Oi 2 Antonios :)
Nada há de novo sob o sol...
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Beijins
Fa
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"Cuidado! A maquilagem pode ser usada como camuflagem."
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antonio kleber de araujo escreveu:
> Isto é antigo como ARISTOTELES que dizia tudo não passa de uma
> repetição......
>
> ------------------------------------------------------------------------
>
> *De:* [email protected] [mailto:[EMAIL PROTECTED]
> *Em nome de *ccarloss
> *Enviada em:* Monday, May 15, 2006 10:13 PM
> *Para:* [email protected]
> *Assunto:* Re: [gl-L] Paulo Polzonoff Jr - Não existem autores novos
>
> Fa,
>
> Concordo com a quase totalidade do que o Paulo diz.
>
> Praticamente tudo o que é escrito já foi feito antes por um autor mais
> antigo embora mudem as palavras e a forma.
>
> De cada cem autores novos você tira fora, se muito, cinco que prestem. O
> resto é modismo e a voraz disputa pelo mercado.
>
>
>
> Carlos Antônio.
>
>
>
> ----- Original Message -----
>
> *From:* Fatima Conti
> *To:* goldenlist-L <mailto:[email protected]>
> *Sent:* Monday, May 15, 2006 6:33 AM
> *Subject:* [gl-L] Paulo Polzonoff Jr - Não existem autores novos
>
> Oi
>
> "...novidades expiram, o elogio se perde e o momento sempre passa..."
> Mas o que é bom pode permanecer :)
>
> --
> Beijins
> Fa
> ----------------------------------------------------------------
> "Um idiota é tão brilhante quanto o dinheiro que tem."
> ----------------------------------------------------------------
>
>
> Segunda-feira, 8/5/2006
>
>
> Paulo Polzonoff Jr - Não existem autores novos
>
>
> Autores novos não existem. São uma invenção mercadológica para enganar
> otário. E como tem otário no mundo! Conheço uns e outros que só lêem os
> escritores que vêm com o rótulo de “novos”. Lêem não porque apreciem o
> livro, mas porque precisam se sentir por dentro do mercado editorial,
> das novidades. Tudo tem a ver com ostentação, como já expus num livrinho
> tolo, O Cabotino, que dá conta justamente deste universo de frivolidades
> literárias.
>
> Cair na armadilha das novidades é coisa de leitor desavisado. Não é
> ofensa. Também já fui um leitor deste tipo, ávido por autores novos. O
> novo Guimarães Rosa, o novo Machado de Assis. Até que me dei conta de
> que, em literatura, o novo e o velho são a mesma coisa. Literatura não
> tem tempo. E isso serve tanto para livros ruins quanto para livros bons.
> O que o leitor precisa entender que a novidade mais elogiada do momento
> é apenas isso: a novidade mais elogiada do momento. Porque novidades
> expiram, o elogio se perde e o momento sempre passa.
>
> Entendo, porém, a fascinação por trás da idéia de escritores novos.
> Estamos falando de renovação. Por algum motivo, os leitores ainda pensam
> que precisam desta renovação. Leitores jovens querem autores que pensem
> as mesmas coisas que eles. Querem escritores que escrevam livros
> contando experiências parecidas com as deles. Mais próximas do tempo
> presente, de uma referência que não precisa de imaginação. Mas, ora, ler
> (assim como escrever, é claro) não é um exercício de imaginação?
>
> Nos últimos anos, vários escritores que saíram das fábricas com o rótulo
> de “novos” foram descobertos na internet. Um punhado deles. Pode-se
> dizer que, há mais ou menos cinco anos, houve uma explosão de escritores
> novos. A imprensa que se diz especializada mas não é ficou deslumbrada
> com estes meninos e meninas que escreviam romances em vez de jogar
> videogame. Livros foram lançados, capas de cadernos culturais foram
> desperdiçadas, assim como o papel de vários livros que, evidentemente,
> não alcançaram o público.
>
> Eis que a novidade dos autores novos acabou e é hora de contar os
> prejuízos. O esforço de se criar uma nova geração literária foi em vão.
> Deram a esta nova geração títulos que pareciam nomes de boates da moda,
> como 00. Mas, infelizmente, os escritores desta fornada mal assada se
> mostraram mesmo zeros à esquerda.
>
> Tenho batido nesta tecla há algum tempo, mas hoje já não tenho esperança
> alguma de ser compreendido: literatura nada tem a ver com o tempo
> presente. É algo para o futuro. Mesmo a literatura de um passado remoto,
> como Shakespeare ou, mais antigo ainda, Lucrécio, é a literatura que se
> comunica com o presente e o futuro. Não existe uma literatura que se
> comunique apenas com o seu tempo. E, paradoxalmente, é isso o que o
> leitor quer e os autores novos tentam dar. Um erro duplo.
>
> Esta noção de algo imediato tem alguma relação, claro, com a internet.
> Nos últimos anos, a rede iludiu a muitos (eu entre eles) com a idéia de
> ser um meio de se expressar literariamente sem a necessidade de um
> suporte físico caro e difícil como o livro. Foi quando surgiram os sites
> literários e, depois, os blogs. A idéia parecia perfeita e sem
> contra-indicação: escrevia-se livremente sobre o que se quisesse e se
> era lido por uma audiência diversificada e fiel. Muita esmola para o
> santo, como se diz.
>
> Porque o imediatismo vicia e corrói o cérebro. O leitor da literatura
> virtual, que depois migrou para os livros, sem sucesso, é um leitor que
> não quer se aprofundar na leitura. Ele quer algo rápido e os escritores,
> ainda acreditando numa liberdade de que não dispunham, deram isso a ele.
> Não precisa ser nenhum gênio para perceber o que une os escritores da
> nova geração: textos curtos, rápidos – e vazios. Histórias pessoais,
> confissões e um apego que chega a ser ridículo ao agora. Ao que é atual.
> Sem perceber, porém, que o atual se torna passado muito rápido. Assim
> como a novidade que, hoje em dia, é vendida como encalhe nas gôndolas
> dos supermercados.
>
> Daí porque os autores ditos novos vêm e vão e não ficam. Esperneiam, mas
> não se realizam como tal. Fazem um barulho danado, mas ninguém consegue
> tocar a matraca o tempo todo. Por isso é que são fogo de palha e joguete
> editorial e político. Não significam uma proposta nova, ainda que de
> grupo; significam apenas que são mocinhos e mocinhas que gostam de ser
> chamados de escritores, que lêem um pouquinho e saem vomitando
> influências. Livro, eles têm. Literatura que é bom...
>
> Outra coisa que me chama a atenção quando penso nestes autores novos é a
> preocupação com o mercado. Reparem só: eles não fazem apenas literatura;
> são também publicitários e representantes comerciais de seus livros.
> Querem ser famosos e ficar ricos. Eis outro senão dos autores novos,
> sejam eles velhos ou não: foram picados todos pela mosquinha da
> celebridade. Não são apenas donos de um ofício, vá lá, nobre. Querem dar
> autógrafos. Querem reconhecimento. E um camarim com garrafas de uísque e
> cem mil toalhas rosas, se calhar.
>
> O que não percebem, os autores novos, é que o mercado não quer saber
> deles. Ou melhor, existe uma parte dos leitores que está, sim,
> interessada neles. Porque querem ostentar, como eu já disse. Mas a
> imensa maioria dos leitores já têm suas celebridades literárias e fazem
> a festa com um Rubem Fonseca por ano. Para esta imensa maioria, não
> importa a novidade ou a pretensa revolução estética; o que importa é a
> lista de mais vendidos. A pergunta que cabe aqui é: são estes os
> leitores que os “novos” querem conquistar, isto é, os alpinistas
> literários e os cabeças-de-vento das listas de mais vendidos?
>
> Já disse e repito: se admiro autores novos não é porque constam de uma
> antologia que os trata como vinhos azedos de determinada safra. Nem
> tampouco porque têm vinte anos e já sabem usar mesóclise. Muito menos
> porque transaram com cinco mil, cheiraram uma tonelada de cocaína ou
> passaram fome para comprar um ingresso para o show da bandinha da moda.
> Nada disso me importa. Se admiro autores novos (e admiro um ou dois
> nomes, se tanto) é porque já mostraram, em livro, do que são capazes. E
> isso não tem nada a ver com reconhecimento do mercado. Nem tampouco com
> a última moda da internet. Admirar um autor novo significa projetá-lo (e
> projetar-se) no tempo, para um futuro longínquo (vinte, cinqüenta anos),
> e continuar admirando, lembrando da história e dos personagens, às vezes
> fazendo paralelo entre a vida e o livro.
>
> É difícil, mas um autor bom consegue. E este é que deveria ser o norte
> dos autores novos. Mas isto implica em brigar contra o espírito do
> mundo, por assim dizer, que é veloz e imediato. Quem tem paciência, não
> é mesmo?
>
> Paulo Polzonoff Jr
> Rio de Janeiro, 8/5/2006
>
>
>
> Retirado de Digestivo cultural, Segunda-feira, 8/5/2006
>
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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.
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