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Sem perspectiva de melhoras, vamos entrar em 2007
ainda sem rumo.
Oremos.
Carlos Antônio.
Na democracia, não são sempre os mais aptos para os serviços que se apresentam ao juízo do eleitorado. Pode ser que os mais habilitados permaneçam recolhidos. Diante de certas exibições, dir-se-á que os piores se candidatam, mas aí já haverá exagero. De todo modo, os eleitores não podem buscar ninguém em casa para o exercício de funções públicas. O seu poder eleitoral limita-se ao rol dos candidatos. O governo do povo efetiva-se, então, às vezes muito precariamente, perante uma lista de candidatos. Aqui, outro problema insolúvel da democracia: não se elegem os melhores dentre os mais aptos, mas os melhores entre os que se oferecerem. Resuma-se: o governo do povo efetiva-se pelo povo, mas limitado por uma lista de candidatos. Não venham com exceções, do tipo: "town meeting". Exceções elas são e não servem para amostra da regra. No processo eleitoral, sobressaem certos tipos que, às vezes, empolgam o eleitorado, não necessariamente por seus méritos para o desempenho dos cargos, mas como reação a determinadas circunstâncias do candidato, ou do momento político. A primeira eleição do Enéas como deputado federal decorreu, não do merecimento que esse político pudesse ter. Foi uma reação de solidariedade de parcela do eleitorado com os humildes, ou desfavorecidos. Limitado à declaração do próprio nome, nas eleições que elegeram Collor (outro erro do processo democrático de escolha, repetido agora pelo nobre eleitorado de Alagoas), Enéas captou simpatias, traduzidas nos votos, suficientes para a eleição dele e de outros do seu partido. Dos 300 mil votos de Clodovil para deputado federal em São Paulo, quantos eleitores votaram por entenderem que ele reúne as condições para representar o povo na Câmara dos Deputados? Quantos votaram por galhofa, para ver atuando, na Câmara, a singular figura com os seus trejeitos, meneios e linguagem? Quantos apenas quiseram demonstrar o seu desencanto com o momento e a pobreza do cardápio eleitoral, votando num candidato divertido e assim confirmando o ridendo castigat mores, de Juvenal? A eleição de Clodovil para a Câmara dos Deputados, pelos eleitores do Estado de São Paulo, não fica nada distante da eleição do rinoceronte Cacareco para a Câmara Municipal pelos eleitores da cidade de São Paulo. O macaco Tião foi outro sucesso de urnas no Rio, eleito simultaneamente vereador e deputado. A votação consagradora de Paulo Maluf deve-se a outros motivos. O homem é capaz de conservar antigas simpatias e captar novas, na massa de votantes indiferentes à corrupção. No Rio, a Dra. Jandira Feghali perdeu votos, talvez os necessários para assegurar-lhe a vitória anunciada, não porque alguém tema o seu desdentado PC do B, mas porque desafiou a Igreja Católica. Aquela cena do Cardeal Eusébio Scheid recebendo notificação, mais a busca e apreensão nos guardados da Mitra tornaram-se fatais. É de lembrar o axioma do PSD: "não se briga com quem usa saia, mulher, juiz e padre". A democracia revela-se também imperfeita, quando admite o processo eleitoral, não apenas pela exposição do currículo enxuto dos candidatos, por suas qualidades e competência, pelo programa (dá-lhe, velha UDN) do seu partido. Jingles, plumas e cores aproximam o processo democrático da publicidade comercial, capaz de confundir ou enganar. As maiores fraquezas da democracia, como sistema ou método de governar, para o qual nunca se encontrou substituto, são a possibilidade de exploração da credulidade e da esperança; pior, da miséria do eleitor e os resultados a que pode levar, negando, por incrível que pareça, a sua própria substância; a sua finalidade institucional. Não há remédio capaz de erradicar esses vícios, que minoram com o passar dos tempos, como naquela anedota do verde dos gramados ingleses, que só chegaram à cor exuberante decorridos séculos. É claro que muito se fará, suprimindo-se os estágios de evolução do processo democrático pelos meios disponíveis, um dos quais a legislação e a correta aplicação dela. Os donos do poder gostam dele. Lyndon Johnson, por exemplo, assumiu, inesperadamente, a Casa Branca, e com tal prazer que logo desapareceram os seus sintomas de antigo cardiopata. Por isso, esforçam-se para desfrutar dele. E aqui mora o perigo. Pode acontecer que o governante democraticamente eleito desenvolva uma querência pelo cargo. Deus queira que, se reeleito, como se espera, ou se teme, Lula não desenvolva um "lulismo" semelhante ao "chavismo" venezuelano, plantado no populismo; no assistencialismo. Enquanto gemiam os torturados nas prisões da ditadura, Emílio Garrastazu Médici era vivamente aplaudido, de radinho ao ouvido, na tribuna de honra do Maracanã. Lula é, a todos os títulos, desqualificado para governar o Brasil. Ignorante, preguiçoso, desinteressado, desinformado, mistificador, não tem propostas, mas slogans, fala do muito que não sabe com leviandade e descompromisso com qualquer escrúpulo. Pretende não saber o que todos sabem que ele sabe. Mas se o eleitorado quer Lula, acate-se a decisão das urnas, na esperança de que os institutos democráticos lhe contenham a ambição e de que Deus mostre que é brasileiro. Um dos elementos fundamentais da democracia é a igualdade. Dela exsurge, como conseqüência lógica, a prevalência da vontade da maioria, determinante da eleição dos que governam. Dispensam-se teorias para explicar o fenômeno dos governos eleitos. O eleitorado assim quis. É preciso vergar à sua vontade porque o regime democrático funciona desse modo. O povo quer sempre o bom governo, mas é incapaz de assegurá-lo quando elege os governantes. O problema sério da eleição é o direcionamento da vontade popular, que se aceita quando resulta da propaganda eleitoral limpa que enaltece os candidatos, mas exige do eleitor a formulação de um juízo de escolha. Não vale, entretanto, a captação de votos pela demagogia eleitoreira, que os compra barato, numa forma hedionda de vilipêndio da vontade. Murilo Mendes diz que o cúmulo da miséria moral é explorar a miséria alheia. __._,_.___ --- Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se. Comentários: www.yahoogroups.com/group/goldenlist-L/messages Newsletter: www.yahoogroups.com/group/goldenlist/messages
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