TV digital quase brasileira
Prioridade na escolha do padrão para a TV digital no Brasil, a incor-
poração de tecnologias criadas no país ainda não tem o espaço definido
nas negociações com o Japão e a Europa.
Os japoneses prometem adaptar o middleware brasileiro e uma compactação
de dados mais eficiente, mas representantes do padrão europeu questionam
a viabilidade da alteração e admitem apenas adotar parte da solicitação
nacional.
O middleware é uma espécie de sistema operacional da TV digital, pla-
taforma que permite rodar aplicativos como navegador de internet e
listas com a programação de televisão. Um dos consórcios estabelecidos
pelo Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) e coordenado pela Uni-
versidade Federal da Paraíba (UFPB) desenvolveu o FlexTV, middleware
nacional e compatível com os três padrões existentes no mundo (ATSC,
americano, DVB, europeu e ISDB, japonês).
- É claro que incorporaremos o que fizer sentido para o mundo - afirma
Mario Baumgarten , diretor de Tecnologia da Siemens e representante da
Coalizão DVB Brasil, que reúne também Nokia, Philips, STMicroeletronics
e Rohde & Schwarz.
Yasutoshi Miyoshi, representante do grupo japonês, que inclui Sony,
Semp Toshiba, NEC e Panasonic, afirma que a inclusão do FlexTV no ISDB
é certo nas negociações com o governo brasileiro. Outro acerto é a
substituição do padrão de compactação MPEG-2, predominante na TV
digital mundial, pelo H.264. A tecnologia é uma evolução do MPEG-4,
padrão mais recente do que o MPEG-2, e permite uma compactação 100%
maior que seu antecessor.
De acordo com Miyoshi, seriam necessários de três a seis meses para
elaborar e desenvolver a nova especificação.
Baumgarten, no entanto, questiona a viabilidade da alteração, explicando
que o DVB europeu já aceita o MPEG4 e o H.264, compactação que seria
adotada na França. "Os japoneses dizem que podem fazer mas não têm esta
tecnologia no padrão", pondera.
A utilização do H.264 no padrão japonês garantiria mais canais na faixa
de 6 MHz, usada por cada canal analógico. A configuração original só
permite a evolução da qualidade da imagem com alta definição, mas sem
multiplicação de canais. Significa dizer que cada canal poderia abrigar
dois em alta definição ou um de alta definição e dois ou três em definição
standard, melhor que a analógica.
Para Baumgarten, o processo de escolha do padrão que será adotado no
sistema brasileiro é falho porque limita as negociações a comprovações
teóricas. "O governo não está disposto a comprovar com testes o que é
falado e baseia a decisão em informações. Algumas são fidedignas, outras
não", questiona.
Representantes do ISDB e de emissoras brasileiras afirmam que o DVB não
teria robustez para aplicação no Brasil com as especificações que o país
exige: alta definição, interatividade, portabilidade e mobilidade. O
sistema não seria capaz de manter o sinal estável em locais remotos, de
difícil acesso ou em movimento. Defensores do DVB garantem que o sistema
é viável.
- Se o governo solicitar, faremos testes para comprovar a qualidade do
sistema - afirma Baumgarten.
Na demonstração realizada pelo DVB este mês, a Rede Globo questionou a
capacidade do padrão europeu na recepção doméstica. Fernando Bittencourt,
diretor da Central Globo de Engenharia, diz que o padrão europeu não
permite a transmissão simultânea em um único canal de 6 MHz de conteúdo em
alta definição para recepção fixa, conteúdo interativo e programação para
dispositivos portáteis.
- A configuração utilizada nas demonstrações da USP foi usada inicialmente
na Inglaterra e levou à falência as empresas que a adotaram. Depois do
fiasco inicial houve uma mudança nas especificações para o reinício das
operações - explica.
A política industrial também é levada em conta pelo Brasil, combinando
fatores que permitam o menor custo possível. Mas a adoção do H.264
exigiria a produção de equipamentos especiais para o mercado nacional.
Há, no entanto, a tendência que países da América do Sul sigam a escolha
brasileira.
[JB Online]
.
---
Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.
Comentários: www.yahoogroups.com/group/goldenlist-L/messages
Newsletter: www.yahoogroups.com/group/goldenlist/messages
Yahoo! Groups Links
<*> To visit your group on the web, go to:
http://groups.yahoo.com/group/goldenlist-L/
<*> To unsubscribe from this group, send an email to:
[EMAIL PROTECTED]
<*> Your use of Yahoo! Groups is subject to:
http://docs.yahoo.com/info/terms/