AKA, Li este livro há alguns meses, aqui foi publicado com o título "O Andar do Bêbado".
É bastante interessante, a leitura é muito agradável. Tudo é demonstrado com exemplos práticos, desde a exaustão do uso do "cara ou coroa", até a discussão de fatos sobre a performance de jogadores de beisebol e profissionais de outras áreas. Um abraço, Javier Em 15 de julho de 2010 00:23, AKA <[email protected]> escreveu: > > > The drunkard's walk - Leonard Mlodinow > > Resumindo grosseiramente, *The drunkard's walk* conta a história do > nascimento e desenvolvimento da *estatística* e da *probabilidade*. Mas > espere! Não mude de canal! Leonard > Mlodinow<http://www.its.caltech.edu/%7Elen/>, é > um cara talentosíssimo e conseguiu a proeza de escrever um livro muito > agradável, com um estilo leve e bem-humorado (ele também é co-autor de > "Uma nova história do tempo", com o Stephen Hawking). Suas ótimas tiradas e > um grande senso prático de aplicação de complicadas teorias, tornam temas > científicos facilmente palatáveis para leigos como eu - e talvez você. > > Eu o recomendaria, inclusive, para *professores de estatística* que não > estão conseguindo a atenção de seus queridos pupilos. Tendo a achar, > lembrando meus tempos de aluno (coisa recente), que quando não há um senso > prático para determinada disciplina, fica mais difícil vendê-la como algo > útil e que valha a pena o esforço. > > Mas a beleza da obra de Mlodinow reside exatamente em mostrar-nos onde está > o *senso prático* da estatística e da probabilidade na nossa vida. Em que > momentos nós as subestimamos ou superestimamos - e de que forma ambas as > situações podem ser igualmente perigosas. > > A grande contribuição do livro está no alerta à nossa tendência de > buscar uma razão oculta para tudo o que nos acontece. Pequenos subterfúgios > matemáticos para domar a estranha sensação de que as coisas ocorrem fora do > nosso controle, de forma arbitrária, sem que tenhamos o mínimo controle > sobre nossos destinos. > > [image: > Random-numbers]<http://rodolfo.typepad.com/.a/6a00e554b11a2e8833010536f36e02970b-popup>Pois > *se os acontecimentos são aleatórios, significa que não estamos no > controle*. Do mesmo modo, *se estamos no controle então os eventos não são > aleatórios*. E, como gostamos de pensar que estamos no controle das > coisas, muitas vezes nos forçamos a ver relações de causa e efeito onde elas > não existem. > > Há, portanto, um conflito fundamental entre nossa necessidade de sentirmos > que estamos no controle e nossa habilidade em reconhecer a aleatoriedade das > coisas. E é aí que reside a principal razão pela qual interpretamos o acaso > erradamente. > > ** * * * * * * * * ** > > Um exemplo interessante disso foi dado no já citado *Inevitable Illusions: > How Mistakes of Reason Rule Our > Minds<http://www.amazon.com/gp/product/047115962X?ie=UTF8&tag=inevitable_text-20&linkCode=as2&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=047115962X> > * (Wiley, 1994) onde Massimo Piattelli-Palmarini propõe um curioso > problema: se lançarmos uma moeda sete vezes seguidas, qual das três opções > abaixo seria mais provável de acontecer, considerando Ca = Cara e Co = > Coroa? > > a) Co; Co; Ca; Ca; Ca; Ca; Ca > > b) Ca; Ca; Co; Ca; Co; Co; Ca > > c) Co; Co; Co; Co; Co; Co; Co > > Mesmo que você não queira escolher entre (a) ou (b), você descarta (c) > imediatamente, certo? O problema é que se trata de uma amostra muito pequena > e não haveria, portanto, uma resposta mais correta do que as outras. Em 1957 > o matemático George Spencer-Brown demonstrou, em *Probability and > Scientific Inference* (Londres: Longmans, Green, 1957), que se gerarmos > uma série aleatória de 101.000.007 zeros e uns, seriam esperadas, no > mínimo, *dez seqüências de um milhão de zeros seguidos*! Ora, desse jeito, > uma mera seqüência de sete Coroas soa até trivial*... > > Ouvir (ou ler) algo assim, depois de tantos anos aprendendo que as chances > de termos uma Cara (ou Coroa) lançando uma moeda para cima são de 50%, > parece até contraintuitivo. E é! Mas isso ocorre porque nós assumimos que > alguns poucos exemplos ou pequenas séries retratam fielmente uma dada > situação, quando na verdade são amostras muito pequenas para serem > representativas. > > Tversky e > Kahneman<http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/tversky-kahneman/>(sempre > eles!) jocosamente batizaram esse fenômeno de > *lei dos pequenos números *- que não é, de fato, uma lei, mas uma > sarcástica descrição da tentativa de aplicar a Lei dos Grandes > Números<http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_dos_grandes_n%C3%BAmeros>(esse sim, > um conceito fundamental em probabilidade desenvolvido por Jakob > Bernoulli, que diz que quanto mais observações a respeito de um fenômeno > você fizer - mais perto estará da real descrição desse fenômeno) a séries > não tão grandes assim†. > > [image: Dilbert > randomness]<http://rodolfo.typepad.com/.a/6a00e554b11a2e8833010536fca2cb970c-popup> > > O pior dessa lei dos pequenos números é que ela parece nos dragar como > areia movediça: quando estamos envolvidos numa ilusão de aparente > causalidade - onde poucos eventos parecem descrever precisamente um dado > resultado - em vez de procurarmos maneiras de provar que nossas idéias estão > erradas, procuramos sempre formas de mostrar que estão certas. É o que os > psicólogos chamam *viés da > confirmação<http://en.wikipedia.org/wiki/Confirmation_bias> > * (*confirmation bias*): a tendência de buscar ou interpretar dados de > forma a confirmar uma idéia pré-concebida, ao mesmo tempo em que se refutam > ou ignoram evidências em contrário. > > Ir contra a lei dos pequenos números, contudo, requer firmeza de caráter, > pois você estará indo contra o (deturpado) senso comum, como um autêntico > Iconoclasta<http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2009/01/iconoclasta.html>... > Nesse momento do livro, comecei a encontrar muitos pontos em comum com *The > halo effect*, de Phil Rosenzweig e *The black swan*, de Nicholas Nassim > Taleb. Mas isso vai ficar para o próximo > *post*<http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2009/02/the-drunkards-walk-o-que-aconteceu-por-acaso.html> > ... > > __________ > > * Mlodinow diz, inclusive, que completa aleatoriedade - quer dizer, o > caos absoluto - é, ironicamente, um caso de perfeição. > > † O curioso é que mesmo antes de conhecer esse conceito eu já havia > escrito algo falando da lei dos pequenos números. Relembre o divertido > estranho > caso da > aranha<http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2008/11/o-estranho-caso-da-aranha.html> > . > > >
