Oi
Ai, ai,
Há o que esperar dos políticos ante o pânico à bandidagem?
--
Beijins
Fa
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"A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes
com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez."
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Quarta-feira, 17 de maio de 2006
no mínimo
Villas-Bôas Corrêa - Não tem solução
O nosso sofrido, paciente e decepcionado povo, unificado na sua angústia
diante da falência múltipla dos três poderes com a evidência de que o
crime organizado ocupou São Paulo o tempo que quis, pode congelar as
suas últimas reservas de esperança de uma reação do pudor oficial: não
há solução à vista, estamos caminhando às cegas no beco sem saída.
Se de alguma coisa vale a experiência, creio que posso refrescar a
memória dos sobreviventes da minha geração e acrescentar algumas
informações aos mais jovens. Esta guerrilha vem sendo perdida há muitas
décadas, embrulhada em desculpas e acusações cruzadas, sempre que um
episódio mais chocante mexe com a sonolenta indignação popular.
Quando comecei a minha interminável correria atrás da informação, cumpri
o roteiro de principiante na escola de jornalismo prático da velha “A
Notícia” de Candido Campos e Silva Ramos, lá pelos idos de 1948, com
freqüentes incursões na reportagem policial. E engrossei o coro das
denúncias do descalabro da superlotação do xadrezes, depósitos de presos
espremidos como animais nos matadouros.
Mas, com as ressalvas devidas: se o quadro era de horror, não chegava à
dimensão de calamidade pública nem ameaçava a população com o risco de
impensável ocupação das cidades. As fugas episódicas buscavam as rotas
dos ermos, dos esconderijos distantes.
E, na mesma toada das diferenças, a preocupação teórica com a
recuperação do detento para a sua reintegração na sociedade era
praticada em muitas penitenciárias, urbanas ou na área agrícola, com a
aprendizagem de uma profissão nas oficinas tradicionais, como de
carpintaria, mecânica, gráficas e de trabalhos manuais.
Os antros de horror, como o que Graciliano Ramos denuncia na obra-prima
“Memórias do Cárcere”, com a veracidade da sua experiência pessoal como
preso político na temida Ilha Grande, não eram raros ou exceções, nem a
regra.
A intervalos regulares, o assunto retornava à pauta de jornais, revistas
e, com a censura interna para não chocar os telespectadores, às séries
de denúncia das televisões. Com a grande, a fundamental diferença de que
a cutucada na ferida gangrenada justificava-se pela esperança de cura,
como sempre prometiam os candidatos em todas as campanhas.
O nosso infortúnio distingue-se pela preliminar de que não há solução
possível diante da arrepiante constatação de que, de todos os ângulos
que se force os olhos para pedir socorro, o que se avista é a crise
moral, ética, de decência e dignidade que embrulha os três poderes com o
mesmo papel pardo das responsabilidades partilhadas.
A começar pela indiferença da cúpula do Judiciário pela reforma dos
códigos venerandos ou claramente desatualizados, que não atendem às
urgências da cambalhota da maior migração interna do último século, com
o inchaço da população urbana nas alturas de 82%, com 12% de
remanescentes da área rural, e os agravantes das drogas e do crime
organizado.
Do Executivo, não há o que esperar. O regime presidencialista catapulta
o presidente ao alto da pirâmide do poder e tudo começa ou enguiça na
cadência do seu comando e iniciativa. E o presidente-candidato Lula
inaugura o modelo singular do presidente que olha e não vê, de nada sabe
dos escândalos que passam à porta do seu gabinete na corrente de águas
pútridas do mensalão, do caixa dois; das ambulâncias superfaturadas
pelas trapaças parlamentares com a conivência de órgãos públicos, com a
gatunagem na operação tapa-buracos, as filas de doentes e idosos no
sistema público de saúde em pandarecos.
E, finalmente, do pior Congresso de todos os tempos o pouco que se pode
esperar é que o instinto de sobrevivência e o pudor do eleitorado, na
contramão das expectativas, com a raiva cívica do voto, em 1° de
outubro, varra a podrigueira de mais de uma centena de deputados e
poucos senadores que participaram do ignóbil acordo por baixo do pano
para absolver os envolvidos nas trampas da corrupção.
Não pode haver dúvida. A manobra sustentada pelo consenso da maioria que
enterrou na imundície todas as denúncias apuradas de bandalheiras
repulsivas confirma que os parlamentares entregam os dedos rapaces do
pejo para garantir os anéis das vantagens, mordomias e das sucursais da
variada roubalheira do dinheiro público.
E essa gente não vai criar caso com as quadrilhas organizadas de
bandidos que superlotam as penitenciárias e cadeias. E que, se eram
poucas, com a depredação de muitas falta vaga para os colegas
engravatados e com a gazua da imunidade.
Estamos entregues à própria sorte.
Salve-se quem puder!
Retirado de
http://nominimo.ibest.com.br/notitia/servlet/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&pageCode=12&textCode=22338&date=currentDate
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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.
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