Em 31 de outubro de 2011 19:21, Simone Garofalo <[email protected]>escreveu:

> EXCELENTE!! Vale a pena ler. Só reafirma o que eu tenho dito: "Estamos em
> uma fase de transição. Todos estamos perdidos. Não há quem se salve".
>
> segunda-feira, 31 de outubro de 2011 internet e 
> emburrecimento<http://smeira.blog.terra.com.br/2011/10/31/internet-e-emburrecimento/>
> Tags:distração 
> imaturidade<http://smeira.blog.terra.com.br/tag/distracao-imaturidade/>,
> emburrecimento <http://smeira.blog.terra.com.br/tag/emburrecimento/>,
> internet <http://smeira.blog.terra.com.br/tag/internet/>, nelson 
> rodrigues<http://smeira.blog.terra.com.br/tag/nelson-rodrigues/>,
> redes sociais <http://smeira.blog.terra.com.br/tag/redes-sociais/> - srlm
> às 07:55
>
> [image: image] 
> <http://smeira.blog.terra.com.br/files/2011/10/image19.png>reportagem
> recente da revista época pergunta se a "internet faz mal ao 
> cérebro<http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2011/10/internet-faz-mal-ao-cerebro-trecho.html>"
> e cita um número de estudiosos que aponta, entre os efeitos da rede, um
> aumento da distração, dispersão e um "emburrecimento" da população. entre
> os proponentes de tal avaliação do estado de coisas em rede está mark
> bauerlein, da emory university, autor de The Dumbest Generation: How the
> Digital Age Stupefies Young Americans and Jeopardizes Our Future(Or, Don’t
> Trust Anyone Under 
> 30)<http://www.amazon.com/Dumbest-Generation-Stupefies-Americans-Jeopardizes/dp/1585427128/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1320012375&sr=8-1>,
> publicado em 2008.
>
> talvez o argumento central do livro <http://www.dumbestgeneration.com/>seja 
> que, apesar das oportunidades de educação, aprendizado, ação política
> e atividade cultural nunca terem sido tão grandes como agora, exatamente
> por causa da rede, os candidatos a aprendiz [os mais jovens, na perspectiva
> do autor e do texto] se conectam apenas entre si, para uma espécie de
> "socialização da imaturidade", ao invés se servirem do ambiente da web para
> conexão com pais, professores e outros adultos relevantes. segundo
> bauerlein, o resultado é 
> que<http://www.latimes.com/entertainment/la-et-book5-2008jul05,0,6248930.story>
> …
>
> *…instead of using the Web to learn about the wide world, young people
> instead mostly use it to gossip about each other and follow pop culture,
> relentlessly keeping up with the ever-shifting lingua franca of being cool
> in school.*
>
> …*ao invés de usar a web para aprender sobre o grande mundo ao redor, os
> jovens usam a rede para fofocar uns sobre os outros e seguir a cultura pop,
> a todo tempo se mantendo atualizados com a sempre mutante língua franca que
> os torna "legais" na escola*.
>
> sei não. mas imagine que bauerlein esteja certo e os jovens estejam mesmo
> "emburrecendo" por causa da web e das redes sociais. bauerlein concorda que
> nunca se leu e escreveu tanto quanto hoje. segundo ele, o "problema" é que
> eles estão lendo e escrevendo as "coisas erradas": lá nos EUA a rede
> deveria estar sendo usada para ler mais 
> shakespeare<http://en.wikipedia.org/wiki/William_Shakespeare>,
> milton <http://en.wikipedia.org/wiki/John_Milton>, a grande literatura
> americana<http://en.wikipedia.org/wiki/American_literature#Realism.2C_Twain_and_James>e
>  discutir os problemas da sociedade e economia.
> *mutatis mutandis*, o adolescente local em rede deveria, ao fim do ensino
> médio –e só porque está na web, ter terminado grande sertão: 
> veredas<http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Sert%C3%A3o:_Veredas>,
> de guimarães rosa, o romance d’a pedra do reino e o príncipe do sangue do
> vai-e-volta<http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Romance_d%27A_Pedra_do_Reino_e_o_Pr%C3%ADncipe_do_Sangue_do_Vai-e-Volta>,
> de ariano suassuna e a história da 
> matemática<http://www.amazon.com/History-Mathematics-Second-Carl-Boyer/dp/0471543977>de
>  carl boyer. de preferência, claro, em inglês.
>
> tal expectativa é completamente infundada. não só para a web, mas para
> qualquer outra "tecnologia". imagine prover telas, pincéis e tintas a seja
> lá que grande grupo for e espere pra ver se acontece algum 
> picasso<http://en.wikipedia.org/wiki/Picasso>ou
> léger <http://en.wikipedia.org/wiki/Fernand_L%C3%A9ger> em poucas semanas
> ou mesmo alguns anos. mesmo que haja um processo de educação e aculturação,
> de mudança de comportamento, um conjunto de movimentos que possa levar a
> graus de interesse e desenvolvimento de competências capazes de fazer
> nascer um chagall <http://en.wikipedia.org/wiki/Chagall>, isso nem sempre
> –ou quase nunca- acontece.
>
>
> <http://vocescubanas.com/voztraslasrejas_en/2009/07/19/another-one-another-blog/>
>
> como se não bastasse, como os mais jovens se conectariam aos mais velhos
> –para aprender, ou aprender mais, se estes demoraram muito a chegar na
> rede, perderam o ponto de entrada [faceBook, tecnologia feita por jovens
> para jovens, era só para estudantes no princípio] e, por conseguinte, a
> linguagem <http://bit.ly/SECXXI>? eons <http://www.eons.com/>, a rede
> social para idosos, não é exatamente quem está ditando as regras e padrões
> de comportamento. e as empresas e escolas, instituições em geral, assustadas
> com a democracia das redes sociais <http://bit.ly/HSMesa>, uma espécie de
> 1968 online, resolveram se esconder do "problema" e o fizeram por muito
> tempo. e estão muito atrasadas no aprendizado da nova "linguagem".
>
> resultado? os jovens saíram na frente e estão à frente, onde vão continuar
> por muito tempo. e isso é muito bom, sejam quais forem as consequências.
>
> no processo de introdução de novas tecnologias de amplo impacto social, há
> uma mudança radical no espaço-tempo, na forma, conteúdo, significado e
> entendimento do que é feito e criado, do que acontece ou deixa de. e leva
> anos, muitos talvez, para que o equivalente [na web ou nas redes sociais] à
> pintura acima ser reconhecido como a expressão de um gênio, mesmo que
> apenas no novo contexto cultural induzido pelas novas tecnologias. e ainda
> mais tempo para que seja, de fato, uma obra prima em qualquer contexto.
>
> estamos vivendo uma reinvenção do contemporâneo. em modo 
> beta.<http://bit.ly/sDEgG3>
>
> a reportagem da época e os argumentos de bauerlein e outros precisam levar
> em conta uma mudança como a que estamos vivendo na 
> rede<http://smeira.blog.terra.com.br/2011/10/05/a-grande-promessa-da-teoria-das-redes/>tem
>  impactos muito maiores do que percebemos de dentro do espaço-tempo da
> mudança. pela própria natureza da coisa, não conseguimos entender o que
> está acontecendo antes de chegarmos em alguns arranjos mais estáveis dentro
> do processo. ao mesmo tempo, tendemos a superestimar o impacto das
> tecnologias no curto prazo e subestimar o mesmo efeito no longo, aforismo
> conhecido como a lei de 
> amara<http://smeira.blog.terra.com.br/2011/10/03/tics-na-dcada-mudanas-e-mais-mudanas/>
> .
>
> em um outro texto, bauerlein dá conta de uma outra mudança induzida por
> tecnologia que já começou a grassar nos estados unidos e que, em breve, vai
> rolar pelo resto do mundo: as escolas de indiana, entre outros estados, vão
> deixar de insistir na escrita 
> cursiva<http://pt.wikipedia.org/wiki/Letra_cursiva>[caligrafia já dançou há 
> tempos] e partir
> para o teclado e o 
> toque<http://chronicle.com/blogs/brainstorm/no-more-cursive/37592>.
> bauerlein cita estudos que parecem garantir que construir as letras à mão
> [o cursivo] ajuda no processo de leitura e escrita. pode ser. mas como
> insistir que as crianças aprendam a ler e escrever de forma cursiva se,
> logo depois, esta "tecnologia" é descartada?
>
> estamos numa encruzilhada. os velhos métodos já não funcionam mais, pois o
> mundo aqui fora da da escola "passou" por ela. ao mesmo tempo, ainda não
> conseguimos entender o suficiente do presente para formatar os métodos e
> processos, juntamente com as tecnologias, que vão servir de base para
> aprender, no presente, o que vai ser essencial para o futuro.
>
> talvez não reste nenhuma outra alternativa a não ser tentar, errar e
> aprender. agora, enquanto o futuro ainda é recente. caso contrário, é olhar
> para o que o futuro parecia ser, no passado. a imagem abaixo, de 1910,
> tentava prever o que seriam as salas de aula do futuro, no ano 2000. vai
> ver que elas não são nem isso. e aí não é de assustar que os alunos, os
> "jovens", prefiram redes sociais e games. aqui pra nós, se eu fosse eles,
> estaria lá também. e estou.
>
> [image: image] <http://bit.ly/SECXXI>
>
> PS: lá em 1968, nelson rodrigues [um dos mais competentes e deliciosos
> reacionários de todos os tempos] escrevia uma crônica [em maio... "eis o
> fato novo na vida brasileira: –o culto da 
> imaturidade<http://books.google.com.br/books?id=Y5yD0xZswOEC&pg=PA247&lpg=PA247&dq=%22eis+o+fato+novo+na+vida+brasileira:+%E2%80%93o+culto+da+imaturidade%22&source=bl&ots=OfwBxs-Nzq&sig=O6jdQJIb95S5YveuJsHjY0_1l_Q&hl=en&ei=3HiuTv2wIouctwfwg8nvDg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CBkQ6AEwAA#v=onepage&q=%22eis%20o%20fato%20novo%20na%20vida%20brasileira%3A%20%E2%80%93o%20culto%20da%20imaturidade%22&f=false>"]
> onde desancava o "novo" teatro, os "jovens" diretores da época [como zé
> celso] e sua visão de mundo e da encenação, botava a plateia no rolo e
> dizia que, naqueles tempos, *o tempo exigia das pessoas plena
> imaturidade, *que *"neste final de século, a imaturidade é a musa
> perfeita, sereníssima, universal"* e que, por fim *"a inteligência está
> liquidando o teatro brasileiro".* vai ver, o grande 
> recifense<http://www.releituras.com/nelsonr_bio.asp>teria razão hoje:
> *a inteligência [juvenil] está liquidando a internet…*
> *Fonte:
> http://smeira.blog.terra.com.br/2011/10/31/internet-e-emburrecimento/*
>
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-- 
Olá Simone! Interessante D+
Parece tendência (ou será necessidade?) dos cientistas sociais ou do
comportamento humano, a mania de profetizar futuros sombrios e procurar
culpados em qualquer lugar. É a velha tendência: na minha geração a
televisão emburrecia. Lembro-me perfeitamente que no ensino médio, uma
grande professora de literatura me indicou um livro: O Videota, que depois
foi adaptado para o cinema no filme "Muito além do Jardim".  O fato é que a
humanidade vem gerando seres cada vez mais criativos e acredito que a
alienação faça parte de uma etapa da adolescência e juventude.
Quem não teve sua "fase bobeira" na adolescência, onde só o que importava
era a galera que atire a primeira pedra....Só que o tempo muda as coisas. E
cabe aos adultos a compreensão desta etapa e a melhor maneira de lidar com
ela. Se estes pesquisadores concluíssem que o abandono cada vez maior dos
jovens no ócio e na solidão causam alienação nas redes eu assinava embaixo.
Mas com jovens bem orientados, com educação de qualidade e uma família por
perto (qualquer que seja o seu modelo) isso é pura perda de tempo.
Acho que sou "meio ousada" em discordar deste tipo de estudo, mas tenho
exemplos de vida suficientes para me fazerem discordar. O que acham?

Ah! Sobre a letra cursiva: meu caçula tem uma escrita cursiva horrível...e
lê desde os 4 anos. Já nesta época dizia que não fazia sentido desenhar a
letra pois era mais fácil teclar.

Jenny Horta
http://aprendizagemdigital.wordpress.com
"Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo
sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida,
destruindo o sonho, inviabilizando o amor." (Paulo Freire)
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