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A propósito de eleições e regimes
políticos.
Canudos foi massacrado por ignorar o Estado
e desobedecer o estabelecimento de leis. A história real não registra roubos ou
crimes e os poucos que ousaram cometer delitos foram isolados por um tempo numa
das casas do povoado e depois banidos do seu convívio.
Caluniados pela república a quem incomodavam foram
rotulados de monarquistas, coisa que sequer passava perto do seu
propósito.
E Antônio Conselheiro, mais que o próprio arraial,
foi dos mais caluniados da história do Brasil. Longe de ser o fanático religioso
e ignorante que a "história oficial" quis fazer dele, era um homem de fibra,
conhecedor de matemática, geografia, falava latim e francês, e inspirava-se num
dos líderes "utópicos" Tomas Morus, de quem conhecia a obra e tinha
consciência que a utopia de Morus
era apenas mais um rótulo de fantasia atribuído a
ele pelos inimigos de uma sociedade livre e igualitária.
Antônio Vicente Mendes Maciel foi um precursor
libertário
e sufocado por estar muito à frente do seu
tempo e do atual.
Enquanto tivermos governos, sejam eles de qualquer
tendência, não entenderemos a visão futurista e ideal de Conselheiro e do
anarquismo.
Carlos Antônio.
Repassando o texto abaixo:
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Guerra de Canudos A ferro e fogo,
a ordem e o progresso invadem o sertão baiano
 Marco
Cabral dos Santos* Especial para a Página 3 Pedagogia &
Comunicação
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| Antonio Conselheiro, em gravura do século
19 | Entre
1896 e 1897, o Estado brasileiro empreendeu uma guerra no sertão
baiano, cujo alvo era um pequeno povoado de agricultores. O
episódio, conhecido como Guerra de Canudos, terminou com um grande
massacre dos moradores de Canudos, como o arraial era conhecido. Sua
importância história é muito grande, pois revela o descompasso
existente entre dois Brasis: o das elites que o governam e impõem
seus interesses políticos e econômicos ao povo, e o deste último -
pobre, atrasado, ignorante, mas decidido, aferrado ao trabalho e às
suas crenças, pronto para resistir quando julga
necessário.
Por volta de 1870, o beato Antonio Vicente Mendes
Maciel surgiu no semi-árido nordestino, perambulando entre o Ceará,
Pernambuco e Bahia. Pregando o cristianismo entre as populações de
pequenas cidades, sobretudo aquelas castigadas pelas secas
sucessivas que assolavam com freqüência o sertão. Sua popularidade
rapidamente se espalhou, e sua alcunha - Antônio Conselheiro - logo
seria reconhecida por toda a região, o que lhe renderia rapidamente
centenas de seguidores.
À margem de um rio e de um
país
A fundação da vila de Canudos às margens do pequeno
rio Vaza-Barris, no semi-árido baiano, atraiu uma população que não
parava de crescer. Sertanejos afluíam de vários estados nordestinos,
em busca de melhores condições de vida. Seduzidos pelas palavras do
Conselheiro, dedicavam-se a uma nova vida em comunidade. A pequena
cidade, dedicada inicialmente à criação de gado e ao curtume,
desenvolveu-se à margem do poder público, sem circulação de moedas e
sem autoridades legalmente constituídas, permanecendo alheia ao
controle do Estado. Em 1896 o vilarejo já contava com mais de 15 mil
habitantes. O número é controverso: há quem fale em 25 mil ou 35
mil.
Aos poucos, a imagem de Conselheiro foi-se difundindo
para além da região do semi-árido, sempre envolta em lendas
milenaristas e messiânicas, o que desagrava autoridades civis e
eclesiásticas. Em 1895, Canudos recebeu a visita do bispo de
Salvador, após o quê, difundiu-se a imagem de que se tratava de um
povoado monarquista, liderado por "perturbadores da ordem"
(republicana, recém instalada).
Escaramuça em
Juazeiro
Por essa época, a população de Canudos estava
empenha em construir uma nova igreja para a cidade, em virtude da
insuficiência da antiga para tantos fiéis. Assim, havia-se
encomendado a compra de material - sobretudo madeiras - na
importante cidade de Juazeiro, no norte da Bahia. Como as
mercadorias não foram entregues, o Conselheiro organizou uma ida a
Juazeiro, com alguns homens, na intenção de buscar o material que
lhe era devido.
Na cidade, espalhou-se um boato de que os
homens de Conselheiro iriam invadi-la, o que levou as autoridades
locais a solicitar reforços à polícia da capital. Em pouco tempo,
deu-se o primeiro conflito entre os homens de Canudos e as tropas do
governo. Sem dispor de muitos armamentos, mas valendo-se do
conhecimento da região, os "conselheristas" impuseram vergonhosa
derrota às forças do Estado, confiscando-lhes as armas. Iniciou-se
assim, em fins de 1896, aquela que ficaria conhecida como a "Guerra
de Canudos", uma das páginas mais vergonhosas da história militar
brasileira.
Uma nova expedição militar foi destacada para a
região do Vaza-Barris. Mobilizava 500 homens e tinha a sua
disposição três modernas metralhadoras e três canhões. No entanto,
usando táticas de tocaia e as armas obtidas no primeiro conflito, os
homens de Canudos obtiveram nova vitória.
A resistência
sertaneja
Logo organizou-se uma terceira expedição, que
ficou a cargo do coronel Moreira César, que já havia enfrentado
anteriormente a Revolução federalista em Santa Catarina - onde
recebeu o significativo apelido de "o corta cabeças". Dispunha-se
agora de 1.200 soldados e de mais quatro modernos canhões Krupp.
Após resistir a um bombardeio de duas horas e diversos ataques de
infantaria, os homens de Canudos impuseram nova derrota às tropas do
exército, sobretudo após a morte do experiente Moreira
César.
A incrível resistência de Canudos frente ao poderio do
exército brasileiro tornou-se, em inícios de 1897, assunto nacional.
O jornal O Estado de São Paulo fez comparecer um correspondente ao
palco da guerra, incumbido de noticiar o desenrolar da campanha em
que se envolvera o exército nacional. Tratava-se do engenheiro e
militar Euclides da Cunha, que em 1902 lançaria o livro Os Sertões,
dramático relato não apenas das batalhas, mas uma fantástica
descrição dos aspectos naturais e sociais da
região.
Euclides da Cunha e "Os Sertões"
Em
abril daquele mesmo ano, organizou-se uma expedição grandiosa,
comandada pelo general Artur de Andrada Guimarães e composta por
mais de 6 mil soldados, recrutados em diversos estados do Brasil. Os
homens de Canudos resistiram até outubro de 1897, quando as tropas
federais obtiveram êxito em arrasar a cidade e praticamente dizimar
todos os seus homens.
Ao fim de sua obra-prima, Euclides da
Cunha registrou que "Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a
história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a
palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer,
quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram
quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente
dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados".
Triste fim de
uma população cujo único pecado foi o anseio de viver à margem, numa
sociedade desigual e excludente.
* Marco Cabral dos
Santos é historiador com doutorado em História pela Universidade
de São Paulo. |
http://noticias.uol.com.br/licaodecasa/materias/medio/historia/brasil/ult1702u40.jhtm
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