A 42 dias da eleição, PMDB reivindica dividir poder ''meio a meio'' com PT


Em caso de vitória de Dilma, partido de Temer deixaria de agir como 
'convidado', passando a atuar como um dos 'donos da casa'


22 de agosto de 2010 | 0h 00

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João Domingos e Christiane Samarco - O Estado de S.Paulo

Poder dividido "meio a meio". Assento no Planalto, entre os "ministros da 
casa", e no Conselho Político que assessora o presidente da República. Henrique 
Meirelles na equipe econômica. Ministérios de "porteira fechada", os cargos de 
sempre nas estatais e postos de comando nas vedetes do petróleo, a Petrobrás e 
a Petro-Sal. Senado e Câmara sob seu comando.

Com a campanha eleitoral em curso e ainda a 42 dias da abertura das urnas, é 
com essa precisão cirúrgica, alimentada pela liderança nas pesquisas da 
candidata aliada, Dilma Rousseff (PT), que o PMDB já define as regras de 
ocupação do poder. Como presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), no 
posto de vice da chapa presidencial, o PMDB estima o tamanho da cota futura de 
poder baseado no argumento de que agora, se Dilma ganhar, o partido não é mais 
"um convidado", mas na verdade um dos "donos da casa", o Palácio do Planalto.

A diferença entre "convidado" e "dono da casa" deriva do fato, como explicam os 
peemedebistas, de que, um governo Dilma seria fruto da coalizão do PT com o 
PMDB, e não de simples aliança construída depois da vitória - o que aconteceu, 
por exemplo, nos governos Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz Inácio 
Lula da Silva (2003-2010).

Núcleo. Por isso é que o partido, na condição de sócio-proprietário, já dá como 
certa a presença de um representante no núcleo político do Palácio do Planalto. 
"Fomos o primeiro partido a assinar com o presidente Lula um compromisso de 
união política pela democracia, liberdade de imprensa e de opinião, respeito 
aos direitos humanos e aos movimentos sociais. Com Lula e com Dilma voltamos a 
ser o velho MDB, que combateu a ditadura", diz Moreira Franco, escalado para 
coordenar o programa de governo da candidata petista pelo lado do PMDB.

Depois de passar por uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal e 
assumir um lugar na coordenação da campanha presidencial, Moreira Franco sonha 
com um ministério: o das Cidades, que tentou criar na gestão Fernando Henrique 
Cardoso e só viu a proposta se concretizar no governo de Lula.

Como o partido conseguiu seis ministérios após aderir formalmente ao segundo 
governo Lula (2007-2010), passando a comandar orçamento superior a R$ 100 
bilhões, o cenário pretendido na hipótese de vitoriosa a chapa PT-PMDB supera, 
em muito, as cifras e o atual espaço de poder.

A legenda, agora, quer assento no Palácio do Planalto, com participação 
garantida no núcleo da tradicional reunião das 9 horas com o presidente da 
República, e quer também ministérios em que os postos-chave não sejam divididos 
com outros aliados - a tal "porteira fechada". Além das estatais e da Petrobrás 
e da futura Petro-Sal, o partido lembra que é candidato a também ratear poder 
nas agências reguladoras.

Pré-acerto. Em matéria de cargos, o PMDB já tem até pré-acerto para fincar um 
pé na área econômica do futuro governo. O passaporte para o Ministério da 
Fazenda ou do Planejamento é o atual presidente do Banco Central, Henrique 
Meirelles, que se filiou ao partido em setembro passado, a pedido do presidente 
Lula. Também foi Lula quem deu a Meirelles a carta de garantia de que, se 
vitoriosa a chapa de Dilma, seu lugar na equipe ministerial está garantido.

No fim de março, quando Meirelles já não tinha expectativas de se tornar o vice 
de Dilma, Lula o chamou ao Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória do 
governo. "O PMDB não abre mão de Michel Temer. Então, peço que fique no Banco 
Central", disse Lula ao presidente do BC. Meirelles concordou em ficar, mas, em 
troca, o PMDB goiano arrancou de Lula e Dilma a promessa de que o atual 
responsável pela política de juros terá lugar no primeiro escalão do eventual 
governo da petista.

Além de Meirelles, outro nome que o PMDB dá como certo numa pasta específica é 
o do senador Edison Lobão (MA) à frente de Minas e Energia. Lobão conseguiu a 
proeza de conquistar Dilma, depois de chegar desacreditado a uma área com a 
qual tinha pouca intimidade, na condição de afilhado do presidente do Senado, 
José Sarney (AP).

A dupla Sarney e o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), deve manter 
na administração Dilma a influência que teve na gestão Lula. O atual presidente 
não se esquece de que no Maranhão tem 97% de aprovação dos eleitores, maior até 
do que no Amazonas - onde, em 2006, saiu das urnas com 1 milhão de votos de 
vantagem sobre o tucano Geraldo Alckmin, com voto de apenas 176 mil eleitores. 

Bancada. O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), quer resolver 
seu futuro dentro do próprio Congresso. A cúpula do partido já negocia com o PT 
do líder Cândido Vaccarezza (SP) sua indicação para substituir Temer na 
presidência da Casa. 

"Se formos vitoriosos na eleição, vamos pleitear a presidência da Câmara no 
primeiro biênio do próximo governo, tendo ou não a maior bancada", antecipa o 
deputado Eduardo Cunha (RJ).

O partido considera "justo e razoável" que o PMDB mantenha a cadeira de Temer 
em sistema de rodízio com o PT, pelo qual caberá a Vaccarezza o comando da 
Câmara no segundo biênio da futura administração. Como em fim de governo é 
sempre mais difícil manter a coesão da base, ter a presidência da Câmara nas 
mãos de um petista nos últimos dois anos daria mais segurança ao eventual 
governo Dilma. No Senado, a regra que vale é a da maior bancada indicar o 
presidente.

O PMDB conta com o sucesso nas urnas como condição única para fazer o sucessor 
de Sarney, independentemente da presidência da Câmara. O argumento é que o 
senador peemedebista teria direito a uma reeleição.

Dirigentes do partido também lembram que, tal como diria Lula, "nunca antes 
neste país" o PMDB foi aliado de primeira hora em uma campanha. No novo 
cenário, a legenda se recusa a apadrinhar indicações como a de José Gomes 
Temporão, que Lula nomeou ministro da Saúde na cota do PMDB. Um peemedebista da 
cúpula diz que, nesse caso, seu partido nem padrinho foi: "Servimos de barriga 
de aluguel para o PT, e isso não admitiremos mais." 


 

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