Eu não acredito mais em virada, de todo modo...

Do ex-Blog:

*COMO OBAMA VIROU O JOGO 60 DIAS ANTES DA ELEIÇÃO*

Trecho de longo texto do psicólogo social assessor de campanha presidencial,
Drew Westen em setembro de 2008 quando McCain mantinha sua vantagem de uns 5
pontos.

1. Fortalecer a mensagem de mudança com dois ou três assuntos de impacto.
Obama fez um bom começo ao fortalecer a mensagem de "mudança" em Denver. Eu
acredito bastante na eficácia de campanhas políticas emocionalmente
evocativas onde as mensagens são embasadas em valores e as grandes questões
do momento estão apresentadas dentro de mensagens fortemente emocionais ao
invés de estarem escondidas nas entrelinhas de declarações partidárias.

2. Dados de pesquisas mostram claramente: candidatos que pensam que
campanhas devem ser "debates sobre as grandes questões" perdem (Dukakis,
Gore e Kerry fizeram esta abordagem). Obama fez o mesmo durante alguns
meses, mas, em seguida, inverteu o rumo fazendo uso da sua extraordinária
capacidade de inspirar. A mudança foi no jantar Jefferson-Jackson no estado
de Iowa (em novembro de 2007), quando seu discurso colocou-o de volta no
caminho para a nomeação. Ele e sua equipe tomaram a decisão correta de
fortalecer uma mensagem simples, em vez de aborrecer os eleitores com uma
grande lista de reivindicações com 12 pontos (como fez a Hillary).

3. Até agora Obama não fez o que todo candidato vitorioso desde Ronald
Reagan fez: apresentar dois ou três "temas principais" onde informa ao
público americano onde está o seu coração, lealdade e valores. A mensagem
dos “temas principais” deve ilustrar para os eleitores os caminhos para onde
o candidato pretende levar o país. Um dos temas principais de Bill Clinton
era “Acabando com a assistência social que conhecemos”. Outro era um
argumento forte sobre a economia, abordando as preocupações da população com
a recessão, herança de Bush pai (este foi um golpe de mestre porque a
economia sempre foi um dos “temas principais” do direito).

4. No entanto, Obama ainda não abraçou nenhum assunto, tornando-o
"propriedade" dele. Deveria ter sido parte da narrativa mestre de sua
campanha desde o início. Ele poderia facilmente ter entrelaçado sua própria
história, de um jovem que cresceu sem pai com a mensagem tradicionalmente
conservadora (mas quintessencialmente humana) de valores familiares. Obama
poderia apresentar um plano para trazer os homens dos centros urbanos de
volta as suas casas, escolas e postos de trabalho onde estarão longe de uma
vida de crime. Um tema principal desses também iria proteger o candidato
contra ataques raciais furtivos.

5. Com a economia, saúde, energia e segurança nacional todos em perigo,
Obama pode tomar dois ou três desses assuntos e torná-los "seus". Se tivesse
feito isso energicamente, é possível que os Democratas tivessem mantido os
30 pontos de vantagem que tinham seis meses atrás neste assunto. Lamentável,
hoje os eleitores estão quase divididos meio a meio sobre a questão da
energia. É um empate amargo que acontece no meio da uma gritaria vil de
McCain (eis um dos “temas principais” dos republicanos): "Perfura aqui!
“Perfura agora!".

6. Um novo tema principal da campanha poderia oferecer uma chance de
investir em nossas crianças e no futuro da nossa nação com mudanças na
legislação tributaria sobre deduções para educação. Assim, todos os dólares
poupados para a escola dos filhos, da creche e a faculdade, poderiam ser
dedutíveis. Esses planos darão dezenas de milhões de eleitores milhares de
razões (em dólares economizados) para votar a favor de boas políticas
públicas.

7. Se Obama queria romper com seu partido, ganhar os votos de republicanos
moderados e independentes, e tentar algo novo que possa melhorar todas as
nossas escolas, ele poderia permitir deduções em impostos federais, mas não
estaduais ou municipais, para pais da classe média que mandam seus filhos
para as escolas (particulares) de sua escolha, incluindo escolas paroquiais
(católicas).


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FG

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