Lula quer aparecer como benfeitor de todas as classes, tal qual Luís Bonaparte
 

Folha de São Paulo, por:  Marco Antonio Villa

O Nosso 18 Brumário

O MAIOR PERSONAGEM da eleição não é candidato: Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje 
é o grande cabo eleitoral não só da sua candidata mas de toda base 
governamental. Chegou a esta condição contando com o auxílio inestimável da 
oposição.
No primeiro mandato teve sérios problemas, como na crise do mensalão. A 
oposição avaliou -erroneamente- que seria menos traumático e mais fácil 
deixá-lo nas cordas, para nocauteá-lo em 2006.

As saídas de José Dirceu, Antonio Palocci e Luiz Gushiken deram a Lula o 
protagonismo exclusivo. Só então teve condições de governar como sempre desejou.

A troika limitava sua ação e dividia as atenções políticas. Dava a impressão de 
que o chefe de Estado não era o chefe do governo.

A crise foi providencial para Lula: libertou-se do aparelho partidário, 
estabeleceu alianças como desejava e passou a ser a âncora exclusiva de 
sustentação do governo.

O segundo mandato, na prática, começou no início de 2006. A oposição mais uma 
vez evitou o confronto direto. Avaliou -erroneamente, novamente- que seria 
melhor manter os governos estaduais de São Paulo e Minas, transferindo o 
enfrentamento direto com Lula para 2010.

Em um terreno livre, Lula teve condições únicas para um presidente nos últimos 
40 anos: estabilidade política, crescimento econômico e controle do Congresso.

As CPIs, que criaram problemas no primeiro mandato, perderam importância. Os 
frutos da estabilidade e uma conjuntura internacional favorável possibilitaram 
um rápido crescimento da economia e a expansão do consumo.
Paulatinamente, Lula foi afrouxando a política fiscal, abandonou as rígidas 
metas do primeiro mandato, manteve um câmbio artificial, incentivou o capital 
especulativo e foi empurrando para o próximo presidente uma bomba de efeito 
retardado.

Abrindo um imenso saco de bondades, ampliou o crédito para as classes C e D, 
favoreceu as viagens internacionais para a classe média e criou uma nova 
burguesia -a burguesia lulista- que ampliou o seu poder graças às benesses dos 
bancos oficiais. Expandiu numa escala nunca vista os programas assistenciais, 
como o Bolsa Família, e manietou os velhos movimentos sociais comprando suas 
lideranças.

Tal qual Luís Bonaparte, Lula "gostaria de aparecer como o benfeitor patriarcal 
de todas as classes". Foi ajudado pela oposição, sempre temerosa de enfrentar o 
governo. Usando uma imagem euclidiana, Lula "subiu, sem se elevar -porque se 
lhe operara em torno uma depressão profunda". Ele almeja transformar o 3 de 
outubro no seu 18 Brumário.

Em:

http://www.prosaepolitica.com.br/2010/08/04/lula-quer-aparecer-como-benfeitor-de-todas-as-classes-tal-qual-luis-bonaparte/

Carlos Antônio.

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