A vista da Microsoft
Em seu principal movimento nessa década, empresa lança novo sistema operacional
e tenta, mais uma vez, ditar os rumos do setor de tecnologia. Mas sua
supremacia pode estar ameaçada
Por cristiane barbieri,
enviada especial a nova york
Ano após ano, o último dia de
novembro é uma data especial para a
cidade de Nova York. Os pedestres correm ainda
mais apressados, o frio que finalmente chega reforça o clima de festa e o
gigantesco pinheiro em frente ao Rockefeller Center, símbolo do Natal para
todos os Estados Unidos aceso na noite anterior, numa grande festa
transmitida ao vivo para todo o país , vira o centro das atenções em
Manhattan. Para o mundo dos negócios, o 30 de novembro de 2006 teve um brilho
diferente na metrópole. Eram pouco mais de 10h30 quando Steve Ballmer,
presidente da Microsoft, deu o primeiro impulso numa roda que girará US$ 250
bilhões ao longo do próximo ano. É esse o impacto sobre a indústria mundial de
tecnologia, segundo estimativas do instituto de pesquisas IDC, do lançamento do
sistema operacional Windows Vista, do Office 2007 (que inclui os programas
Word, Excel, Outlook e PowerPoint) e da plataforma para servidores Exchange
2007, apresentados naquela manhã pela Microsoft. As novidades serão apoiadas
pelo maior programa de marketing já feito pela Microsoft, afirmou o
mestre-de-cerimônias Ballmer, num evento em plena bolsa de valores eletrônica
Nasdaq. Inclui-se nesse bombardeio de propaganda o criador e presidente do
conselho de administração da empresa, Bill Gates, que saiu de sua aposentadoria
auto-imposta para ser entrevistado por jornais americanos. O Vista é um
lançamento de tremenda importância para nós, afirmou Gates ao USA Today. Não
lançávamos uma nova versão do Windows simultaneamente à do Office desde 1995.
A chegada do novo sistema operacional Vista ao mercado é o movimento mais
importante da Microsoft nesta década. Os resultados da megaoperação detonada na
semana passada ajudarão a definir se o império construído por Gates a partir da
primeira versão do Windows, apresentada em 1985, permanece como farol a indicar
os rumos da tecnologia. Diferentemente dos últimos 20 anos, em que o Windows e
a Microsoft foram praticamente onipresentes nos computadores em todo o mundo,
hoje a empresa enfrenta uma série de ameaças ao seu modelo de negócios, vindas
da internet (com o fortalecimento de marcas como o Google), das tecnologias de
software livre (principalmente o Linux) e do alastramento da computação móvel,
que substitui o velho PC por celulares, computadores de mão como os Palmtops,
iPods e toda sorte de pequenos aparelhos dotados de processadores.
Ballmer, presidente: Novo Vista terá
maior programa de marketing da história da empresa
Num primeiro momento, é certo que a grande máquina da indústria começa a
girar basta saber em que ritmo. Com o novo Vista, fabricantes de computadores
passarão a vender PCs e notebooks com mais memória e capacidade, fabricantes de
processadores terão demanda por seus produtos mais caros, prestadores de
serviços receberão novos pedidos de integração de sistemas e assim por diante.
O IDC estima que, para cada dólar de software vendido pela Microsoft na América
Latina, as empresas da região gerem receita entre US$ 6 e US$ 18. O chamado
ecossistema Microsoft passará a se alimentar e crescer por meio do lançamento
feito agora para empresas e, em janeiro, para usuários domésticos. A estimativa
é de que mais de 45% da economia do setor de Tecnologia da Informação (TI) na
região seja impactada por esse ecossistema, nas fábricas e no varejo. As
novidades, em boa parte dos casos, impedem que os preços dos produtos caiam,
como é a tendência natural quando a adoção dos
produtos alcança determinada escala, afirma Décio Shimura, responsável pela
área de notebooks para a América Latina da HP.
Além das empresas de TI, a Microsoft espera que, rapidamente, a ânsia por
novidades faça o Vista ganhar espaço no mundo corporativo. E garante que, de
grandes corporações a microempresas, todos ganharão ao adotar o novo software.
As pessoas vão pedir às empresas que passem a usar o Vista, se perceberem que
faz diferença em sua produtividade individual, disse Ballmer. É uma aposta e
tanto. A Microsoft passou os últimos cinco anos trabalhando no novo projeto,
que foi adiado por pelo menos três vezes. Foi atropelada por questões de
segurança, pelo modelo de negócios Google, pelo crescimento do software livre e
do thin client, modelo de computação baseado em servidores. Tivemos
praticamente de reescrever alguns códigos de programas por questões de
segurança, afirma Dinis Couto, líder de grupo de negócios de Windows para a
América Latina.
Fotos: EFE
Primeira aparição: Funcionário da Microsoft na Suíça demonstra
recursos
do novo sistema operacional
Depois de cinco anos de trabalho, os lançamentos buscam trazer respostas
a todas as ameaças. Pirataria? Há dezenas de armas contra ela. De soluções de
engenharia a apostas estéticas, prêmios para quem usa a versão oficial e vetos
aos usuários de piratas. Um dos atrativos mais bonitos do Vista são os
aeroglasses, as janelas vistas na tela do computador e que, agora, parecem
mesmo feitas de vidro. A Microsoft promete que elas não funcionarão em versões
não oficiais. No correio eletrônico Outlook pirata será possível receber, mas
não enviar e-mails. Se abertos, não podem ser editados, garante Dave
Thompson, diretor da Microsoft responsável pelo Outlook. E se os piratas
evoluírem e conseguirem decifrar e usar tudo? Já teremos outras novidades e
tornaremos o negócio deles ainda mais difícil e menos rentável, afirma Dinis
Couto. A lista de respostas da Microsoft segue por muitos outros caminhos. Na
área de servidores, onde o software livre tem crescido a passos largos,
a empresa passou a oferecer um leque grande de serviços móveis, como acesso a
e-mail, agenda e outros não só remotamente como também por voz. Um dos
principais atrativos dos novos produtos é o sistema de busca por informações ou
arquivos. Para a Microsoft, ferramenta de busca não é apenas uma página na
internet ou um espaço na barra de navegação, diz Kurt DelBene, vice-presidente
corporativo da empresa. Trata-se de um conceito para ajudar as pessoas a
encontrar o que precisam em seu trabalho, seja no computador, seja na rede.
Poderia ser apenas uma provocação ao Google site de buscas que virou o mais
completo exemplo de integração de mídias na internet , mas as novidades são
realmente impressionantes. Digitando-se uma única palavra no menu iniciar, é
possível encontrar qualquer arquivo ou documento no computador, a partir do
autor, data, etc.
Ofensiva global: Apresentação do Vista na Coréia do Sul:
estimativa de 100 milhões de PCs com o programa até o fim de 2007
A Microsoft afirma que os novos recursos não são uma resposta à
concorrência, mas sim às necessidades dos usuários, descobertas a partir de
mais de seis mil entrevistas individuais e um bilhão de dados coletados durante
o desenvolvimento do produto. De toda forma, é dificil garantir em que medida
será a migração para o novo sistema. A expectativa é que, no primeiro ano, 20%
dos usuários corporativos nos Estados Unidos migrem para o Vista, afirma Peter
OKelly, diretor de pesquisa da consultoria Burton Group. Em todo o mundo, isso
significaria 100 milhões de computadores com o programa no fim de 2007. Vários
analistas americanos afirmam, porém, que essa migração será bem mais lenta do
que a Microsoft gostaria. Isso porque o Vista requer computadores muito mais
poderosos e caros e que, no fundo, no fundo, a maioria dos usuários não
precisa de tudo isso. Não é o que pensa o Bradesco. O banco brasileiro, que
ajudou a Microsoft a desenvolver os novos produtos, deverá
se tornar a empresa com maior parque instalado de Vista no ano que vem. A
intenção é colocar o sistema em 100 mil máquinas, já a partir de janeiro. A
velocidade e a facilidade resultarão em grandes ganhos de produtividade, diz
Laércio Albino Cézar, vice-presidente executivo do Bradesco.
US$ 250 bilhões é o impacto previsto do lançamento do Vista
na indústria mundial de tecnologia
A EVOLUÇÃO DO WINDOWS
As diversas versões do programa que dominou o mundo e fez a fortuna de Bill
Gates
1985
WINDOWS 1.0
O primeiro a permitir que usuários controlassem o PC com um mouse e
visualizassem gráficos, e não apenas textos. No 2.0 (1987), era possível
sobrepor janelas.
1990
WINDOWS 3
Apoiada por processadores mais poderosos, como o Intel 386, foi a primeira
versão lançada em larga escala e permitiu a programadores criar uma série de
softwares compatíveis.
1995
WINDOWS 95
Já trazia muitas das características do sistema atual, como o botão Start
(Iniciar). Incorporou tecnologias multimídia e de internet, incluindo o
Internet Explorer.
1998
WINDOWS 98 e MILLENNIUN
A Internet surgia como ferramenta predominante e o uso para jogos e como
tocador de CDs iniciava a era do entretenimento no computador.
2001
WINDOWS XP
Uniu características pessoais e corporativas do Windows em uma linha de
produtos. Tinha conjuntos de gráficos mais chamativos e focava na integração
Internet-PC.
2005
WINDOWS VISTA
Além de inovações visuais, traz versões atualizadas de programas como o
Explorer, mais funções de segurança e um novo conceito de sistema de busca.
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