PMs pediram R$10 mil para liberar carro, diz pai de atropelador
de Rafael
Ele contou que chegou a pagar mil reais aos policiais.
Filho de 18 anos da atriz Cissa Guimarães morreu na terça-feira.
Do G1, com informações do Jornal Nacional
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O pai do jovem que admitiu ter atropelado Rafael Mascarenhas, filho da
atriz Cissa Guimarães, disse nesta sexta-feira (23) em depoimento que os
policiais que liberaram seu filho pediram R$ 10 mil em propina. O
depoimento durou seis horas. Roberto Bussamra conta que após a abordagem
policial, o grupo parou em um posto de gasolina na Gávea, na Zona Sul.
Ele foi chamado ao local. Os PMs exigiram R$ 10 mil para liberar os
rapazes que atropelaram Rafael. Como não tinha o dinheiro na hora,
Roberto Bussamra combinou de pagar a quantia na manhã seguinte, na Praça
Mauá, no Centro do Rio de Janeiro.
Ao se encontrar com os policiais, ele inicalmente pagou R$ 1 mil, mas
durante o acerto recebeu um telefonema da mulher. Ela contou que a
vítima do atropelamento era filho da atriz Cissa Guimarães - e que e ele
havia morrido. Roberto passou mal ao receber a notícia e foi retirado
do carro por um dos filhos, enquanto os policiais arrancavam com o
dinheiro da propina.
O dono da oficina para onde foi levado o Siena preto do jovem após o
acidente diz que, por volta de 4h30, o automóvel chegou de reboque. O
pai e o irmão do motorista esperaram até 8h, quando a oficina abriu. O
lanterneiro disse que o pai do jovem pediu pressa no conserto porque
precisava trabalhar com o carro.
Em três horas de conserto, o carro chegou a ser desmontado, mas não
houve tempo para que as peças danificadas fossem trocadas. O dono da
oficina contou que, durante o serviço, recebeu um telefonema do pai do
atropelador exigindo que parasse com urgência e que depois ele
entenderia o porquê e que a perícia buscaria o veículo. O mecânico disse
que teria visto vestígios de pele no carro. Depois de ter parado o
trabalho, ele ouviu sobre o acidente no noticiário.
Investigação
De acordo com a polícia, nenhum outro depoimento deve acontecer nesta
sexta-feira (23) e no fim de semana. Os agentes pretendem usar os
próximos dois dias para avançar nas investigações.
A previsão é que os policiais militares que abordaram o carro que
atropelou Rafael Mascarenhas sejam chamados a depor na próxima semana,
mas a data ainda não foi definida. A polícia informou ainda que
dificilmente o inquérito será encerrado na próxima semana. A polícia
investiga se eles tentaram ocultar vestígios de acidente no carro que
matou o jovem no Túnel Acústico, na Gávea, quando ele andava de skate.
Homenagem a Rafael
Rafael Mascarenhas recebeu uma homenagem dos amigos na noite de
quinta-feira (22). Skates e rosas brancas foram reunidos em frente ao
prédio onde Rafael morava com a mãe, na Gávea.
Uma foto do rapaz num show lembrou a paixão de Rafael pela música. Os
dois jovens que andavam de skate junto com ele na madrugada do
atropelamento se abraçaram com outros amigos.
PMs têm ficha exemplar
As fichas profissionais do sargento e do cabo da Polícia Militar, que
liberaram o motorista que atropelou o músico Rafael Mascarenhas, apontam
comportamento excepcional e ótimo durante o tempo em que eles estão na
corporação. As informações são da assessoria de relações institucionais
da PM.
Os policiais prestaram esclarecimentos à Corregedoria da PM sobre o
episódio durante toda a manhã desta quinta-feira (22). De acordo com o
comandante geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, os PMs
voltaram a confirmar as declarações que constavam no boletim de
ocorrência entregue à Polícia Civil. O sargento e o cabo foram afastados
dos trabalhos nas ruas.
Carona prestou depoimento na quinta-feira
O estudante André, de 19 anos, que estava no carona do carro do
motorista que confessou ter atropelado o músico Rafael Mascarenhas
prestou depoimento na quinta-feira (22). Ele não quis falar com a
imprensa.
O advogado dele, Paulo Márcio Ennes Klein - que não quis revelar o
sobrenome do cliente -, informou que o jovem disse, no depoimento, que
Rafael passou de skate, na frente do carro, saindo da direita para a
esquerda, dentro do Túnel Acústico, que liga São Conrado à Gávea.
Segundo Paulo Klein, André negou, no depoimento, que ele e os amigos
estivessem fazendo um pega dentro do Túnel Acústico. “Ele diz que o
carro não estava correndo, mas que não sabe precisar em que velocidade
estava. André contou que o carro chegou a frear antes do atropelamento”,
disse o advogado. “Inclusive, o André estava sem o cinto de segurança.
Não sou perito, mas acredito que, se o carro estivesse em alta
velocidade, com o impacto, o André teria se machucado”, acrescentou.
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"Quelle connerrie est la guerre"
(Jacques Prévert)