para aqueles assinantes do JB nem se fosse de encomenda Zuenir Ventura - Página 7 *O desvio é a norma* Tudo errado e sob o olhar tolerante de todos nós, que só nos chocamos quando há uma tragédia como a que se abateu sobre Rafael Mascarenhas e sua família. O terrível episódio é uma ilustração da cultura da bandalha de que o Rio é a capital. Adolescentes que praticam skate em espaços interditados, mas não fiscalizados. Filhinhos de papai que brincam impunemente de pegas e rachas nos túneis. Um pai dando o péssimo exemplo de tentar escamotear os vestígios do carro avariado para livrar a cara do filho. PMs que após uma conversa rápida facilitam a fuga dos suspeitos a troco não se sabe de quê (já houve casos em que foi a troco de uma cervejinha ou cinquentinha).
O Rio não inventou os pequenos delitos, nem os grandes. Mas criou o termo bandalha — uma combinação de bandalheira com canalha — que define essa mistura de transgressão e permissividade, desrespeito às leis e promiscuidade. O taxista que diz “dr., vamos dar uma entrada aqui na contramão pra andar mais rápido”, e a gente finge que não ouve ou diz “tudo bem”. Afinal, todo mundo faz, é o costume. Os exemplos vêm de todos os lados, principalmente de cima. Se até o presidente da República já recebeu várias multas por infringir repetidamente a legislação eleitoral, por que eu não posso fazer minha bandalhazinha? Para o clima de violência no Rio, muito tem contribuído o acúmulo de tolerâncias em relação a essas pequenas infrações: avanço de sinal, carros sobre a calçada, cães sem coleira, excesso de velocidade. Todas essas práticas ilegais e mais ou menos aceitas fazem do Rio de Janeiro uma cidade em que o desvio é a norma. Ilegal, e daí? E há ainda os que resistem a medidas saneadoras como o Choque de Ordem e a Lei Seca. Diante dos últimos acontecimentos envolvendo de maneira desastrada a PM — por ação, como no caso da bala perdida que matou o menino Wesley, de 11 anos, e por omissão, como no caso de Rafael, de 18 — o comandante-geral da corporação, coronel Mário Sérgio Duarte, pediu desculpas pelos erros cometidos e prometeu “cortar na própria carne”. É o mínimo que se espera, pois é o que as duas famílias estão sentindo, e não apenas como força de expressão. �¡ �¡ �¡ �¡ �¡ �¡ Até quando o goleiro Bruno vai abusar da paciência da Justiça entrando mudo e saindo calado das audiências de instrução? Da última vez, ele acrescentou ao silêncio arrogante um sorriso debochado. É bom lembrar que, logo no começo das investigações, ele afirmou que ainda ia rir muito “de tudo isso”. Será que já começou? Do que ele acha graça?
