Eu não confirmei a fonte mas isto não importa muito pois a reportagem retrata a
verdade.
Carlos Antônio.
Parlamento ou chiqueiro?', diz 'Economist'
Fonte: Globo.com
Para revista britânica, eleição não recuperou imagem da Casa.
Reputação de instituição está "no fundo do poço", afirma texto.
A revista britânica "The Economist" publicou reportagem nesta quinta
(8) sobre a eleição para a presidência da Câmara com o seguinte título:
"Parlamento ou chiqueiro?". A publicação trata da campanha "mordaz" e
"fracassada para tentar limpar uma legislatura maculada" e diz que o cargo
de presidente -apesar da falta de regras- está entre os mais "influentes e
valorizados".
O título da revista se refere à palavra "pork" (carne de porco), mas
que no meio político pode ser traduzida como concessões a políticos para
que eles contemplem seus eleitores. No Congresso, a expressão seria
equivalente às emendas individuais do Orçamento, que privilegiam a região
do parlamentar. O termo é usado quando o texto se refere às exigências dos
políticos em troca de apoio ao governo.
A história que os três candidatos -Aldo Rebelo (PC do B-SP), Arlindo
Chinaglia (PT-SP) e Gustavo Fruet (PSDB-PR)- invocaram durante a campanha,
citando "heróis da independência, famosos abolicionistas e Moisés", irá
julgar se o petista vencedor da disputa conseguirá recuperar a reputação da
instituição, "que está no fundo do poço", avalia a revista.
"The Economist" ouviu o cientista político Bolívar Lamounier que
considera "essa geração de políticos lamentável" e afirma ser difícil
encontrar parlamentares de alto nível: "Você teria sorte em encontrar
dois", afirmou Lamounier à revista.
A publicação credita parte do problema à "fragmentação da política
brasileira" com "não menos que 21 partidos políticos representados" entre
513 deputados e à troca freqüente de partidos. "Mas apenas sete desses têm
presença nacional, o restante se resume a bandeiras de conveniência."
A reportagem também aborda a dificuldade que o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva teve em obter maioria na última legislatura, o que
acabou envolvendo seu governo em uma sucessão de escândalos e levou pessoas
próximas ao presidente -como o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu,
acusado de chefiar o esquema do mensalão- a deixarem a equipe de Lula.
O texto fala ainda da volta à Câmara de envolvidos no esquema, como
João Paulo Cunha, e da estratégia de Dirceu -próximo de Chinaglia- em
conseguir de volta seus direitos políticos.
"A resposta de Lula foi a promessa de reforma política, mas isso é
pedir aos perus que votem a favor do Natal. É necessário um presidente mais
determinado que Lula para conduzir medidas impopulares em uma legislatura
em que leis se sustentam ou caem de acordo com o capricho de interesses
pessoais, clientelas regionais e uma apetite voraz por um naco do Orçamento
e apadrinhamento político", afirma a revista britânica, lembrando que no
dia-a-dia o governo acaba abusando no uso de medidas provisórias.
A publicação conclui que a tarefa mais difícil de Chinaglia será
"proteger a democracia brasileira de si mesma".
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