Kleber, 

A ironia da frase final é antológica.
A Dora tem razão - e você sabe que eu não tenho o mínimo motivo para defender o 
FH - quando aponta para o grande erro do "ser bonzinho" com o Lula.  Mesmo que 
tenha havido algum ínfimo acerto no governo dele, anula-se
este por todo o mal causado à nação e pelas consequências que dele advirão.

Carlos Antônio.
  ----- Original Message ----- 
  From: AKA 
  To: goldenlist-l ; [email protected] 
  Sent: Saturday, August 21, 2010 7:57 AM
  Subject: [gl-L] Fwd: ARTIGO DE DORA KRAMER NO CLIPPING


















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          a..  
          b.. A revelação 
              Dora Kramer - Dora Kramer 
             
              O Estado de S. Paulo - 20/08/2010
             

             

              Depois de muito resistir - foi preciso o presidente Lula 
contaminar o senso comum com a certeza do "já ganhou" - o candidato do PSDB a 
presidente, José Serra, acabou percebendo uma evidência: oposição existe para 
se opor.


              Não a uma entidade etérea que ninguém sabe direito o que é ou às 
mazelas de um modo geral. Oposição existe para se opor à situação. Para ganhar 
ou perder.

              Luiz Inácio da Silva cansou de ensinar isso aos governos aos 
quais fez oposição. Não que todo oposicionista deva ter como modelo o PT.

              Aquele que em nome de um projeto partidário se opõe até ao 
bem-estar da maioria - por exemplo, sendo o único ente a não se engajar no 
combate à inflação nos anos 90 - para depois reivindicar a autoria da obra 
rejeitada.

              Em versão suave o nome disso é oportunismo.

              Oposição representa o contraditório que não precisa 
necessariamente ser destrutivo nem agressivo. Mas não pode deixar de ser 
incisivo ao contraditar o que diz e o que faz o governo. De preferência quando 
existirem motivos para tal e mediante a apresentação de argumentos bem 
fundamentados.

              Durante dois mandatos de Lula, o PT e a ampla coligação 
partidária que sustenta o governo deram muitos motivos e várias oportunidades 
para que a oposição cumprisse o seu papel. Raríssimas exceções, o PSDB nunca 
quis.

              Não por falta de chamamento - o DEM bem que tentou, junto a 
algumas vozes combativas em outros partidos -, mas por falta de vocação para a 
luta, excesso de cálculo, medo de arriscar e uma confiança temerária no destino.

              As duas principais lideranças eram governadores de Estado (José 
Serra e Aécio Neves) e neste Brasil atrasado é preciso ter relações cordiais na 
política para que as ações administrativas não sejam prejudicadas.

              O porta-voz mais abalizado (pelo preparo e por ter ocupado a 
Presidência por oito anos) era rejeitado por não ser "popular". Fernando 
Henrique Cardoso era ouvido em privado e ignorado em público. Suas críticas 
caíram no vazio por mais pertinentes que fossem.

              As bancadas na Câmara e no Senado, outra vez ressalvadas as 
exceções raríssimas, eram perfeitas traduções da frouxidão (no sentido 
preguiçoso da palavra) e da ambiguidade.


              Nunca houve um plano de ação entre os representantes 
parlamentares, executivos e partidários, muito menos houve estratégia para 
enfrentar os anos de oposição e depois para a campanha eleitoral.


              Serra e Aécio se faziam de bonzinhos, alguns senadores de 
mauzinhos, os melhores deputados depois de duas ou três ordens para "aliviar" 
para o lado de Lula em CPIs. FH falava sozinho.


              Depois de começar a campanha ainda no papel de bonzinho, Serra 
viu pelas pesquisas que só lhe resta fazer o que seu partido deveria ter feito 
nos últimos oito anos, até porque foi essa a escolha do eleitorado em 2002 e 
2006: que o PSDB ficasse na oposição.


              Há, entretanto, um problema. Talvez não dê certo porque o 
eleitorado poderá não firmar laços de confiança com candidato e partido que 
mudam de comportamento de uma hora para outra.


              A tarefa não é simples, pois Serra se propõe a convencer o 
eleitorado em 40 dias de algo sobre o que o PSDB não pareceu convencido em oito 
anos.


              Choque de gestão. Em dois mandatos o loteamento partidário da 
administração pública destruiu a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, 
que já foi de símbolo da eficiência.


              Obra iniciada pelo PTB e completada com brilhantismo pelo PMDB, 
cuja gestão na Fundação Nacional de Saúde já teve suas credenciais apresentadas 
pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para quem a Funasa é conhecida 
pelas denúncias de corrupção e baixa qualidade de serviços prestados.


              Não por isso. Em Brasília a campanha de Joaquim Roriz está 
indignada com o PT, que chamou seu candidato de "ficha-suja" no horário 
eleitoral.


              Roriz - notório ficha-limpa - quer direito de resposta.
             

       

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