Falando de uma posicao confortavel, ja que nao fui vitima... Os regimes ditatoriais de qualquer lado estao errados, porem, teve resultado ? 3 mil e' pouco para fazer uma nacao..cuba matou muito mais gente, e esta em uma m*rda de dar gosto
Infelizmente nao existe uma maquina do 'what if', pois gostaria de ver a direcao que o mundo tomaria 'if'. O caso do Lula por exemplo, eu sempre preguei que o PT deveria conquistar a presidencia UMA vez, e apostei que iam acordar para o que o PT e'. Achava que um mandato nao era suficiente para eles fazerem muita besteira... Mea culpa... ccarloss wrote: > > > > http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/2006/12/11/ult579u2025.jhtm > > 11/12/2006 > O déspota que presidiu com terror e reforma econômica > > Robert Graham, David Pilling e Richard Lapper > > O general Augusto Pinochet, o ex-ditador militar do Chile que morreu aos 91 > anos, foi uma das figuras mais controversas da América Latina do século 20. > > Em sua idade avançada, os esforços contínuos primeiro do Reino Unido e da > Espanha, depois de uma série de juízes chilenos, para julgá-lo pelos abusos > aos direitos humanos ganharam manchetes por todo o mundo e acentuaram dois > lados de seu legado: por um lado ele presidiu um regime sem dúvida assassino; > por outro, ele foi o homem que abriu o caminho para a prosperidade econômica. > > Fora do Chile, ela era visto por muitos como o tirano sul-americano > arquetípico -parte caricatura, com seus sinistros óculos escuros e uniforme > militar estilo prussiano, parte assustador como criador de um Estado policial > que prosperou com tortura e repressão. Dentro do Chile, as opiniões sobre o > homem que, em 1973, derrubou o governo socialista de Salvador Allende, são > mais complexas. > > Pinochet foi chave na modernização do Estado chileno e no estabelecimento das > fundações do crescimento econômico sustentado. Ele também foi um dos poucos > ditadores que voluntariamente, mesmo que de forma relutante, abriu mão do > poder. Ele acreditava que seu papel histórico tinha sido mostrar ao mundo que > o comunismo era reversível. > > Mas as repetidas tentativas de levá-lo a julgamento -ele foi indiciado pelo > assassinato de dois dos guarda-costas de Allende apenas nas últimas semanas e > enfrentava um processo por evasão fiscal e fraude- ajudaram a manchar sua > reputação mesmo entre seus simpatizantes mais fervorosos. > > Nascido em uma família de classe média baixa em 1915, em Valparaíso, o filho > mais velho de seis de um funcionário do porto, ele foi encorajado por sua mãe > ambiciosa a entrar na academia militar. O jovem franzino de 16 anos foi > aceito apenas na terceira tentativa, uma humilhação que lhe deu uma obsessão > por toda a vida com a forma física. > > Pinochet começou a escalar a hierarquia militar e ascendeu a comandante de > guarnição em Santiago na época em que Allende colocou o Chile na rota do > socialismo, no início dos anos 70. Foi apenas 19 dias antes do golpe que > levou à sua morte que Allende nomeou Pinochet -que conquistou uma reputação > de constitucionalista obediente, mesmo que pouco notável- como comandante > chefe das forças armadas. > > O papel de Pinochet na derrubada de Allende é ambíguo. Ele alegava ter > planejado o golpe. Outros conspiradores argumentam que ele foi persuadido a > participar na última hora. Seja qual for a verdade, Pinochet rápida e > incontestavelmente se tornou o líder da junta de quatro homens -se declarando > presidente em 1974- e deu início à tarefa de reprimir a oposição. > > A ferocidade e precisão cirúrgica de tal repressão provocou repulsa no Mundo > e tornou o Chile um Estado pária internacional por quase duas décadas. Nos > anos que se seguiram, os corpos de suspeitos de serem simpatizantes de > esquerda iam parar regularmente no lodoso Rio Mapocho ou eram encontrados em > valas comuns. > > Uma rígida censura, a proibição de todos os partidos políticos e o desejo de > muitos chilenos de fazer vista grossa fez com que apenas após a publicação do > relatório Rettig, em 1991, é que todo o horror do que aconteceu se tornasse > público. Cerca de 3 mil pessoas foram mortas ou "desapareceram" (um verbo que > se tornou sinônimo do Chile), dezenas de milhares foram rotineiramente > torturados e outros mais foram para o exílio. > > Pinochet considerava o terror institucional, promovido por sua temida polícia > secreta, como uma arma legítima. Seus simpatizantes argumentam que mais > pessoas teriam morrido se o Chile tivesse mergulhado em uma guerra civil. > > Mas o controle político absoluto foi combinado com gradual redução do papel > econômico do Estado. Pinochet foi persuadido por seus aliados empresariais, > muitos deles influenciados pelos "Chicago Boys" -os seguidores da escola de > Chicago de economia de livre mercado, que acreditavam que esta era melhor > proteção contra o marxismo. > > Apesar da inclinação de Pinochet a políticas econômicas mais nacionalistas, > ele permitiu que seus consultores civis abrissem a economia e desmontassem o > modelo de substituição de importados do Chile. Os subsídios e controles de > preços foram eliminados, as tarifas reduzidas e um regime liberal de > investimento estrangeiro foi estabelecido. A inflação, que chegou a > proporções de Weimar sob Allende, foi fortemente reduzida, as despesas do > governo com folha de pagamento foram cortadas pela metade e os gastos > públicos também foram reduzidos. Empresas estatizadas foram devolvidas ao > setor privado e o poder sindical foi coibido. > > A economia sofreu um baque devido a esta terapia de choque, encolhendo 13% em > 1975, mas se recuperou fortemente nos cinco anos até 1981. Mas a dependência > excessiva em empréstimos estrangeiro fez com que o Chile fosse duramente > atingido, mais que qualquer outro país latino-americano, pela crise da dívida > no início dos anos 80. Quase um terço da força de trabalho chilena estava > desempregada e a economia murchou mais 14%. > > Mais políticas pragmáticas restauraram a saúde econômica nos anos que se > seguiram, mas a crise de 1982 foi uma divisora de águas na carreira de > Pinochet. Um enorme "panelaço", um protesto simbolizando fome, ocorreu em > Santiago e a oposição política começou a se organizar. Pinochet tinha sido > abandonado pela classe média. Quando se sujeitou a um plebiscito em outubro > de 1988, a maioria dos chilenos -66%- sentiu que o país não precisava mais de > uma liderança militar envelhecida. Pinochet percebeu que tinha julgado mal o > sentimento do país. > > Pinochet tinha muitas personalidades diferentes. O homem que gritava ordens > aos seus subalternos, que costumava vestir capa e zombava das tentativas de > assassinato, foi transformado durante a campanha de 1988 em uma figura de > avô, vestindo roupas civis e freqüentemente beijando bebês. Na vida privada > ele era um total não fumante que foi profundamente influenciado pelos desejos > de sua esposa formidável, Lucía Rodríguez. > > Após a transferência de poder, Pinochet permaneceu chefe das forças armadas e > tentou se colocar no papel de "protetor da democracia". Tal papel ambíguo > chegou a um fim dramático em uma clínica de Londres em 1998, para onde foi > para uma cirurgia nas costas. Lá ele foi preso a pedido da Justiça espanhola > para que fosse extraditado para Madri, onde enfrentaria acusações de crimes > contra a humanidade. > > O caso causou controvérsia no Reino Unido. Jack Straw, o então ministro do > Interior do Partido Trabalhista, tinha participado de manifestações contra > Pinochet na juventude. Margaret Thatcher, a ex-primeira-ministra > conservadora, defendeu o general, dizendo que foi um amigo fiel durante a > Guerra das Malvinas. > > Em março de 2000, Pinochet foi autorizado a voltar para casa com base de que > estava velho e doente demais para suportar julgamento. Mas nos anos que se > seguiram, juízes chilenos destituíram Pinochet da imunidade legal que > desfrutava e ele enfrentou uma série de processos por violações de direitos > humanos, conseguindo escapar de julgamento apenas pela idade avançada e saúde > ruim. Uma outra série de acusações de evasão fiscal, fraude e outras > impropriedades financeiras desacreditou ainda mais Pinochet. > > O próprio Pinochet continuou defendendo seu histórico, argumentado em uma > carta lida recentemente por sua esposa que sua única motivação para governar > o Chile foi "tornar o país grande e evitar sua desintegração". Mas para > muitos, o preço foi alto demais. > >
