Oi Carlos

Acabei indo ver o Brokeback hoje.
Achei excelente.
O Ang Lee mereceu mesmo o Oscar. Tomara que tenha muita oportunidades e 
grana e nos presenteie com outras obras tão incríveis, né? :)

-- 
Beijins
Fa
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"A lesma é lenta. Ainda bem. Já pensou se esse bicho nojento
  corresse?" -  Sérgio Maldonado
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ccarloss wrote:
>  
> Fa, lindinha,
>  
> pode ver sim que é muito bom.
>  
> Beijão.
>  
> Carlos Antônio.
>  
>  
> ----- Original Message -----
> *From:* Fatima Conti 
> *Subject:* [gl-L] Re: Arnaldo Jabor - É um filme sobre heróis machos
> 
> Oi Carlos
> 
> Boa noite, lindinho :)
> 
> Ainda não vi o filme, mas agora fiquei com mais vontade de ver.
> 
> -- 
> Beijins
> Fa
> ----------------------------------------------------------------
> "Os homens mais paquerados pelas mulheres são os cafajestes e os bichas."
> ----------------------------------------------------------------
> 
> ccarloss wrote:
>  > Fa,
>  > 
>  > Eu já lera essa crônica do Jabor. E concordo com ele (coisa difícil de
>  > acontecer).
>  > E o Millôr que eu gosto pacas comete uma veadagem em dizer que quem
>  > escreve veado é viado.
>  > Viado não existe. Tentaram uma explicação fajuta que seria uma derivação
>  > de transviado, mas não colou. Primeiro porque os transviados eram sempre
>  > machos. E depois porque nada justificaria tal corruptela da palavra e
>  > nem etmologicamente haveria embasamento algum.
>  > Mas o filme é realmente bom e veadagem é achar que não pode haver este
>  > tipo de sentimento.
>  > Tanto entre dois homens como entre duas mulheres.
>  > E não há frescuras e nem chiliques de bichas loucas no filme. Acho que
>  > cada um deve assumir o que é e dane-se o resto. Se os dois se gostavam
>  > problema deles.
>  > 
>  > 
>  > Um beijão.
>  > 
>  > Carlos Antônio.
>  > 
>  > ----- Original Message -----
>  > *From:* Fatima Conti 
>  > *Subject:* [gl-L] Arnaldo Jabor - É um filme sobre heróis machos
>  >
>  >
>  > Oi
>  >
>  > Você viu?
>  >
>  > --
>  > Beijins
>  > Fa
>  > ----------------------------------------------------------------
>  > "Se homem fosse dinheiro, todas as notas seriam falsas."
>  > ----------------------------------------------------------------
>  >
>  >
>  > Arnaldo Jabor - É um filme sobre heróis machos
>  >
>  > [07 Março 02h21min 2006]
>  >
>  >
>  > Eu não queria ver o filme O Segredo de Brokeback Mountain. Não queria.
>  > Ver filme de viados, eu? (Escrevo viado porque, como disse Millor, quem
>  > escreve veado é viado). Muito bem; eu resistia à idéia, mais ou menos
>  > como o Larry David (o roteirista de Seinfeld) disse, num artigo
>  > engraçadíssimo, que tinha medo de virar gay se ficasse emocionado.
>  >
>  > O viado sempre encarnou a ambigüidade de nossos sentimentos. Claro que,
>  > hoje, os civilizados todos dizem que ''tudo bem, que são contra a
>  > homofobia'' e todo o bullshit costumeiro. Eu mesmo já fiz filmes em que
>  > viados são protagonistas, em que o ator principal escolhe a
>  > homossexualidade no final (Toda Nudez Será Castigada), já filmei
>  > travesti em Eu te Amo e em Eu Sei que Vou te Amar, além da ''biba''
>  > louca do O Casamento, em que o grande ator André Valli dá um show
>  > inesquecível. Em todos os meus filmes há uma boneca ativa e digna. E, no
>  > entanto, eu não queria ver o tal filme do Ang Lee, apelidado pelos
>  > machistas finos de ''Chapada dos Viadeiros''.
>  >
>  > Minhas razões eram mais discretas, intelectuais: ''Ah... porque o Ang
>  > Lee é um cineasta mediano, ah... porque será mais um filme politicamente
>  > correto, onde o amor de dois cowboys é justificado romanticamente... Vou
>  > fazer o que no cinema? Ver mais um panfletinho que ensina que os gays
>  > devem ser compreendidos em seu 'desvio'? Não. Não vou'', pensei.
>  >
>  > Aliás, eu sou do tempo em que os viados apanhavam na cara em plena rua.
>  > Havia pouquíssimos gays declarados no Brasil. No Rio, havia o
>  > Murilinho... cantor de foxes em boates, havia o Clóvis Bornay e poucos
>  > outros... O viado passava na rua sob os rosnados dos boçais prontos para
>  > lhes tirar sangue. E no anonimato, enxameavam os pobres ''pederastas'',
>  > de terno e gravata, pais de família se esgueirando nas esquinas, nas
>  > noites escuras, em busca de satisfação.
>  >
>  > Mais tarde, com o tempo, surgiram as ''bichas loucas'', que se assumiam
>  > com um toque de autoflagelação, de autoderrisão, caricaturas da mãe
>  > odiada e amada, que berravam e desfilavam nos carnavais num freje
>  > humorístico, que até hoje alimenta nosso show na TV... A bicha virou uma
>  > personagem clássica do humor, como os palhaços e os bacalhaus de circo.
>  > E tudo bem... são engraçados mesmo.
>  >
>  > Depois, com os direitos civis dos anos 60, surgiu o gay power, com
>  > homossexuais fortes e de bigode, malhados, cheios de orgulho. A viadagem
>  > virou um poder político importante, claro, mas até meio sério demais,
>  > aspirando a uma ''normalidade'' que contrariava sua ''missão''
>  > trangressiva que tanto nos acalmava. Como disse Paulo Francis um dia,
>  > sacaneando-os: ''Se esses caras querem todos os direitos e deveres dos
>  > caretas como nós, qual é então a vantagem de ser viado?''.
>  >
>  > Em suma, por mais que ''aceitemos'' os gays, eles sempre foram uma fonte
>  > de angústia, pois atrapalham nosso sossego, nossa identidade ''clara''.
>  > O gay é duplo, é dois, o viado tem algo de centauro, de ameaçador para a
>  > unicidade do desejo. A bicha louca ou o travesti, a biba doida ou o
>  > perobo, o boy, o puto, a santa, a tia, a paca, todos eles nos
>  > tranqüilizavam com suas caricaturas auto-excludentes. Já o gay sério
>  > inquieta. O gay banqueiro, o gay de terno, o gay forte, o gay cowboy é
>  > muito próximo de nós, a diferença fica mínima.
>  >
>  > Por isso, eu não queria ver o tal filme dos cowboys. Como? Cowboy de
>  > mãos dadas, dando beijos românticos, com tristes rostos diante do
>  > impossível? Não. Eu não. Mas, aí, por falta de programa,
>  > ''distraidamente''... (aí, hein, santa?...) fui ver o filme. E meu susto
>  > foi bem outro. O filme não me pedia aprovação alguma para a
>  > homossexualidade, o filme não demandava minha solidariedade. Não.
>  >
>  > Trata-se de um filme sobre o império profundo do desejo e não uma
>  > narração simpática de um amor ''desviante''. O filme se impõe
>  > assustadoramente. Os dois cowboys jovens e fortes se amam com um tesão
>  > incontido e são tomados por uma paixão que poucas vezes vi num filme,
>  > hetero ou não. Foi preciso um chinês culto para fazer isso. Americano
>  > não agüentava.
>  >
>  > Nem europeu, que ia ficar filosofando. Brokeback é imperioso, realista,
>  > sem frescuras. Eu fiquei chocado dentro do cinema, quando os dois
>  > começam a transar subitamente, se beijando na boca com a fome ancestral
>  > vinda do fundo do corpo. O filme não demandava a minha compreensão. Eu é
>  > que tinha de pedir compreensão aos autores do filme, eu é que tive de me
>  > adaptar à enorme coragem da história, do Ang Lee.
>  >
>  > Eu é que precisava de apoio dentro do cinema, flagrado, ali, desamparado
>  > no meu machismo ''tolerante''. Eu é que era o careta, eu é que era o
>  > viado no cinema e eles os machos corajosos, se desejando não como
>  > pederastas passivos ou ativos, mas como dois homens sólidos, belos e
>  > corajosos, entre os quais um desejo milenar explodiu. Não há no filme
>  > nada de gay, no sentido alegre, ou paródico ou humorístico do termo.
>  >
>  > Ninguém está ali para curtir uma boa perversão. Não. Trata-se de um
>  > filme de violento e poderoso amor. É dos mais emocionantes relatos de um
>  > profunda entrega entre dois seres, homos ou heteros. Acaba em tragédia,
>  > claro, mas não são ''vítimas da sociedade''. Não. Viveram acima de nós
>  > todos porque viveram um amor corajosíssimo e profundo.
>  >
>  > Há qualquer coisa de épico na história, muito mais que romântica. Há um
>  > heroísmo épico, grego, como entre Aquiles e Pátroclo na Ilíada, algo
>  > desse nível. O filme não é importante pela forma, linguagem ou coisas
>  > assim. Não. Ele é muito bom por ser uma reflexão sobre a fome que nos
>  > move para os outros, sobre a pulsação pura de uma animalidade dominante,
>  > que há muito tempo não vemos no cinema e na literatura, nesses tempos de
>  > sexo de mercado e de amorezinhos narcisistas.
>  >
>  > Merece os Oscars que ganhou. Este filme amplia a visão sobre nossa
>  > sexualidade.
>  >
>  >
>  > Publicado originalmente em
>  > http://oglobo.globo.com/jornal/colunas/jabor.asp
>  >
>  > Recebi de "Silvia"/21


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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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