Oi

Comentário, não sei de quem:

Do ponto de vista jurídico, furto é furto, independentemente do tamanho 
e do valor do objeto furtado, daí ser inquestionável a sentença 
condenatória de Angélica. Por outro lado, é questionável a decisão da 
Justiça livrando o deputado mensaleiro das malhas da lei. É 
questionável, também, a leniência e a vergonhosa tolerância como é 
tratado o crime eleitoral do dossiê fajuto, cujo inquérito é 
procrastinado *ainda que envolva* R$ 1,750 milhão em espécie.

___

*Ainda que*, ou *pior ainda*...?

-- 
Beijins
Fa
-----------------------------------------------------------------------
"Nunca desista de seu sonho. Se acabou numa padaria, procure em outra."
-----------------------------------------------------------------------

        
        
8/12/2006 01:14:00

Empregada é condenada por roubar manteiga de R$ 3,20 e deputado, 
absolvido do ‘mensalão’


Alfredo Junqueira

RIO - Angélica Aparecida Souza Teodoro e José Mohamed Janene 
protagonizam duas histórias que ilustram bem como é flexível o conceito 
de Justiça no Brasil. Ela é empregada doméstica e roubou um pote de 
manteiga, de R$ 3,20, porque não aguentava mais ver o filho de dois anos 
passar fome. Ele é deputado e conseguiu escapar da cassação na Câmara, 
mesmo depois de confessar ter recebido dinheiro do ‘mensalão’ — fonte de 
pagamentos fraudulentos a deputados. Janene escapou da degola em 
Brasília no mesmo dia em que se tornou pública a sentença de Angélica em 
São Paulo.

Com 19 anos, Angélica vive em um bairro pobre de São Paulo. O pote de 
manteiga que levou de um armazém tinha 200 gramas. Empresário, Janene 
tem 51 anos, é proprietário de apartamentos de luxo e fazendas no Paraná 
e foi acusado — mas sempre respondeu em liberdade — de receber R$ 4,1 
milhões do ‘mensalão’. Estima-se que o esquema movimentou R$ 55 milhões.

Angélica sofreu todo o peso da lei: foi condenada a quatro anos de 
prisão em regime semi-aberto, no dia 10 de novembro, pela 23ª Vara 
Criminal de São Paulo. Cada dia de condenação vai equivaler a 0,13 grama 
da manteiga ou a R$ 0,002 (dois milésimos de real) do valor do produto. 
Teve o direito de apelar em liberdade. Sua defesa tentará reformar a 
sentença. Alega que se tratou de furto, com pena menor.

Janene confessou ter recebido R$ 700 mil não contabilizados para pagar 
os advogados do ex-deputado Ronivon Santiago (seu então companheiro de 
PP). Ganhou a compreensão de seus colegas na Câmara. Apesar de a maioria 
dos deputados presentes ter votado pela cassação, o número não foi 
suficiente. Para perder o mandato, ele precisaria ter 257 votos contra 
si. Teve 210. Outros 128 parlamentares votaram pela sua absolvição e 147 
não deram as caras.

Os processos correram em poderes distintos. Ela foi condenada pelo Poder 
Judiciário. Ele, absolvido pelo Poder Legislativo. Os dois buscaram 
garantir seus direitos durante os procedimentos.

O deputado protelou o quanto pôde. Foi o último dos 19 parlamentares no 
processo do ‘mensalão’ a ter seu caso analisado. Alegava problemas de 
saúde. O Conselho de Ética recomendou a cassação, mas, depois de um ano 
de tramitação, seu processo deu em água. Janene teve o mesmo destino dos 
11 colegas absolvidos — três foram cassados, quatro renunciaram. Ele 
continua com problemas no Supremo Tribunal Federal.

A doméstica — que perdeu a guarda do filho — teve quatro habeas corpus 
negados desde o dia 16 de novembro de 2005, quando foi flagrada com o 
pote de manteiga. Só conseguiu a liberdade provisória quando seu 
advogado, Nilton José de Paula Trindade, apelou ao Superior Tribunal de 
Justiça, alegando que sua cliente não tinha antecedentes. Angélica ficou 
128 dias presa no Cadeião de Pinheiros. Hoje, vive de bicos.

]Para Trindade, os casos mostram “o descalabro que ocorre no Brasil”. 
Segundo ele, “a Justiça trata os iguais desigualmente. Já os desiguais 
têm tratamentos iguais”, argumentou.



Retirado de
http://odia.terra.com.br/brasil/htm/geral_71339.asp
no mail with banners

Responder a