Oi
..."o crime continua com os pés no chão e as mãos em sua dupla mina de
ouro: faturar (alto e fácil) com as drogas e receptar as melhores armas
das próprias instituições de segurança pública"...
..."Machado Dias foi fuzilado e o Brasil não deu a menor bola..."
:(
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Beijins
Fa
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"Não há exceção sem regra." - Millôr Fernandes
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no mínimo
Guilherme Fiuza - Contra o terror, a pantomima
16.05.2006
O presidente do Senado foi logo avisando que ia botar em votação o
percentual obrigatório de verbas para segurança pública. Os bandidos de
São Paulo devem ter tremido de medo. Assim como na educação e na saúde,
o projeto é vincular uma fatia fixa do orçamento federal para segurança.
Os criminosos do PCC não esperavam por essa. Com toda certeza, recuarão
de seus ataques bárbaros com o rabo entre as pernas.
Como em toda crise de segurança pública, está aberto o festival de
propostas ornamentais sobre o tema. Quanto mais mirabolante o plano,
melhor. Claro que passada a crise, assim como a do ônibus 174, a do
assassinato do juiz Antonio Machado Dias (alguém ainda lembra do
corregedor de Presidente Prudente?), ou a do “dia do fecha” imposto pelo
tráfico ao Rio de Janeiro, essas propostas voltam todas comportadamente
para suas respectivas gavetas. Mas o que vale é o efeito cênico que
conseguem na hora do pânico. Aí é sucesso garantido.
É confortante imaginar que um governo como o de Rosinha Garotinho vai
receber mais dinheiro da União, ou seja, dos contribuintes de todo o
país, para combater a insegurança. Os brasileiros já imaginam, é claro,
que parte desse dinheiro possivelmente vá parar nas mãos das ONGs que
ajudam o casal Garotinho a governar (em convênios de “capacitação”,
“seleção de mão-de-obra”, “qualificação”, “informatização” e outros
serviços etéreos). E ninguém vai estranhar se, dali, pingarem alguns
trocados na campanha presidencial de Garotinho. Afinal, ninguém é de
ferro e a política não pode parar por causa de meia dúzia de ônibus
incendiados.
O Brasil é especialmente sensível a esses gestos de obrigatoriedade
orçamentária. “A partir de agora, tantos por cento das verbas federais
terão que ir para a habitação popular!” Essa ninguém propôs ainda, mas
certamente ganharia aplausos imediatos. Evidentemente, carimbar dinheiro
não é garantia de nada. Até porque o problema é como o dinheiro público
vai ser gasto, uma vez que ele pode tranqüilamente servir para
enriquecer algum vendedor esperto de ambulâncias (dinheiro vinculado da
saúde) ou algum pastor evangélico vendedor de fraldas geriátricas
(idem). Freqüentemente, inclusive, o problema da autoridade nem é a
falta de dinheiro, mas a falta de imaginação. O problema é governar. Mas
aí a discussão começa a dar muito trabalho.
Enquanto políticos e especialistas – o Brasil tem 190 milhões de
técnicos de futebol e de especialistas em segurança pública – discutem
maravilhas como intervenção do Exército nas cidades, força-tarefa,
coordenação inteligente e outros fetiches, o crime continua com os pés
no chão e as mãos em sua dupla mina de ouro: faturar (alto e fácil) com
as drogas e receptar as melhores armas das próprias instituições de
segurança pública. O monopólio dos bandidos sobre a venda de drogas está
garantido pela hipocrisia dos governos e da sociedade. O derrame de
armas está garantido pelos buracos negros que são as instituições de
segurança.
Não são muitos os homens de bem que conhecem e se envolvem a fundo com
essas instituições. O juiz-corregedor Antonio José Machado Dias era um
deles. Especializou-se no sistema carcerário de segurança máxima da
região de Presidente Prudente, coincidentemente onde está trancada boa
parte da gangue que agora pôs fogo em São Paulo. Machado Dias não vivia
na estratosfera das forças-tarefa imaginárias, das propostas
espetaculares de mudança da lei e da Constituição. Acreditava em
mergulhar nas instituições e administrá-las, apertando parafuso por
parafuso da sua engrenagem.
A alta bandidagem passou maus bocados nas mãos de Machado Dias. Até
conseguir eliminá-lo. O PCC já aprendeu: seu maior inimigo não são os
projetos de lei voadores, os pacotões providenciais, o blablablá dos
especialistas e seu mundo ideal. O inimigo são pessoas. Indivíduos como
o juiz de Presidente Prudente, capacitados a entrar na batalha de
táticas e contra-táticas do universo do crime. Machado Dias foi fuzilado
e o Brasil não deu a menor bola. As autoridades soltaram notas
burocráticas. O terror agradeceu comovido a indiferença.
No enésimo fuzil desviado de um quartel do Exército para o tráfico, o
governo federal resolveu dar espetáculo. Ocupações gigantescas de
favelas cariocas pelas forças armadas para mostrar tolerância zero com o
delito. Verificando-se o autêntico queijo suíço que são esses quartéis e
outros estabelecimentos policiais, de onde as armas escorrem com alegre
desenvoltura para os criminosos, reações governamentais cinematográficas
como aquela ficam condenadas ao terreno do ridículo. (Vale lembrar que
os tais fuzis do Exército foram devolvidos após a suspensão da ocupação,
mediante provável acordo com o tráfico. Um vexame.)
São Paulo e o Brasil vão continuar reféns do poder bandido enquanto
preferirem discutir o sexo dos anjos em Brasília, ao invés de garantir o
trabalho e a vida dos que estão realmente no front do crime – mais
organizado a cada um desses arquivos vivos que consegue queimar.
Retirado de
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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.
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