Oi
Não é sobre Sampa.
Fala das fotos "comprometedoras" daquela moça do interior...

Boa noite pra quem tá acordado. Até amanhã :)


--
Beijins
Fa
----------------------------------------------------------------
"O mundo está cheio de apáticos, mas eu não ligo."
----------------------------------------------------------------

erça-feira, 16 de maio de 2006

no mínimo


Zuenir Ventura - Internet e preconceito


16.05.2006


Não, não vou falar de São Paulo transformada em Bagdá, da cidade tomada
pelos bandidos, da centena de ataques e das dezenas de mortos e feridos,
do pavor, do pânico, do horror. Já vivemos no Rio algo parecido, ainda
que em escala menor. Sei o que é. É terrível de suportar e difícil de
contar. Por isso, deixo a penosa tarefa para meus amigos paulistas aqui
do NoMínimo – Setti, Kotscho, Kupfer, Benevides – aos quais presto minha
solidariedade de cidadão ofendido.

Prefiro falar de um caso que não tem a dimensão da tragédia social
paulista, mas contém elementos de um drama, uma quase tragédia moral,
sem mortes mas com a perda violenta de valores particulares tão caros
como reputação, harmonia doméstica, liberdade de ir e vir. A pequena
notícia não chegou a despertar minha atenção quando saiu publicada: no
Orkut, circulavam fotos de uma garota nua fazendo sexo com dois homens.
Não vi, e sem saber que a garota nega a autenticidade das fotos,
atribuindo-as a uma montagem, não achei nada demais.

Neste último fim de semana tomei conhecimento do que realmente ocorreu
lendo na revista “Época” a reportagem de Eliane Brum. Há muito tempo não
via uma história tão bem contada – com tanta elegância, respeito humano,
delicadeza de olhar e, além de tudo, competência profissional. Para quem
não acredita nas possibilidades estéticas da narrativa jornalística, na
sua excelência, recomendo a leitura da matéria, exemplar.

Depois de uma semana ouvindo os principais envolvidos no episódio,
inclusive a garota Francine, de 20 anos, a repórter construiu um relato
em que o pano de fundo são a intolerância da sociedade, o preconceito no
meio dos jovens, o falso moralismo, a invasão de privacidade e a
demonstração do poder que tem a internet de, ao lado do bem, fazer o mal
numa escala impensável há alguns poucos anos. Em suma, como uma fofoca
numa cidade de 18 mil habitantes do interior paulista pode ganhar
dimensão planetária.

“Segundo a polícia”, escreveu Eliane, “houve pelo menos 20 milhões de
acessos em diversos países. Mais de mil vezes a população de Pompéia.” A
mãe, desesperada, disse que sempre pediu que a filha tomasse cuidado
para não “cair na boca do povo”, ou seja, para não ser mal falada na
cidade. “Minha filha não caiu na boca do povo. Caiu na boca do mundo.” O
estarrecimento do pai não foi menor: “Foi terrível olhar. Eu nunca tinha
visto fotos desse tipo. Quem estava nas fotos era minha filha”.

Mais impressionante, porém, foi a cena em que 300 universitários, muitos
de Direito – futuros advogados, imagina! – urrando como turba, cercaram
a sala onde estava Francine ameaçando-a. A polícia teve que usar gás
para garantir sua saída. Diante dessas manifestações de obscurantismo,
no entanto, vale ressaltar a enérgica atitude do diretório acadêmico,
cuja direção reagiu com indignação ao que chamou de “linchamento moral”
da estudante – não ré, mas vítima. O que menos importa é saber se as
fotos são ou não verdadeiras, mas sim que houve um crime no ato de
torná-las públicas à revelia.

O melhor resumo desse autêntico drama pós-moderno que ela tão bem
descreveu foi feito pela própria Eliane Brun, ao mostrar que “uma das
ferramentas tecnológicas mais fantásticas já criadas foi colocada a
serviço do sentimento mais arcaico – o preconceito”.




Retirado de
http://nominimo.ibest.com.br/notitia/servlet/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&pageCode=21&textCode=22319&date=currentDate



---

Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

Comentários: www.yahoogroups.com/group/goldenlist-L/messages

Newsletter: www.yahoogroups.com/group/goldenlist/messages




YAHOO! GROUPS LINKS




no mail with banners

Responder a