Com otimismo o caos da aviação vai durar todo o primeiro semestre. O das 
estradas, que já existe tende a se agravar.
E não temos ferrovias. Mais ainda, não se iludam que um novo apagão na energia 
elétrica se aproxima. Mais próximo que se possa esperar.
Torço para que tudo isto venha rápido. Para acabar de vez com este governo 
corrupto, incompetente e ladrão.
Eu nem gostaria de usar por sua antiguidade mas cabe aqui, no desejo de 
acelerar o processo, o uso de um velho chavão: "Quanto pior, melhor."

Carlos Antônio.



Fonte: UOL NOTÍCIAS

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/2006/12/11/ult579u2023.jhtm


11/12/2006
Caos nos aeroportos expõe deficiências da infra-estrutura brasileira

Jonathan Wheatley
Em São Paulo

Três semanas antes de o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, dar 
início ao seu segundo mandato de quatro anos, os acontecimentos ocorridos nos 
últimos dias indicam que ele enfrenta sérios obstáculos para a sua meta de 
reativar a economia, gerando um crescimento sustentável e mais rápido.

Uma derrota humilhante no Congresso revela que o desafio de construir uma 
aliança de trabalho entre os seus parceiros de coalizão poderá ser mais difícil 
de superar agora do que no início do seu primeiro mandato.

Dois meses de caos nos aeroportos do país, que quase culminaram com a suspensão 
do controle de tráfego aéreo na semana passada, servem como um lembrete das 
necessidades urgentes de investimento em infra-estrutura - e também, dizem os 
críticos, dos repetidos fracassos deste governo.

A crise, que teve início com um acidente aéreo em setembro que provocou a morte 
de 154 pessoas, provocou a seguir a suspensão de dez controladores de tráfego 
aéreo e, sob crescente pressão, os colegas desses profissionais deram início a 
uma operação-padrão em meados de outubro. O efeito indireto dos atrasos 
resultantes deixou milhares de passageiros aguardando pelos seus vôos nos 
aeroportos. Na semana passada, três aeroportos brasileiros ficaram fechados 
durante várias horas depois que um erro de manutenção provocou a interrupção 
das comunicações do controle de tráfego aéreo.

"Lula diz que deseja que a economia cresça 5% ao ano", diz Fernando Gabeira, 
congressista pelo Partido Verde, que faz parte da coalizão do presidente. "Isso 
é algo típico da esquerda, sonhar com uma meta e depois descobrir como 
alcançá-la. Mas o blecaute da aviação demonstra novamente que a infraestrutura 
do país não está pronta para o crescimento".

O caos revelou deficiências no que diz respeito a equipamentos e a 
gerenciamento. Autoridades graduadas, incluindo o ministro da Defesa, a quem os 
funcionários do setor de aviação civil estão subordinados, deverão perder os 
seus cargos.

Mas Lula da Silva, aparentemente temendo o custo político, se distanciou da 
crise, de forma semelhante ao que fez durante os escândalos de corrupção 
envolvendo assessores próximos a ele, durante o seu primeiro mandato.

"Lula está, como sempre, se fingindo de morto", critica Luciano Dias, consultor 
político de Brasília.

Lula da Silva assumiu ele mesmo a difícil tarefa de criar alianças com membros 
do futuro Congresso, um trabalho geralmente reservado a um assessor graduado. 
No início do mandato que agora se aproxima do fim, essa responsabilidade coube 
a José Dirceu, um dos mais antigos amigos e mais próximos aliados políticos do 
presidente. Dirceu foi expulso do Congresso por ter liderado aquilo que o 
procurador-geral descreveu como "uma sofisticada organização criminosa" que 
supostamente pagava propinas a parlamentares em troca de apoio.

Lula da Silva parecia ter começado bem quando recentemente chegou a um acordo 
com a ala da oposição do PMDB, um conglomerado confuso de interesses regionais 
que se constitui no maior partido político no Congresso.

Mas o acordo fracassou no seu primeiro teste na última quarta-feira, quando os 
parlamentares votaram para designar um cargo vitalício no comitê de contas 
públicas - uma posição cobiçada, que proporciona ao seu detentor várias viagens 
de primeira classe ao exterior, geralmente reservada aos legisladores veteranos 
que se aproximam do final das suas carreiras. 

O PT, o partido de esquerda do presidente, no entanto, tentou impor o seu 
próprio candidato. Em parte por se revoltarem com aquilo que viram como a 
arrogância do PT, e em parte para demonstrar que não abririam mão dos melhores 
cargos, dezenas de membros do PMDB votaram com a oposição em uma eleição 
secreta, e o candidato do PT foi derrotado.

Uma maioria funcional no Congresso é um pré-requisito para que o presidente 
concretize a sua ambição de gerar um crescimento econômico de pelo menos 5% ao 
ano - o dobro da média que prevaleceu nos últimos 15 anos. 

Os economistas concordam que um crescimento mais rápido exigiria amplas 
reformas no setor fiscal e em outras áreas. Mas Lula da Silva ainda não 
apresentou propostas nesse sentido.

Tais reformas exigiriam também um gerenciamento hábil. Os fatos ocorridos na 
última semana são um indicador da quantidade de trabalho que há pela frente.

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