http://www1.folha.uol.com.br/poder/781649-ministerio-da-fazenda-erra-dados-e-infla-feitos-de-lula.shtml


12/08/2010 - 09h02
Ministério da Fazenda erra dados e infla feitos de Lula

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*GUSTAVO PATU*
DE BRASÍLIA

Boletim de estatísticas divulgado anteontem pelo Ministério da Fazenda
apresenta números e conceitos errados ou distorcidos para inflar os feitos
do governo Luiz Inácio Lula da Silva, subestimar resultados da gestão
anterior e esconder fragilidades atuais da política econômica.

Repleto de quadros com títulos em tom otimista e gráficos destinados à
exibição em slides, o documento de 136 páginas privilegia comparações com o
passado e aborda temas que têm sido explorados pela campanha da candidata
governista ao Planalto, Dilma Rousseff (PT).

Painel: Temer ainda não foi chamado para gravar propaganda de
Dilma<http://www1.folha.uol.com.br/poder/781651-painel-temer-ainda-nao-foi-chamado-para-gravar-propaganda-de-dilma.shtml>
Adversários levantam dados da gestão tucana para encurralar Alckmin em
debate<http://www1.folha.uol.com.br/poder/781589-adversarios-levantam-dados-da-gestao-tucana-para-encurralar-alckmin-em-debate.shtml>
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Conforme a *Folha* noticiou ontem, a compilação de dados foi divulgada pelo
próprio ministro Guido Mantega, algo inusual, como parte de uma agenda de
eventos oficiais favoráveis à estratégia eleitoral petista.

Números relativos ao crescimento econômico, por exemplo, foram no mesmo dia
para a página oficial da campanha de Dilma.

Em meio às centenas de cifras citadas no boletim, há desde informações
negadas pelos próprios gráficos que as ilustram até erros de cálculo --e as
contas erradas favorecem o governo.

Um caso evidente é o do quadro destinado a atestar a solidez das contas do
Tesouro Nacional, cujo texto diz que, "até 2010, já são 12 anos de superavit
acima de 2% [do Produto Interno Bruto]".

O gráfico logo abaixo mostra, neste ano, receitas de 19,9% e despesas de
18,5% do PIB ou, numa subtração simples, superavit de 1,4%.

*LULA X FHC*

Os números do ano passado não estão explicitados nas curvas coloridas, mas
deveriam mostrar um superavit ainda menor, de 1,25%.

Mais importante, omite-se a meta oficial para o superavit federal, de 2,15%
do PIB, que o governo não tem conseguido cumprir --pela primeira vez nesta
década-- mesmo com recordes de arrecadação tributária.

É falsa também a taxa de crescimento da renda per capita atribuída aos dois
mandatos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ou, seja, ao período
1995-2002.

O quadro informa o percentual de 3,5% nos oito anos, o que o texto descreve
como "praticamente estável". O cálculo, no entanto, desconsidera o
crescimento do primeiro ano tucano, que elevaria o percentual a 6,2%.

"Deficit de transações é passageiro e não compromete crescimento", diz
título sobre o desempenho do país nas transações de bens e serviços com o
exterior. Já o quadro mostra tendência de piora desde 2005.

Mesmo quando os números usados no boletim não estão errados, outros
critérios utilizados ajudam a alavancar os resultados.

A evolução do salário mínimo, em dólares, aproveita a queda da moeda
americana e produz um salto dos valores; o custo da máquina administrativa
não contabiliza gastos com pessoal e fica abaixo dos investimentos em
infraestrutura.

*OUTRO LADO*

A assessoria da Fazenda reconheceu haver erros e impropriedades no boletim
divulgado pelo ministro Guido Mantega, mas negou a intenção de induzir uma
leitura favorável dos dados.

A afirmação de que o superavit fiscal está acima de 2% do PIB há 12 anos,
informou a pasta, foi equivocadamente incluída no quadro sobre o governo
federal.

O dado se refere aos resultados de todo o setor público, incluindo Estados,
municípios e estatais. Nesse caso, a meta de superavit, de 3,3%, também não
vem sendo cumprida desde 2009.

O cálculo do crescimento da renda per capita sob FHC, afirma-se, será
corrigido, assim como a informação de que o gasto com juros acumula seis
anos de queda. A assessoria diz que, no primeiro caso, os números
continuarão mostrando forte aceleração da renda nos últimos anos; no outro,
a ideia era mostrar uma tendência.

Segundo a Fazenda, a taxa de câmbio foi escolhida para demonstrar a evolução
do salário mínimo com objetivo de variar em relação ao boletim anterior, de
maio, em que o salário mínimo era deflacionado pelo INPC, índice usado para
os reajustes anuais.

A afirmação de que o deficit nas transações de bens e serviços com o
exterior é "passageiro", argumenta-se, baseia-se na expectativa de melhora
da economia internacional, alta das exportações e ganhos futuros como o
petróleo do pré-sal.
De acordo com a Fazenda, o conceito de "custeio da máquina administrativa"
segue jargão da área técnica e não considera despesas com pessoal,
compromissos em saúde, educação e transferências de renda, entre outros.


P/ transcrição,
Bira
  Editoria de Arte/Folhapress

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