Publicada em: 21/12/2006 

     
        A LÓGICA DO CAPITAL 
      . 
      A empresa alemã ThyssenKrupp vai "importar" 600 trabalhadores chineses 
para a construção de uma usina siderúrgica no Rio de Janeiro. O termo 
importação é apropriado, pois os chineses serão tratados como mercadoria. Virão 
ao Rio, ficarão instalados num alojamento junto à obra e, encerrado os 
trabalhos, retornam à China. 

      Talvez nem tenham tempo de conhecer o Rio de Janeiro, já que a 
siderúrgica será construída no afastado distrito industrial de Santa Cruz. A 
globalização chega à mão-de-obra, mas não na mobilidade de cruzar fronteiras a 
seu bel prazer, como o capital, mas na forma de pacote fechado de grandes 
empreendimentos. 

      A ThyssenKrupp não está trazendo diretamente os chineses. Ela está 
contratando uma empresa chinesa para construção de uma coqueria, que incluiu no 
seu preço - barato, naturalmente - a vinda de trabalhadores chineses. Segundo 
informação do jornal Valor, a idéia da empresa chinesa era trazer 4 mil 
trabalhadores, mas o ministério do Trabalho "só" teria autorizado 600.

      A lógica do capital é reduzir ao máximo o custo do seu investimento. 
Certamente não passou pela cabeça da ThyssenKrupp trazer trabalhadores alemães, 
organizados e caros, e até o trabalhador brasileiro foi preterido. Tem chinês 
de sobra no mercado, a preço de banana. Melhor, só a escravidão. Mas essa foi 
abolida no Brasil, embora alguns empresários e fazendeiros ainda a utilizem em 
rincões remotos do país.

      Surpreendente, também, principalmente num país governado por um 
ex-operário metalúrgico, é a autorização para a importação de mão-de-obra 
estrangeira. Se trabalho abundasse por aqui, ainda seria discutível, mas com os 
índices de desemprego brasileiros é inadmissível.

      Pior ainda é que, além de permitir a vinda da mão-de-obra, o governo vai 
conceder isenção de impostos para a importação de bens de capital. Tudo bem que 
foi feita a ressalva de que não exista similar nacional, mas daqui a pouco o 
país estará pagando pelo investimento.

      A situação, além de questionável eticamente, pode ser explosiva. Imagina 
como estes chineses serão recebidos pela legião brasileira de desempregados 
ansiosa por obras de grande porte que absorvem grande volume de mão-de-obra? 
Conflitos podem explodir com conseqüências trágicas.

      Para trazer este contingente, a empresa alegou tratarem-se de 
engenheiros, o que deveria ser verificado com lupa. Se inicialmente seriam 4 
mil trabalhadores chineses, o que fariam os demais? Depois, 600 engenheiros 
parece ser exagerado mesmo para uma obra de porte como a construção de uma 
coqueria. Em nenhum momento foi revelado quantos trabalhadores brasileiros 
serão empregados na obra civil da coqueria.

      O ministério do Trabalho, encabeçado pelo ex-dirigente sindical Luiz 
Marinho, tem todas as condições de verificar esses dados. Que o faça antes que 
a situação se transforme em novo motivo de vergonha para o Brasil. 



      Fonte: Direto da Redação.

      http://www.diretodaredacao.com/

     

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