Parlamentares brigam por autonomia para agências reguladoras 

Este jornal teve acesso ao rascunho do substitutivo ao projeto do 
governo para as Agências Reguladoras que, quando concluído, será 
encampado na Câmara pelo presidente da Frente Parlamentar de Defesa
às Agências Reguladoras, deputado Ricardo Barros (PP–PR). A proposta,
no entanto, não será bem recebida pela bancada governista. "As agên-
cias reguladoras devem ser apenas órgãos executores.  A formulação 
das políticas deve ser do governo. 

A bancada vai trabalhar pela manutenção do seu projeto, mas aceitará 
ajustes pontuais", diz o líder do PT na Câmara, Henrique Fontana 
(RS). 

O substitutivo terá também de ser adotado pelo relator do projeto de 
lei 3.337/04, deputado Leonardo Picciani (PMDB–RJ).  O relator não 
concorda com a proposta do governo, mas diz que só acolherá o subs-
titutivo se considerar que o novo texto aumente a interação entre as 
agências e os consumidores. "O texto do governo é estatizante. Já fiz 
algumas alterações. Temos que avançar nas negociações", diz Picciani. 

O presidente em exercício da CNI, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, 
acha que o projeto de lei de autoria do governo permite uma maior 
intervenção nas agências reguladoras.  Para o presidente da Abar, 
Álvaro Otávio Vieira Machado, se aprovada, a lei patrocinada pelo 
Executivo aumentaria a insegurança dos investidores e não daria as 
garantias necessárias aos consumidores. "Qualquer governo não gosta 
de trabalhar com estruturas que têm independência. Mas, a concepção 
de Estado deste governo não contempla as agências. Este governo acha 
que tem o poder e deve exercê-lo", analisa o advogado Azevedo 
Marques.

O advogado explica que o decreto-lei de número 200, de 1967, deveria 
ser alterado para que as agências tenham mais independência.  Esse 
decreto-lei não reconhece as agências reguladoras como entidade per-
tencente à estrutura da administração federal, o que, para Azevedo 
Marques, dá ao governo a oportunidade de intervir. Além de uma regu-
lamentação que lhe garanta de forma efetiva autonomia administrativa 
e financeira e independência decisória, o decreto-lei 200/67 precisa 
passar a reconhecer as agências. 

A proposta de substitutivo proíbe que os saldos de receitas das agên-
cias reguladoras sejam recolhidos pelo Tesouro Nacional ou conside-
rados no cálculo do resultado primário previsto nas metas fiscais do 
Executivo. Devem, por outro lado, ser utilizados pelas instituições 
no ano seguinte. O texto também torna nulo "qualquer ato, determina-
ção ou orientação" para contingenciar ou bloquear o pagamento de 
despesas.  E caracteriza como prevaricação o ato de dirigente de 
agência reguladora que não resguardar a autonomia administrativa 
das instituições. 

A proposta obriga as agências a realizarem consultas públicas. Esta-
belece que as agências terão de prestar contas a cada semestre ao 
Congresso e manter em sua estrutura um conselho com representes da 
sociedade que participarão, sem poder decisório, das discussões. 

Os deputados Picciani e Barros querem aproveitar o esforço concen-
trado a ser realizado no mês que vem para avançar nas negociações. 
O presidente da CNI, entretanto, acredita que apenas a próxima 
legislatura terá condições para votar algum texto. 


[Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 6, 28/06/2006]

















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