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Lista: dtoambiental (Fique atento: dicas no rodape!)
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>>  Publicado no jornal "O Globo" no dia (26/01/2000)
>>>
>>> PASSOU DOS LIMITES
>>>
>>> Marina Silva
>>>
>>> De repente, como num filme de terror, a mancha de �leo avan�a e vai
>>> destruindo tudo: a �gua da ba�a, o manguezal, as aves, os caranguejos,
as
>>> praias, os pesqueiros, as redes. Marca os barcos, marca as casas.
>>> Crian�as, adultos tentam salvar os bichos lavando, escovando. Tudo fica
>>> feio, sujo, os pescadores perdem o �nimo, o mangue perde a vida. Quem
>>> sobrevive vai embora; os barcos � venda, os golfinhos sumindo no
>>> horizonte. E a Petrobr�s, nos jornais e na TV afirma o seu "compromisso"
>>> com o Meio Ambiente.  � dif�cil dizer se a empresa passou dos limites
>>> antes, quando n�o tomou as provid�ncias necess�rias para prevenir um
>>> estrago dessas propor��es, ou agora, com seu discurso inaceit�vel diante
>>> do preju�zo que causou � popula��o do Rio, ao patrim�nio ambiental do
pa�s
>>> e a todos os brasileiros.
>>>
>>> Vejo essa trag�dia com olhos amaz�nicos, de quem aprendeu a import�ncia
da
>>> sustentabilidade ambiental a partir de uma realidade oposta, n�o urbana.
O
>>> modelo "civilizat�rio" do sul e sudeste do pa�s, que em princ�pio era
>>> visto por muitos de n�s como um sonho de futuro, mostrou seus equ�vocos
e
>>> seu lado de barb�rie na Amaz�nia, sobretudo a partir dos anos 70, com a
>>> verdadeira invas�o da coloniza��o baseada na derrubada de floresta e
>>> pecu�ria extensiva, desrespeitando o equil�brio fr�gil do meio ambiente
e
>>> a cultura da popula��o local. Assim, ao me emocionar e revoltar com o
que
>>> est� acontecendo na Ba�a de Guanabara, sinto que no fundo, somos de
>>> viv�ncias e ecossistemas t�o diferentes, mas a nossa trag�dia � a mesma:
a
>>> arrog�ncia e a ignor�ncia de quem manda, de quem tem poder, de quem
>>> imagina saber as "receitas" mais adequadas para toda a sociedade, de
quem
>>> imp�e a todos suas pr�prias e muitas vezes truculentas prioridades.
>>>
>>> V�rios dias ap�s o vazamento, gostaria de refletir sobre alguns pontos
do
>>> epis�dio que ainda insistem em chamar de "acidente" com a mesma
>>> impropriedade com que chamam de acidente natural os desastres ambientais
e
>>> humanos que se repetem ano a ano com as enchentes nas grandes cidades
>>> brasileiras. Atribui-se � natureza o que � fruto do caos urbano, da
>>> gan�ncia, da especula��o que empurra os pobres para �reas de risco
>>> conhecido e da demagogia que os deixa l�, sem enfrentar com seriedade as
>>> quest�es da moradia para a popula��o de baixa renda e do equil�brio
>>> ecol�gico.
>>>
>>> O que mais chama a aten��o nas rea��es da Petrobr�s � sua acentuada
>>> preocupa��o de marketing em favor da imagem da empresa. A nota oficial
>>> publicada nos principais jornais usa um tom forte, com a foto dram�tica
de
>>> uma ave agonizante, mas a coragem � s� aparente. Trata-se de uma pe�a
>>> propragand�stica - assim como as apari��es do presidente da empresa -
>>> porque a realidade desmascara e desmistifica o que ali � dito. A verdade
�
>>> que a Petrobr�s, como se costuma dizer, correu o tempo todo atr�s do
>>> preju�zo. No in�cio, quando ambientalistas experientes j� diziam que o
>>> vazamento superava 1 milh�o de litros, ela sustentava que eram 500 mil.
S�
>>> reconheceu a propor��o do dano quando ele j� era vis�vel a olho nu para
>>> leigos e quando a como��o social ficou evidente.
>>>
>>> Ao mesmo tempo em que afirmava ser reconhecida internacionalmente como
uma
>>> das empresas que mais se preocupam com meio ambiente, a ironia - esta
sim
>>> - era que se avolumavam informa��es que demonstram o oposto, a
persistente
>>> neglig�ncia com a prote��o  ambiental. Uma empresa do porte da
Petrobr�s,
>>> que at� hoje, com a cumplicidade de autoridades estaduais e federais
>>> omissas, n�o tem licenciamento ambiental para opera��o e n�o cumpre a
lei
>>> estadual 1898/91, que exige auditoria ambiental anual, n�o tem
>>> credibilidade para falar em compromisso ambiental. Da mesma forma, uma
>>> empresa que deixa vazar �leo na ba�a durante quatro horas sem tomar
>>> provid�ncias, n�o tem um sistema minimamente respons�vel de preven��o e
>>> monitoramento de seu alt�ssimo risco ambiental. E, para completar, um
>>> gigante como a Petrobr�s, que s� agora fala em procurar t�cnicas mais
>>> avan�adas de preserva��o ambiental, deveria estar sentado num tribunal,
no
>>> banco dos r�us, e n�o na TV tapando o sol com a peneira. Diante do
impacto
>>> ambiental e do preju�zo � popula��o - sobretudo a mais pobre, que vive
da
>>> pesca - se algu�m deveria ser afastado de seu cargo seria o presidente
da
>>> empresa e n�o dois t�cnicos pegos para bode expiat�rio, como aconteceu.
�
>>> incr�vel que nos queiram fazer acreditar que duas pessoas, e n�o toda
uma
>>> pol�tica ambiental insuficiente da empresa, sejam os culpados pela
cadeia
>>> de erros cada vez mais evidente.
>>>
>>> � preciso, ainda, apontar a clara responsabilidade do poder p�blico
>>> estadual e federal pelo acontecido. � o Ibama sucateado que n�o tem
meios
>>> e instrumentos para fiscalizar, � o governo do Estado que provavelmente
>>> n�o usa todo seu empenho para pressionar uma grande empresa a se
enquadrar
>>> na legisla��o ambiental. � o engodo de chamar a aten��o para a multa de
50
>>> milh�es, como se fosse um fecho de ouro para a hist�ria. A Lei de Crimes
>>> Ambientais precisa mesmo ser cumprida e � evidente que esses recursos
>>> devem ser totalmente dirigidos � recupera��o poss�vel da ba�a, mas o
>>> preju�zo real, em termos da cadeia de vida afetada e da desestrutura��o
>>> social daqueles diretamente atingidos, n�o tem pre�o  e nem prazo para
ser
>>> saldado.
>>>
>>> Se a Petrobr�s pretende ter, a partir de agora, um compromisso efetivo
com
>>> o meio ambiente, deve aceitar uma per�cia ambiental independente, com
>>> participantes e observadores de entidades da sociedade capacitadas para
>>> tal. O que n�o resolve mais - e agride a intelig�ncia e sensibilidade de
>>> todos os brasileiros - � querer encerrar o assunto interna corporis,
>>> contratando peritos que, a rigor, fazem parte do poderoso setor
>>> petroleiro, seja nacional ou internacional.
>>>
>>>
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Dicas:
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2- Pegasus Virtual Office
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