[Estava faltando a parte final da matéria da Folha.]

Google discute uso de dados de usuários

Fonte: Folha de São Paulo, quarta-feira, 25 de agosto de 2010
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/tec/tc2508201016.htm

Documentos internos mostram que informações seriam instrumentos para ampliar ganhos com publicidade

Memorando sugere à empresa "entrar no jogo" da concorrência; ideias são listadas como "seguras" e "inseguras"

BRUNO ROMANI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Como o Google poderia reverter em ganhos financeiros os dados deixados por usuários em cada um dos serviços da empresa? Documentos internos obtidos pelo "Wall Street Journal" mostram que a companhia também se faz essa pergunta. Os documentos são do final de 2008 e, diz o jornal, não chegaram às mãos de executivos importantes da empresa. Porém eles mostram o Google preocupado com o mercado de publicidade on-line e com os avanços da concorrência na exploração de informações e monitoramento das atividades de internautas. Um dos documentos sugere que a empresa "entre no jogo". Ou seja, que ela coloque em prática métodos usados por outras companhias. Coincidência ou não, em março do ano passado, o Google passou a instalar cookies nos computadores daqueles que visitam os milhões de sites que contêm propagandas em forma de banner vendidas pela empresa. Cookies são pequenos arquivos de texto que podem ser usados para monitorar as atividades de quem navega pela internet. Ao instalar os arquivos e saber do que você gosta, a empresa consegue fazer com que as propagandas que aparecem na sua tela sejam muito mais específicas e direcionadas. A prática, porém, foi refutada por muitos anos pelos fundadores da empresa por andar no limite da invasão de privacidade. Essa resistência atrapalhava os negócios, pois anunciantes buscam constantemente formas para personalizar propagandas e modos para medir sua eficiência.

ASSUNTO DELICADO
O documento reconhece a delicadeza do assunto. Logo no início, ele diz que a personalização de publicidade tem natureza sensível, pois os usuários poderiam interpretá-la "da forma errada". O memorando, que circulou dentro do Google com o selo de "confidencial", afirma que as ideias discutidas não seriam implementadas sem considerar seus aspectos legais. Posteriormente, as sugestões são listadas como "seguras" e "inseguras". Uma delas propõe que vários serviços do Google, como YouTube, Gmail e Orkut, contribuam com dados que permitam um alto grau de personalização de propagandas. E elas poderiam "seguir" o usuário em cada instante da navegação. Imagine o conteúdo de um e-mail sendo usado para vender produtos e serviços em cada canto que você visitar na rede. Outra proposta permitiria ao internauta fornecer dados pessoais em troca de recompensas financeiras, como o pagamento de sua conta da internet. Procurado pela Folha para comentar o assunto, o Google emitiu uma nota que diz: "A web não existiria no formato atual sem propagandas relevantes, que beneficiam usuários, publishers e anunciantes. A qualquer hora, existem muitas ideias sendo debatidas energicamente dentro do Google. Isso é bom porque nos ajuda a desenvolver novas ferramentas inovadoras, como o Ads Preferences Manager".



Acordo gera polêmica sobre neutralidade

Em 9 de agosto, o Google anunciou uma proposta juntamente com a Verizon, maior provedora de internet sem fio dos EUA, sobre novas maneiras de lidar com tráfego de dados na internet. O acordo (tinyurl.com/googleacordo) suscitou polêmica mundial por supostamente afetar a chamada neutralidade da rede, conjunto de princípios que não discriminam os conteúdos virtuais. A base do texto é a divisão entre internet com e sem fio. Esta última, a mais usada nos EUA, não estaria submetida à neutralidade de rede. Assim, o Google poderia pagar para o YouTube ser mais rápido do que sites concorrentes, por exemplo. John Bergmayer, membro da organização de direitos digitais norte-americana Public Knowledge, criticou o acordo: "Há muitas ambiguidades na proposta, especialmente no que se refere aos "serviços on-line adicionais"." Para Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV e colunista da Folha, a discussão no Brasil será bem diferente daquela que está acontecendo nos EUA. "Estamos um pouco distantes de termos duas internets, a tradicional e outra sem fio." Procurado pela Folha, Felix Ximenes, diretor de comunicação do Google Brasil, disse que o debate até agora se restringe aos EUA: "Não estamos comentando esse assunto por aqui." (CARLOS OLIVEIRA)


COMO MANTER SUA PRIVACIDADE EM RELAÇÃO AO GOOGLE

ADS PREFERENCES
ENDEREÇO google.com/ads/preferences
É possível configurar o Google para parar de receber propaganda baseado nas páginas nas quais você navega ou escolher em quais categorias você quer continuar a receber anúncios

DASHBOARD
ENDEREÇO google.com/dashboard
Veja em quais serviços do Google você é um usuário e que tipo de informação você está deixando neles. Administre cada uma dessas contas e tenha maior controle sobre o Google em sua vida

GOOGLE ALARM
ENDEREÇO jamiedubs.com/googlealarm
Extensão para Firefox que notifica cada vez que o Google recolhe seus dados durante a navegação. A extensão toca um alarme e mantém estatísticas dos sites onde o Google está


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