*Bem, o outro texto surgiu desse. Então vamos lá!!!
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* <http://revistaepoca.globo.com/palavrachave/tecnologia/>

* TECNOLOGIA - *
<http://revistaepoca.globo.com/palavrachave/tecnologia/> *28/10/2011
22h29* - Atualizado em 29/10/2011 11h48
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  A internet faz mal ao cérebro? (trecho) Um grupo cada vez maior de
pesquisadores acha que estamos nos tornando mais distraídos - e mais burros
- por causa do uso excessivo de aparelhos digitais

*ALBERTO CAIRO, PETER MOON E LETÍCIA SORG*
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  [image: PREÇO ALTO O biólogo Hebert Campos, em Campina Grande. A internet
abriu seus horizontes e acabou com sua concentração. “Perco de um lado, mas
ganho do outro” (Foto: Kleide Teixeira/ÉPOCA)]PREÇO ALTO
O biólogo Hebert Campos, em Campina Grande. A internet abriu seus
horizontes e acabou com sua concentração. “Perco de um lado, mas ganho do
outro” (Foto: Kleide Teixeira/ÉPOCA)



O escritor americano Nicholas Carr sentiu que algo estranho ocorria com ele
há uns cinco anos. Leitor insaciável, percebeu que já não era capaz de se
concentrar na leitura como antes. Na verdade, sua ansiedade disparava
diante de qualquer tarefa que exigisse concentração – seus olhos procuravam
a tela do computador ou do celular. O impulso de espiar na internet era
quase incontrolável, diz ele. “Sentia que estava forçando meu cérebro a
voltar para o texto”, afirma. “A leitura profunda, antes tão natural para
mim, tinha se transformado numa luta.” Tal afirmação abre o livro *The
shallows – What the internet is doing to our brains* (*Os superficiais – O
que a internet está fazendo com nossos cérebros*, ainda sem tradução no
Brasil). Nele, Carr faz uma acusação seriíssima: a exposição constante às
mídias digitais está mudando, para pior, a forma como pensamos. Ele e um
punhado de autores respeitáveis acreditam que, por causa do uso excessivo
de computadores e de outros aparelhos digitais, nosso cérebro é alterado e
estamos nos tornando menos inteligentes, mais superficiais e imensamente
distraídos – o inverso de tudo aquilo que fez de nós a espécie mais
bem-sucedida do planeta Terra.

“Em vez de mentes juvenis inquietas e repletas de conhecimento, o que vemos
nas escolas é uma cultura anti-intelectual e consumista, mergulhada em
infantilidades e alheia à realidade adulta”, afirma Mark Bauerlein, autor
de *The dumbest generation* (*A geração mais estúpida*). No livro, ele
antecipa uma nova Idade das Trevas, quando os indivíduos que hoje são
crianças e adolescentes chegarem à maturidade.

Bauerlein, professor na Universidade Emory, na Geórgia, supervisiona
estudos sobre a vida cultural americana. Ele acredita que as novas
gerações, educadas sob a influência das mídias digitais, são formadas por
narcisistas despreparados para pensar em profundidade sobre qualquer
assunto. Ele diz que uma pesquisa de 2006 com mais de 81 mil estudantes
americanos de ensino médio detectou que 90% deles “leem ou estudam” menos
de cinco horas por semana – embora passem “pelo menos” seis horas navegando
na internet e um período equivalente assistindo à TV ou jogando videogame.
“Indivíduos que não sabem praticamente nada de história, que nunca leram um
livro nem visitaram um museu não têm mais do que se envergonhar.
Tornaram-se comuns”, afirma.

Carr e Bauerlein não estão sozinhos. A jornalista Maggie Jackson, outra
autora crítica da tecnologia, sugere que os mais jovens estão acostumados,
por culpa da internet e do uso de celulares, à leitura desatenta de textos
cada dia mais breves e estilisticamente mais pobres. Os 140 caracteres que
se podem escrever no Twitter, ela acredita, geram pensamentos máximos de
140 caracteres. Parece exagero, mas alguns estudos mostram que há motivos
para preocupação. Uma consultoria chamada Genera divulgou um estudo
alarmante sobre os efeitos do uso da internet entre os jovens. A empresa
entrevistou 6 mil pessoas da geração que cresceu usando a internet e
concluiu que as coisas estão mudando radicalmente. “A imersão digital
afetou até mesmo a forma como eles absorvem informação”, afirmam os
pesquisadores. “Eles não leem uma página necessariamente da esquerda para a
direita e de cima para baixo. Pulam de uma palavra para outra, atrás de
informação pertinente.” Um efeito disso já foi notado por um professor da
Universidade Duke. Ele reclamou com o autor de The shallows que não
consegue mais que seus alunos leiam um único livro do começo ao fim, mesmo
nos cursos de literatura.


Fonte:
http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2011/10/internet-faz-mal-ao-cerebro-trecho.html
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