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repassa para o engenheiro aposentado
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VALOR - Editoria Economia - 21/01/2009 00:58:00
Aposentados perdem 45%
Em seis anos, aumenta o abismo entre o salário mínimo e os demais benefícios
da Previdência
Luciene Braga <[email protected]>
Rio - Com o anúncio do reajuste de 12,05% para o salário mínimo, que passará
dos atuais R$ 415 para R$ 465 no dia 1º de fevereiro, o abismo entre os
benefícios do INSS acima desse valor e do piso previdenciário será de 45%,
desde 2003 (primeiro ano do governo Lula), e de 85% a 95%, desde 1991
(quando o marco regulatório da Lei de Previdência Social desvinculou os
reajustes). Aposentados e pensionistas viam no Projeto de Lei nº 01/07, que
prevê aumento único para todos, esperança para este ano, mas a proposta foi
retirada de pauta, frustrando os segurados.
Segundo o consultor da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas
(Cobap), Maurício de Oliveira, hoje, a média dos benefícios pagos pela
Previdência é de dois mínimos. "Se persistir essa política de reajustes, de
valorização do salário mínimo em detrimento dos benefícios da faixa
superior, há uma forte tendência de que essa média se direcione ao salário
mínimo", avalia. "Não há erro na valorização do mínimo. Temos grande avanço
nesse sentido. Houve tempo em que se defendeu o mínimo de US$ 100, e o
governo dobrou isso. É importante que seja feito, mas os benefícios
restantes estão sofrendo perdas históricas cumulativas. Dezenas de milhares
caem de faixas anualmente", adverte.
Presidente da Associação de Aposentados e Pensionistas de Volta Redonda
(AAP- VR), Ubirajara Vaz reagiu às perdas. Segundo ele, a categoria está
indignada com a diferença entre os índices de reajuste. Vaz disse que
"baixou o espírito da Flora no ministro", referindo-se à vilã da novela 'A
Favorita', encerrada sexta-feira, e ao ministro José Pimentel, da
Previdência. O sindicalista tem cálculos que indicam perdas ainda maiores:
"A defasagem no salário da categoria chegará a aproximadamente 105%, em
relação ao piso , caso esse índice seja aprovado".
*ABAIXO DO PISO*
Aposentado há 10 anos, José Carlos Vanni, 63, viu seus rendimentos caírem
mais que a metade. Ele, que contribuiu com o piso de sete salários mínimos,
recebe hoje apenas três. "Quando me aposentei, estava crente que ia ter uma
vida tranqüila. Hoje, vivo estressado devido à situação econômica. Preciso
trabalhar para completar a renda", desabafa.
José conta que voltou a estudar para poder melhorar o padrão de vida. "Faço
curso técnico em Turismo em uma escola estadual. Apesar de já ter Ensino
Superior, procuro outros caminhos. É difícil conseguir emprego na minha
idade", admite. Enquanto isso, torce pela aprovação dos projetos de lei do
senador Paulo Paim (PT-RS). "Reconheço valores no presidente Lula, mas, com
relação aos aposentados, ele não cumpriu as promessas", queixa-se.