Renata:
 
Gostaria de ter acesso a essa lei estadual, a fim de ter a noção dos termos em que ela atinge a atividade pesqueira, violentando-a, como você mesmo disse. Obrigada, patricia silveira
-----Mensagem original-----
De: rsra <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>
Data: Quinta-feira, 30 de Dezembro de 1999 00:42
Assunto: [DTOAMBIENTAL] depoiemnto de um pescador

Ola amigos
 
Aproveitando a época de piracema, apresento-lhes alguns trechos do desabafo do presidente da Federação dos Pescadores do Estado de Mato Grosso, o sr. Avelino Henrique dos Santos, feito no 1º seminário sobre práticas pesqueiras e a lei de pesca estadual nº 6672/95, occorrido em maio de 1999.
O relato traduz toda a problemática vivenciada pelos pescadores artesanais e profissionais do Estado, que são vítimas da violência :
a) dos legisladores estaduais,
b) do presidente da FEMA - MT,
c) da Polícia Florestal ( que deveria estar tomando conta de nossas florestas, haja vista MT estar em 1º lugar no ranking nacinal de queimanas, segundo dados do IBAMA/99)
d) do JUVAM - Juizado Volante Ambiental.
 
Espero críticas e comentários referentes ao depoimento ( e não à minha posição, por favor).   
 Abraços
Renata Cuiabano
 
 
" Eu quero dizer que no momento nós estamos aqui para falar muito sobre a lei de pesca, nós temos sido prejudicados pela lei 6672. Não somos contra uma lei, nós somos prejudicados em vários itens dessa lei que tem em mente matar o pescador. A pesca, 95% da pesca está fechada no Estado. Quero dizer que se os companheiros pescadores não estão aqui eu sei porque, porque realmente não tem como se deslocar de Cáceres... porque não tem mais recursos. A pesca nossa está realmente aniquilada.. Aqui nesse folder da Fema, fala da nova mudança iniciada pela nova representação da pesca turística e esportiva já está excluindo o pescador profissional totalmente da pesca, não pensaram no pescador, fizeram uma maracutaia dentro dessa lei, no artigo 20, que fala que o pescador tem que ser ouvido. Isso aqui é uma brincadeira, só pode ser uma brincadeira, as minutas e decretos, as resoluções de pesca do Estado de Mato Grosso são motivo de prévia discussão com as entidades a fim de garantir a participação e representação das colônias de pescadores. Brincadeira. Eu queria voltar agora para um lado que tem na Constituição da República Federativa, as leis estaduais são muito mais árduas que as federais, mas a Carta Magna nós temos que respeitar, na época da constituição da pesca eu também fui delegado constituinte. No artigo 3, inciso 3 diz: “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”. Aqui em Mato Grosso já está feita essa lei. Pescador está fora do contexto. Mas eu queria passar para as autoridades que realmente o artigo 20 para nós é de suma importância. Porque para eles, eles acham que não precisam ouvir pescador não, porque pescador não tem poder de decisão. No Consema lá são três grupos: o governo, a sociedade civil e o comércio. Aí só vota interesse deles, em pesca não tem interesse nenhum. Eu queria dizer que o rio Cuiabá está morrendo, o Coxipó está morto com esgoto, os garimpos estão aí. Na semana passada eu li na “Veja” que os garimpos.... Nós vamos levar para os deputados amanhã um documento onde nós vamos pedir que nós sejamos respeitados como cidadão, como homem trabalhador, não como bandido, desonesto. Eu queria dizer que também tem pescador predador, tem, mas o maior depredador que eu vejo é o esgoto que está canalizado e em céu aberto no rio Cuiabá e ninguém faz nada com isso. Mas a tarrafinha do pescador profissional tem que tirar porque não pode pegar isca, vai dar problema no estoque, são umas coisas que tem que ser visto. Eles têm tirado a nossa dignidade e o nosso trabalho. A lei aflige o pescador de uma maneira que ele não tem mais como fazer nada, ele vai pro rio, compra gelo, gasta tanta coisa e aí pega peixe e ele é obrigado a fazer as coisas erradas. Ele não tem mais o seu anzol de galho, não tem mais... O turista fica o dia inteiro desbarrancando o rio, um monte de barco aí, 150, 250 que dá até medo das embarcação, acabando com as barrancas do rio, desmatando tudo. Pescador não pesca mais de dia, de noite não pode pescar porque tem que ser armadilhando, não pode pescar. O cumprimento do artigo 20, nós queremos ser parceiros da Fema e do Consema, mas nós queremos também que a comunidade científica, Ibama, Zé Augusto, Chico Machado, o Gera, que tem essa pesquisa e pode estar nos acompanhado. Porque o pescador ele fala e depois as pessoas não dão nem bola. e é assim que eu falo, eu falo porque já tem 20 anos que eu estou nessa luta, e é assim. Nós não queremos acabar com a lei, não somos contra a lei 9605 também não, aquele que faz o seu ato tem que pagar. Só que eu acho um absurdo que no artigo 13 da lei 6672 diz que quando um pescador pega um peixe fora do rio tem que tomar o barco dele, tomar os anzol dele, tem que tomar a carteira dele, tem que reprimir ele, tem que prender ele. Por que isso moço? Eu quero dizer que tem alguns itens que nós queremos que seja discutido.      Precisamos definir o que é o pescador. São vários itens, por exemplo a nossa tarrafa de isca, o nosso anzol de galho, são as coisas que é preciso que as autoridades fiquem sabendo. Nós não estamos pedindo muito e nem estamos querendo acabar com a lei 6672, nós queremos que nós também sejamos incluídos no nosso rio, que nós tenhamos os mesmos direitos. Não sei se vamos ser ouvidos, mas eu tenho quase certeza que os deputados vão sair daqui sensibilizados. O deputado Gilney Viana falou: vocês têm que passar para mim o que vocês sentem e o que é que está atrapalhando vocês. Deputado não é a lei mas sim uns itens que estão na lei que estão tirando da gente o nosso direito de ser pescador profissional, acabando com o nosso meio de trabalhar.’
E o representante da Federação finalizou sua fala desabafando que “Não dá mais pra banalizar o pescador do jeito que ele está sendo, porque nós não temos mais alternativas para sair do fundo desse poço. A não ser que os deputados se sensibilizem nesse seminário, ouça as pessoas que vão falar depois e que realmente votem a favor do pescador, para que esses itens sejam incluídos na lei 6672 para que nós sejamos feliz para, pelo menos, tratar nossa família com dignidade.”

-----Mensagem original-----
De: Suindara <[EMAIL PROTECTED]>
Para: Direito Ambiental <[EMAIL PROTECTED]>
Data: Quarta-feira, 29 de Dezembro de 1999 23:02
Assunto: [DTOAMBIENTAL] Cobrança pelo uso água

Caros amigos:
 
Alguém possui o texto do Proj. de Lei n 20 (06.02.98), atualizado, sobre cobrança pelo uso dos recursos hídricos em SP?!
 Obrigado pela atenção.
 
                        Rodrigo
 
 
 

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