Fa,
 
Panem et circenses.
Só que no Brasil o pão foi abolido há muito e o espetáculo está indo embora também.
Tá cada vez mais difícil saber o que vai restar.
 
Carlos Antônio.
 
 
----- Original Message -----
Sent: Sunday, July 02, 2006 10:04 AM
Subject: [gl-L] Cristovam Buarque - Paixão Nacional


Oi

E nem no futebol conseguimos ser os melhores...

--
Beijins
Fa
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"Nos restaurantes baianos a pressa é inimiga da refeição."
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Cristovam Buarque - Paixão Nacional


Em cada dez dos melhores jogadores de futebol do mundo, pelo menos cinco
são brasileiros. Entre todos os prêmios Nobel do mundo, nenhum é
brasileiro. Entre os grandes jogadores brasileiros, quase todos têm
origem pobre, enquanto quase todos os profissionais de nível superior
vêm das camadas ricas e médias.

Nestes tempos de Copa do Mundo, a TV e o rádio mostram, todos os dias,
pequenas biografias dos nossos grandes jogadores. Em comum, todos têm o
fato de terem começado a jogar futebol aos quatro anos de idade, em
algum campo de pelada perto de casa, às vezes no quintal de um amigo.
Todos continuaram, com persistência, o desenvolvimento de seus talentos.

Transformaram-se em grandes craques, graças à oportunidade, ao talento e
à persistência. No Brasil de hoje, 20 milhões de meninos jogam futebol.
Se apenas um em cada dez mil tiver talento e persistência, nas próximas
Copas teremos dois mil ótimos jogadores; se for um em cada um milhão,
ainda assim teremos dois times completos, formados por grandes craques.

O mesmo não vai acontecer com a ciência, a tecnologia e a literatura no
Brasil. Não teremos 20 prêmios Nobel, nem mesmo juntando, a esses
meninos, os outros 20 milhões de meninas. Porque poucos entrarão na
escola aos quatro anos. Não terão acesso a verdadeiras escolas, não
poderão persistir no desenvolvimento de talento, não terão livros ou
computadores como têm bolas.

O Brasil tem grandes craques graças ao gosto pelo futebol, ao tamanho da
nossa população e ao fato de que todos têm acesso à bola e ao campo de
pelada.

Nosso país não tem, até hoje, nenhum Prêmio Nobel de Literatura ou
Física, porque poucos têm acesso a ensino de qualidade desde a primeira
infância, com professores bem remunerados, preparados e dedicados,
dispondo de livros e computadores na quantidade e qualidade necessárias.

Os campos e as bolas surgem espontaneamente, ou pelo esforço da
comunidade e dos próprios meninos. A escola e os computadores só estarão
à disposição se houver um esforço deliberado do país inteiro.

Ninguém vira craque por sorte, e sim por talento e persistência. Mas, no
Brasil, o desenvolvimento intelectual depende, antes de tudo, da sorte
de nascer em uma família rica, em uma cidade próspera, com um prefeito
que dê prioridade à educação. O talento e a persistência vêm depois
porque, antes, precisam de oportunidade: uma escola de qualidade. O
desenvolvimento intelectual depende de condições criadas pelo Estado
nacional: escolas, livros, computadores, professores.

Se tivéssemos feito isso há cinqüenta anos, o Brasil seria o campeão do
saber, e não o lanterninha, posição que ocupamos atualmente. Se o
fizermos agora, daqui a 20 anos teremos recuperado terreno, e aí teremos
a chance de vencer não só a Copa do Mundo, mas também a Copa do Saber,
do conhecimento, da ciência, da tecnologia, da literatura. Ganharemos as
medalhas do Nobel, além das taças da Copa.

Além do mais, teremos o capital e as bases para construirmos o Brasil do
século XXI. O futebol deslumbra, mas só o saber constrói.

Tudo isso, porém, enfrenta um grave impedimento: os brasileiros têm
paixão pelo futebol. As vitórias emocionam, as derrotas deixam todos
abatidos. Mas não existe a mesma paixão pela educação. Há semanas, os
meios de comunicação informaram que estamos perdendo para o Haiti em
termos de repetência escolar. Nada aconteceu, ninguém se incomodou. Se
tivéssemos perdido para o Haiti no futebol, nossos jogadores teriam sido
muito mal recebidos na sua volta ao Brasil.

Para que as medalhas intelectuais cheguem, é preciso ter pela escola a
mesma paixão que o Brasil tem pelo futebol.



Publicado em - O Globo - 10/06/2006

Retirado de
http://www.cristovam.com.br/?page=lernoticia&idmateria=2918&idcanal=9


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