Não se pergunte o que o Brasil pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer por esse Brasil.

 

A começar a não votar sem se informar, passando por comprar produtos que estejam em alinho com sua ideologia e respeito à pátria, não jogar lixo nas ruas, não tentar tirar vantagem nas pequenas coisas, não aceitar as imposições incoerentes e históricas de nosso país, não subsidiar economicamente aquilo que está atrapalhando a evolução positiva, em suma: se informar, se conscientizar e se posicionar.

 

Três coisas que, sinceramente, a maioria medíocre tem preguiça de fazer. Afinal, o povo aqui não planeja nada a longo prazo e não tem visão global, porque o interesse é local apenas: o local onde vai rolar a próxima cervejinha.

 

E, por fim, mas não menos importante: virar as costas é sempre a maneira mais fácil. O problema é quando o mundo inteiro estiver na mesma situação. Para onde você irá se voltar? Porque o problema não é exclusivo do Brasil. A diferença é que aqui se plantando tudo dá com abundancia. E o que se tem plantado não é uma semente da qual eu também queira provar o fruto. O problema é da mediocridade humana, raça a qual ainda se encontra em fase de amadurecimento e aprendizado. Alguns estão mais a frente, muitos ainda se perdem em ilusões e se prendem ao consumismo barato e a questões apenas de ordem pessoal.

 

A terra aqui é fértil, os recursos existentes, o mercado, incipiente, mas com grande potencial. Porque não damos certo? Falta de culhão. Exemplo: roubou, devolve o dinheiro e vai passar um bom tempo na cadeia, sem mordomias, pelo contrário, trabalhando para pagar os custos que está dando ao Estado. Porque não damos certo somente por causa da roubalheira e a eterna vontade de se dar bem. E o pior: em cima do outro.

 

Quando a justiça começar a funcionar de verdade neste país, sendo igualmente cega para todos, enxergaremos uma luz no fim do túnel. Enquanto ela ficar levantando a venda de um dos lados apenas, ficamos perdidos na escuridão do esforço sem recompensa. É por isso que tem gente que mal trabalha e é mais bem abastada que a média dos ricos em países desenvolvidos e tem gente que trabalha feito escravo para comprar a carta de alforria mensal e poder bater no peito e se iludir de que já não vive mais na senzala.

 

Triste, muito triste, mas longe de me desanimar de continuar lutando. A maioria me considera  e aos meus iguais chato/caxias, utópico ou encrenqueiro, afinal, “se quem tá precisando mesmo não se mexe e quem pode mudar não quer, porque insistir?” Digo que a maioria faz apenas volume e somente a consciência, a criatividade e a perseverança fazem a diferença.

 

Vamos iniciar uma campanha de moralização nacional.

 

LUCRO SÓ HONESTO, MORTE PARA O RESTO. Pena de morte para o crime do colarinho branco. (a logo pode ser um colarinho branco com uma corda/forca fazendo as vezes de gravata).

 

Desviar dinheiro público não é normal como a reincidência e falta de ações transformaram o entendimento coletivo. Desviar dinheiro público é assassinar o presente e o futuro da nação, conduzindo de uma a milhões de pessoas a um caminho sem volta: impotência, passividade e submissão; miséria financeira e existencial.

 

Não gosto de mendigos, de favelados, de crianças pobres na rua. Mas não é secando a ponta do iceberg que ficaremos navegando em águas calmas. O pior ainda está na base e não obstante tem a mesma cor de um iceberg: o crime do colarinho branco, sujo com o sangue dos inocentes e da lama dos miseráveis.

 

É preciso separar o joio do trigo para que possamos deixar de pensar de maneira bairrista e podermos confrontar a grande experiência humana: a união e o amor incondicional em um cotidiano prazeroso. Utópico? Passe um tempo na Europa anglosaxa e você terá uma pista do caminho a ser seguido. Basta saber que entre os muitos turistas nórdicos se encontram motoristas de condução pública, estivadores, lixeiros e outros tipos de profissionais que aqui sequer conhecem o estado ao lado, pois tem que ficar se preocupado com o seu estado físico e mental em um país que não dá trégua um só dia para quem é correto e trabalhador e, pelo contrário, embala as festas de quem realmente faz esse país dançar e feio. Mas um país não tem vontade própria. É feito por seus homens e mulheres, jovens e crianças. Do que temos medo a ponto de não nos unirmos em prol não apenas de um futuro, mas de um cotidiano melhor?

 

Nação não é bandeira. Nação não é símbolo. Nação é união.

 

Sobre a questão das cores: o verde da esperança, o ouro do valor, o azul da tranqüilidade, o branco e as estrelas indicando o paraíso. Cada um faz a leitura que quer dos símbolos.

 

Se não gostam do país, façam algo para serem felizes em outro lugar e deixem quem quer ver e fazer isto melhorar ter espaço e força. Porque com uma boa parcela, principalmente da classe média (sempre ela, sempre medíocre, sempre acanhada, sempre aquém de seu potencial tranformador da luta de classes para o equilíbrio social) a entoar o cântico da desilusão, fica difícil mudar o consenso. E, sinceramente, não seria difícil.

 

Pois, se para uns o copo está quase vazio, para outros ele estará quase cheio. Para ambos a tarefa de mudar a situação para copo cheio seria a mesma, mas para o segundo, o esforço seria muito menor e por isto, ele poderia render ainda mais. Para esvaziar, qualquer um pode ser chamado: destruir é mais fácil que construir; denegrir mais cômodo que lutar.

 

Quando começarmos a entender de fato a nossa realidade e que precisamos mudar a princípio muito pouco, esse país alcançará aquilo que sempre se disse a respeito: o Brasil é o país do futuro.

 

Façamo-no hoje, iniciemos agora.

 

Klaus, pra quem somente a causa e a experiência humana estão acima do país

 

 


De: [email protected] [mailto:[email protected]] Em nome de Kleine Kruspe
Enviada em: sexta-feira, 10 de março de 2006 23:16
Para: [email protected]
Assunto: RES: [gl-L] Um brasileiro com vergonha

 

E eu tenho culpa de minha mãe não ter fechado as pernas, pego 1 avião e me parido em um lugar melhor??

 

Eu Acho que você deve amar o lugar que você escolheu pra amar. E não amar pelo puro e simples motivo de que nasceu ali. Vou dar outro exemplo: Alguma mãe ama o filho só pq pariu? não, porque volta e meia tem uma doida aí tacando filho na lixeira. e outras que pegam no lixo e amam como se tivessem parido. Então, acho que tudo, até a sua pátria, tem que ser a que você escolheu pra você. E, pode ter certeza, eu não escolhi essa aqui..

 

By

Kleine Kruspe

 

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Msn: [EMAIL PROTECTED] | skype & y!: kla_teufel

 

 


De: [email protected] [mailto:[email protected]] Em nome de Rubens
Enviada em: sexta-feira, 10 de março de 2006 23:05
Para: [email protected]
Assunto: RE: [gl-L] Um brasileiro com vergonha

...
KK| Meu País??  Se eu tiver a mínima oportunidade
   | de ter outra nacionalidade, eu NÃO PENSO 2x.
   | dou baixa em todos os meus documentos brasi-
   | leiros e fico só com a outra. Chega de passar
   | vergonha... EU não quero e NÃO vou voltar.


     Entendo todo o vosso desapontamento após
     tantas adversidades que voce passou nos
     ultimos meses (inclusive o episodio com o
     vosso gato), e me alegro muito que voce
     possa ter uma oportunidade no exterior.
     Mas só nao precisa exagerar e ficar com
     raiva do Brasil tambem, né?

     Eu tambem [certamente] abriria mao de bom
     grado de minha nacionalidade em troca de
     uma nacionalidade do primeiro mundo.  Mas
     acho que raiva eu nunca teria da terrinha.
     Afinal, bem ou mal, foi aqui que eu nasci,
     fazer o que, né?


                               [ ] Rubens










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