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Fa,
E as dos empresários também.
Carlos Antônio.
----- Original Message -----
From: Fatima Conti
Sent: Sunday, July 02, 2006 8:43 AM
Subject: [gl-L] Re: A esperteza de um irracional
calhorda. Oi Carlos Acabei de ler e ia postar quando recebi a sua msg :) "Ideologia emburrece" Dá pra tremeer, né? "...Diz-se que Lula não tem herdeiros, daí o "Lulécio", o Lula com Aécio. Meu marido /(o filósofo Roberto Romano) /tem uma expressão muito adequada. Afirma que os tucanos são primos do PT e que, no futuro, vão se reunir em família e dividir o bolo. Acho que haverá um ajuntamento entre Lula e esses dirigentes mais novos, como Aécio. O único problema é o PMDB, um partido muito forte e oligárquico. O Brasil é assim: de um lado, a força do governo federal; de outro, o poder das oligarquias regionais. E quem congrega essas oligarquias é o PMDB..." Já imaginou? Só nos falta um dia dar voto útil ao (arghhh)PMDB... Mas gostei da frase dela: "Não há nada mais flexível do que a espinha de um político brasileiro." - Maria Sylvia de Carvalho Franco -- Beijins Fa ------------------------------------------------------------------- "Quando você disca um número errado, a ligação nunca está ocupada." ------------------------------------------------------------------- ccarloss escreveu: > > Fonte: Veja On-line > > <http://veja.abril.uol.com.br/050706/entrevista.html#> > > ** ** > ** * <http://veja.abril.uol.com.br/050706/ponto_de_vista.html>* > ** ** > ** * <http://veja.abril.uol.com.br/050706/andre_petry.html>* > ** ** > > ** ** > ** <http://veja.abril.uol.com.br/050706/entrevista.html> > ** <http://veja.abril.uol.com.br/050706/cartas.html> > ** ** > > <http://ads.abril.com.br/RealMedia/ads/click_lx.ads/veja/revistas/1619240325/Position2/OasDefault/040720_bancas_position2_veja/10420/63393236656138383434316238633230> > > > > > Entrevista: Maria Sylvia de Carvalho Franco > "Ideologia emburrece" > > A filósofa diz que Lula age como um > tirano, afirma que Alckmin foi escolhido > para perder e denuncia o oportunismo > de intelectuais de esquerda > > > Marcelo Carneiro > > > > Antonio Milena > > "Não há nada mais flexível do que a espinha de um político brasileiro" > > Professora dos departamentos de filosofia da USP e da Unicamp, Maria > Sylvia de Carvalho Franco passou os últimos quarenta anos de vida > acadêmica nadando contra a corrente. Durante o regime militar, entre > optar pelo exílio – como fizeram muitos de seus colegas que militavam em > organizações clandestinas – e manter aberta a cátedra da USP mesmo sob a > vigilância da polícia, a decana da faculdade de filosofia preferiu a > segunda alternativa. Dava aulas para até 100 estudantes, alguns deles > investigadores policiais infiltrados. Começava ali um histórico de > polêmicas com boa parte da intelectualidade brasileira, à direita e à > esquerda. Seus trabalhos de pesquisa, em especial o clássico /Homens > Livres na Ordem Escravocrata, /de 1969, conseguiram desagradar a > marxistas e liberais. Hoje, a professora ainda cultiva o destemor ao > refletir sobre o oportunismo na vida política – tanto dos partidos > quanto dos intelectuais, em especial os de esquerda. > > *Veja –* /Apesar de todas as denúncias contra o seu governo, e com o PT > caminhando para um encolhimento nas urnas, o presidente Lula continua > com alta popularidade. Como explicar esse fenômeno?/ > Maria Sylvia – Primeiro, isso se deu graças a uma política populista > desenfreada e ao uso desmedido do dinheiro público e da estrutura > governamental para propagandear essa política. Depois, ocorreu porque > Lula é um sobrevivente, exatamente como na definição do escritor Elias > Canetti /(búlgaro, prêmio Nobel de Literatura em 1981 e autor do livro > /Massa e Poder). Para Canetti, os homens que têm uma posição > carismática, e de poder, terminam por criar um vazio em torno de si. > Exemplo disso é a capacidade que Lula tem de se livrar até dos > auxiliares mais próximos, quando isso é necessário. Ele sabe que o > perigo o cerca de todos os lados. Atento a isso, criou um deserto à sua > volta. Tem mensalão, ministro que pede demissão, outro que é acusado de > corrupção, um monte de gente do PT envolvida – mas, para cada um desses > problemas, ele inventa uma desculpa. Ora diz que foi traído, ora que não > sabia de nada. Ou, então, se livra sem pudores dos auxiliares mais > próximos. Veja o /(ex-ministro da Fazenda) /Palocci. Lula o defendeu até > o último minuto. Quando ficou claro que o ministro estava comprometido, > ele simplesmente o tirou. O mesmo aconteceu com o José Dirceu. Esse é o > destino do tirano: ele acaba se isolando porque, para conseguir chegar > ao poder, elimina qualquer tipo de relação, seja ela política ou social, > de amizade ou de confiança. Tudo isso em proveito de si próprio. > > *Veja –* /Esse seria o traço mais forte da personalidade política do > presidente? > /Maria Sylvia – Lula é um fenômeno que guarda peculiaridades. Sua > característica mais evidente seria a esperteza. Ele tem um certo tipo de > inteligência que pega o momento oportuno e segue nesse rumo. Hoje eu não > tenho mais dúvida de que, mesmo no período em que era líder sindical, > seu projeto era uma mudança de classe. A mudança dele – já que, pela > natureza do capitalismo, é impossível a mudança estrutural de toda a > classe operária. Ocorre que, quando indivíduos isolados transpõem essa > barreira, perdem a determinação da classe da qual saíram e assumem a > determinação de outra classe. Essa, aliás, é uma análise marxista. > Diz-se que, desde o período sindical, Lula fazia alianças com a > burguesia. Era agressivo no palanque e conciliador na mesa de negociação > com os empresários. O marco disso é o momento em que ele conseguiu se > eleger. Houve uma mudança até na sua aparência física. Hoje seria > impossível distinguir Lula em uma reunião de empresários – a não ser > pelo fato de que ele talvez estaria mais bem vestido. Aquele alfaiate > dele é muito bom. Só não conseguiu mudar tudo, como se vê pelas gafes e > pelos erros de português que comete. > > *Veja –* /Mas os discursos o ajudam a tornar-se mais popular./ > Maria Sylvia – Não sei se o ajudam, mas o fato é que isso não deveria > ocorrer. Lula teve trinta anos para se cultivar. Ou ele não fez isso > porque é muito preguiçoso ou porque explora essa falta de cultura como > mais uma faceta da sua atitude esperta diante do mundo. Ou é preguiça ou > é canalhice. Na verdade, o bom português é o mínimo que se exige de um > presidente da República. Não aceito o argumento de alguns lingüistas de > que a língua falada é dinâmica. Existe uma gramática, com significados > definidos. São estruturas que têm de ser respeitadas, senão a língua > desaparece, vira um dialeto incompreensível. > > *Veja –* /A história da democracia no Brasil tem episódios de avanços e > retrocessos. Qual a explicação para o ressurgimento de um fenômeno > populista como o lulismo neste momento?/ > Maria Sylvia – O problema está na forma como o poder republicano se > institucionalizou no Brasil. A lógica da Presidência é imperial, de > concentração de poderes. Mas há também os defensores dos interesses > regionais, que têm sua sede no Parlamento. A função deles é garantir uma > parte dos recursos que são sugados para os cofres do governo federal. > Nessa queda-de-braço, o presidente da República dificilmente contará com > um bloco muito fiel entre os deputados e senadores. Em decorrência > disso, passa a exercer pressão sobre o Congresso de duas maneiras: > fazendo a interlocução direta com as massas, e virando o pai dos pobres, > ou desviando dinheiro público para encher o bolso de parlamentares > aliados e, assim, garantir apoio. É Bolsa Família e mensalão. > > *Veja –* /Em que medida a tibieza da oposição ajudou o presidente Lula a > passar ao largo das denúncias e dar continuidade a esse projeto? > /Maria Sylvia – A blindagem de Lula vem, em certa medida, dos interesses > políticos envolvidos. Por que o PSDB se cala diante das denúncias? > Arthur Virgílio /(senador do PSDB do Amazonas),/ que vinha fazendo um > grande ataque, no outro dia recua. A mesma coisa acontece com as CPIs. A > CPI dos Correios criou várias oportunidades para que se pedisse o > impeachment de Lula – por exemplo, quando foram descobertos pagamentos > de campanhas eleitorais em contas no exterior. Isso não aconteceu porque > os tucanos têm telhado de vidro – um pouco mais sólido, é verdade. Se > nada de significativo apareceu contra os tucanos até agora, foi apenas > porque eles têm mais experiência no poder, não são afoitos como esse > pessoal do PT, que se juntou com criminosos ligados a esquemas de lixo e > a bingos. > > *Veja –* /Na sua opinião, quais as chances de o candidato tucano, > Geraldo Alckmin, vencer a eleição?/ > Maria Sylvia – Eu sempre imaginei que havia algo por trás dessa escolha > de Alckmin. Por que a opção por uma pessoa tão inexpressiva – sem > carisma, sem ligações importantes em lugar nenhum – para enfrentar um > homem como Lula? Hoje está na cara. Alckmin foi escolhido para perder. > > *Veja –* /Como assim?/ > Maria Sylvia – Aécio /(Neves, governador de Minas Gerais) /e Tasso > /(Jereissati, presidente do PSDB) /escolheram alguém para ser queimado. > O projeto do PSDB é para 2010. As chances de Alckmin são muito pequenas > porque, inclusive, o tucanato não vai se empenhar. Diz-se que Lula não > tem herdeiros, daí o "Lulécio", o Lula com Aécio. Meu marido /(o > filósofo Roberto Romano) /tem uma expressão muito adequada. Afirma que > os tucanos são primos do PT e que, no futuro, vão se reunir em família e > dividir o bolo. Acho que haverá um ajuntamento entre Lula e esses > dirigentes mais novos, como Aécio. O único problema é o PMDB, um partido > muito forte e oligárquico. O Brasil é assim: de um lado, a força do > governo federal; de outro, o poder das oligarquias regionais. E quem > congrega essas oligarquias é o PMDB. > > *Veja –* /A senhora já disse que tanto Lula como Geraldo Alckmin têm > traços autoritários. Quais os exemplos de autoritarismo dos dois > candidatos? > /Maria Sylvia – Em Lula, há exemplos todo dia, como nessa frase de que é > fácil governar para pobre. Porque, segundo ele, pobre não protesta – > então, é fácil de dominar. Em Alckmin, o exemplo fundamental ainda é sua > atitude na pré-candidatura. Ele disse: "Eu quero ser candidato, e é para > já" – apesar de todas as indicações de que ele não ganharia a eleição. > > *Veja –* /A senhora acredita que, em caso de vitória por larga margem de > votos no primeiro turno, Lula se sentiria tentado a governar desprezando > as instituições e dialogando diretamente com as massas, como sugeriu o > ex-petista e também candidato a presidente, Cristovam Buarque?/ > Maria Sylvia – Acho possível, mas não temos muito que fazer, só rezar. > Essa reeleição do Lula é perigosa. Há um vazio político muito grande. > Toda uma geração está deixando a vida política e não há uma nova para > assumir esse posto. Entre os partidos, só vejo o PV, do Fernando > Gabeira, e o PSOL. > > *Veja –* /Mas o PSOL, além de uma visão de mundo ultrapassada, traz > alguns vícios idênticos aos do PT./ > Maria Sylvia – Sei disso. Sei que há também demagogia e oportunismo, > todos os males da política brasileira. Mas é preciso que um partido de > oposição sobreviva. O PMDB não vai fazer oposição, é visceralmente > conciliador. O PSDB está mostrando a cara: concilia também, e muito. O > PFL é outro conciliador. Quando se trata de repartir o poder, eles estão > todos juntos. Não há nada mais flexível do que a espinha de um político > brasileiro. > > *Veja –* /A senhora é conhecida por distribuir críticas a pensadores > tanto do PT quanto do PSDB. Há alguma diferença entre um intelectual > petista e um tucano?/ > Maria Sylvia – No PT, há dois tipos de intelectual. O primeiro é > correto, mas tem um fanatismo exacerbado. São pessoas que não tiram > vantagem nenhuma de apoiar o PT, às vezes dão de si e do próprio bolso, > sem receber nada em troca. Mas são capazes de cortar relações com você > só porque você faz críticas ao PT. É um apego ideológico, e ideologia > emburrece. O segundo tipo é o intelectual de um oportunismo atroz, como > Marilena Chaui. Uma pessoa com a formação dela não pode dizer que, > quando Lula abre a boca, o mundo se ilumina. É uma professora > universitária que diz que o mundo é iluminado por alguém que faz a > apologia da ignorância, que é capaz de dizer "minha mãe nasceu > analfabeta". Alguns membros do PT fazem essa apologia. > > *Veja –* /E o intelectual tucano?/ > Maria Sylvia – É cultivado, até mais do que os do PT, mas tem uma certa > desvinculação da estrutura partidária. Os tucanos são mais > individualistas e têm uma capacidade maior de ajustamento às > circunstâncias. > > *Veja –* /Qual a origem desses dois grupos?/ > Maria Sylvia – Os dois grupos são formados por intelectuais originados > da ortodoxia marxista. Houve um bom período de domínio hegemônico dessa > corrente na universidade. Os partidos comunistas mais ortodoxos > sustentavam grupos universitários de poder, controlando cargos > acadêmicos, formação de colegiados e até publicações. Nem precisava ser > membro de algum desses partidos para ter essa sustentação, bastava ser > uma linha auxiliar, um simpatizante. Essa instrumentalização hoje se > mantém, ainda que com menor vigor. Esses monopólios são difíceis de ser > quebrados. > > *Veja –* /Para quem olha de fora, parece que a intelectualidade marxista > continua bem forte nas universidades brasileiras./ > Maria Sylvia – Sim, mas o fato é que já foi bem mais dominante. Além da > ortodoxia marxista, outra corrente acadêmica muito forte era aquela com > raízes românticas, representada principalmente pelo Sérgio Buarque de > Holanda /(1902-1982). Raízes do Brasil,/ por exemplo, é um livro de > fundamentos românticos. > > *Veja –* /Quais as conseqüências da predominância dessas duas correntes > na vida acadêmica? > /Maria Sylvia – Elas produziram grupos extremamente conservadores. Do > romantismo você não pode esperar outra coisa. É uma posição > pacificadora. Hoje em dia ninguém acredita no homem cordial do Sérgio > Buarque, em uma sociedade harmoniosa, mas essa idéia persiste e passou > pela antropologia americana, pela Igreja, pelas comunidades eclesiais de > base, pelas organizações não governamentais e deu origem a um > vocabulário próprio. Você, por exemplo, não pode mais falar "favela", > tem de falar "comunidade". > > *Veja –* /Seu livro /Homens Livres na Ordem Escravocrata, /lançado em > 1969, hoje é um clássico. Mas levou dez anos para ser publicado. Qual a > razão da demora? > /Maria Sylvia. – Ele foi resultado de uma tese de doutorado e, na > ocasião, era contra todas as interpretações correntes no Brasil. > Desagradava tanto aos ortodoxos marxistas quanto aos liberais. Essas > dificuldades do período inicial da minha carreira persistiram até não > faz muito tempo. Os estereótipos, as idéias feitas, principalmente > quando são propostos por intelectuais de importância, têm uma força > enorme. > > *Veja –* /Por quê?/ > Maria Sylvia – Porque são grupos de poder que se instalam e que têm uma > circulação interna de auto-sustentação muito grande. Em seus trabalhos > de pesquisa, as pessoas se citam reciprocamente, e abundantemente. Se > você procurar a literatura publicada imediatamente depois do meu livro, > não encontrará nenhuma citação. Isso só foi ocorrer anos depois. A > censura ideológica neste país é muito grande. > --- Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se. Comentários: www.yahoogroups.com/group/goldenlist-L/messages Newsletter: www.yahoogroups.com/group/goldenlist/messages Yahoo! Groups Links <*> To visit your group on the web, go to: http://groups.yahoo.com/group/goldenlist-L/ <*> To unsubscribe from this group, send an email to: [EMAIL PROTECTED] <*> Your use of Yahoo! Groups is subject to: http://docs.yahoo.com/info/terms/
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