Kleber, 

Sem essa de dizer que era muito novo. Estou falando sério.
Quem conheceu o Mino Carta dos anos 60, e é isto que eu quero saber, pode 
reconhecê-lo agora?

Carlos Antônio.


----- Original Message ----- 
From: AKA 
To: [email protected] 
Sent: Thursday, December 14, 2006 12:38 PM
Subject: [gl-L] Fwd: [Acrópolis] MANUAL LULA DE JORNALISMO




É o Dines que está escrevendo, fica mais difícil tacha-lo de reacionário
de direita , coisa frequente quando faltam argumentos e a matéria não
agrada. Sobra também para o panfleto CartaCapital.


http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=411JDB001 

MANUAL LULA DE JORNALISMO
Como esconder notícias ruins ou transformá-las em boas

Por Alberto Dines em 12/12/2006

"A imprensa só publica notícia ruim", declarou em improviso o presidente
Lula na terça-feira (5/12), em cerimônia oficial no Palácio do Planalto. E
acrescentou maliciosamente que notícia ruim deve ser um bom negócio, já que
é veiculada com tanta freqüência (título principal da pág. A-10 da *Folha de
S.Paulo* de quarta, 6/12). Naquele mesmo dia o "apagão aéreo" viveu o seu
momento culminante.

Como já foi dito neste *Observatório*, devemos louvar a Divina Providência
por não ter permitido que Lula da Silva estivesse incumbido naquele dia de
algum trabalho jornalístico. Caso contrário, no seu jornal/rádio/TV a
notícia do caos nos aeroportos jamais teria sido publicada. Mesmo que
testemunhada e vivenciada por milhares de brasileiros nos principais
aeroportos do país.

Lula não precisa ser jornalista, há jornalistas dispostos a eliminar as
notícias ruins dos respectivos veículos sem qualquer cerimônia. Ou
simplesmente transformá-las em notícias favoráveis.

Exatamente isso aconteceu com a matéria de capa da última
*CartaCapital*(13/12, págs. 26-31): o bravo semanário seguiu o "Manual
Lula de Jornalismo"
e conseguiu o milagre de converter a débâcle no tráfego aéreo brasileiro
motivada pela tragédia do Boeing da Gol em mera "turbulência política"
atiçada pela "nostalgia golpista" de setores civis e militares.

Segundo a revista, o apagão aéreo não existe (foi invenção da oposição logo
encampada pela mídia), assim também a operação-padrão iniciada pela minoria
de civis que trabalha como controladores de vôo.

A idéia central da reportagem é comprovar que a "proposta de
desmilitarização da aviação civil acirra os conflitos entre o Ministério da
Defesa e a Aeronáutica". Mas o que tem sido divulgado pelo próprio governo é
justamente o contrário: o comando da Aeronáutica aceita o controle civil do
trafego aéreo ficando com os militares a defesa do espaço aéreo.
*

Gabinete de crise
*

De acordo a mesma matéria, o desempenho do ministro Waldir Pires à frente do
Ministério da Defesa, tem sido impecável. Inclusive na condução da crise da
Varig e a sua solução através das forças do mercado, apesar dos "traumas
para milhares de trabalhadores".

Nenhuma palavra sobre o trauma sofrido pelos trabalhadores que operavam a
torre de Brasília na hora da colisão entre o Boeing e o Legacy. Nem sobre a
sua responsabilidade no acidente devido às precárias condições de trabalho.

Antes mesmo da decisão judicial que permitiu a devolução dos passaportes dos
pilotos do Legacy, a revista é taxativa ao constar que o desastre resultou
da "convergência da má sorte com a irresponsabilidade dos dois pilotos
americanos".

A decisão de entregar à ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, a
organização de um "gabinete de crise" para monitorar a situação no setor
aéreo foi transformada numa boa notícia para o ministro da Defesa: segundo a
revista, ele deverá coordenar os trabalhos. O noticiário emanado do governo
afirma o contrário: a ministra Dilma Rousseff será a gerenciadora do grupo.
*

Não aprovaria
*

Waldir Pires merece o respeito dos brasileiros pela sua biografia política
(que ocupa grande parte da reportagem), mas esta dívida não pode ser paga
através da manipulação de informações em assunto de tamanha gravidade.

Em matéria de pagamento, aliás, a *CartaCapital* não pode se queixar: nesta
edição, do total de 33 páginas pagas ou permutadas (24 de anúncios e nove de
um caderno especial), 19 (cerca de 57%) saíram do bolso do contribuinte (as
nove do caderno especial pago pelo BNDES e dez por outras empresas públicas,
entre elas o Banco do Brasil, Petrobras e Correios).

Esse é um tipo de jornalismo que Lula, o crítico de mídia, certamente não
aprovaria. Mesmo sendo o seu beneficiário.



 

Responder a