de Redu��o de Emiss�es atrav�s dos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo pois, a inclus�o de um Projeto Social, nos termos definidos, j� � um mecanismo auto regulador, n�o necessitando mais de restri��es “ad hoc”.

 A incorpora��o de um Projeto Social (a fundo perdido) ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo � a unica proposta aceit�vel para a sobreviv�ncia da humanidade do Planeta Terra, que ser� o inicio da mudan�a de paradigma -  da teoria Desenvolvimentista ou do Desenvolvimento Sustentado Econ�mica e Tecnologicamente para Desenvolvimento Humano ou Desenvolvimento Sustent�vel social, ecol�gica, cultural, pedag�gica e economicamente, onde os fios condutores sejam a solidariedade, a participa��o e o respeito � diversidade.

 “Se n�o formos capazes de subordinar o desenfreado avan�o tecnol�gico � modera��o da moral e da raz�o – ou seja, ao bom uso da auto determina��o-, nossa esp�cie poder� estar pavimentando o caminho do poema de Robinson Jeffers: “”Um dia a Terra vai-se co�ar, e sorrir, e sacudir para fora a humanidade””- Gilberto Dupas – coordenador da �rea de Assuntos Internacionais do Instituto de Estudos Avan�ados da Universidade de S�o Paulo.

 Instituto ECOAR para a Cidadania

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