Oi Carlos
Eu também sou suspeita pra falar. Não sigo nenhuma religião mas gosto do Boff :) -- Beijins Fa ------------------------------------------------------------------ "Quando o jogo esta à mil, minha naftalina sobe." - Jardel, jogador de futebol, ex-atacante do Vasco, Grêmio e da Seleção Brasileira ------------------------------------------------------------------- ccarloss escreveu: > Fa, > > Essas guerrinhas internas na Igreja Católica existem desde que ela foi > fundada. Eu não estou aqui defendendo nenhuma facção mas nunca levei > muita fé no Leonardo Boff. Vadetinha demais pro meu gosto. E a Teologia > da Libertação é um misto de Samba do Crioulo Doido com Bumba-Meu-Boi. > Tenho isenção para falar isso por não sou o que se possa chamar de > religioso. Tenho minha fé particular que é uma coisa muito minha, embora > a formação que eu tive na adolescência fosse carregada de uma forte > influência católica. Primeiro com jesuítas e depois com agostinianos. > Mas isso há muito foi deixado de lado e tracei o meu próprio caminho. E > se for descrever pra você como sinto e encaro o que é fé, escreverei uma > bíblia. Prefiro resumir em: fé, você tem ou não. E naquilo em que você > acredita independente do nome que tenha. > > Um beijão. > > Carlos Antônio. > > > > ----- Original Message ----- > *From:* Fatima Conti <mailto:[EMAIL PROTECTED]> > *To:* destinatarios-nao-revelados: <mailto:destinatarios-nao-revelados:> > *Sent:* Monday, May 14, 2007 3:59 AM > *Subject:* [gl-L] Leonardo Boff - Bento 16 e a guerra na igreja > > > Oi > > "Essa Igreja é necessariamente de poucos, coisa reafirmada pelo > teólogo Ratzinger em muitas de suas obras." > > -- > Beijins > Fa > ---------------------------------------------------------------- > "Se um pássaro te diz "Estás louco!", > deves estar, porque os pássaros não falam." > ---------------------------------------------------------------- > > > Leonardo Boff - Bento 16 e a guerra na igreja > ESPECIAL PARA A FOLHA em 13/05/2007 > > > AS GUERRAS não existem apenas no mundo. Dentro da igreja há também > uma guerra de baixa intensidade. Ela faz muitas vítimas, com os > instrumentos adequados da guerra religiosa, escondidos sob palavras, > não raro, piedosas e espirituais. Só para dar um exemplo pessoal: > quando fui condenado pelo então cardeal Joseph Ratzinger em 1985 por > causa do meu livro "Igreja: carisma e poder", foi-me imposto o que > ele denominou de "silêncio obsequioso". > Esse eufemismo implicava muita violência: deposição de cátedra, > remoção de editor religioso da Vozes, da redação da "Revista > Eclesiástica Brasileira", proibição severa de falar, dar entrevistas, > escrever e publicar sobre qualquer assunto. > Objetivamente "obsequioso" não possui nada de obsequioso. > O mesmo ocorreu com o teólogo da libertação Jon Sobrino, de El > Salvador, condenado em fevereiro deste ano. Recebeu apenas uma > "notificação". Esta inocente palavra, "notificatio", esconde > violência porque ele não pode mais falar, nem dar aulas, conceder > entrevistas e acompanhar qualquer trabalho pastoral. O vitimado por > uma condenação é "moralmente" morto, pois vem colocado sob suspeita > geral, tolhido, isolado e psicologicamente submetido a graves > transtornos, o que levou a alguns a terem neuroses e a um deles, > famoso, perseguido por idéias de suicídio. > Nós fomos, no mínimo, caçados e anulados, pois um teólogo possui > apenas como instrumento de trabalho a palavra escrita e falada. E > estas lhe foram seqüestradas, coisa que conhecemos das ditaduras > militares. > O que foi escrito acima parece irrelevante, pois é algo pessoal, mas > não deixa de ser ilustrativo da guerra religiosa vigente dentro da > Igreja. Nela o então cardeal Ratzinger era general. Hoje como papa é > o comandante em chefe. Qual é este embate? É importante referi-lo > para entender palavras e advertências do papa e a partir de que > modelo de teologia e de Igreja constrói o seu discurso. > Dito de uma forma simplificadora, mas real: há na igreja duas opções > claramente opostas, o que não impede que, na prática, possam se > entrelaçar. Face ao mundo, à cultura e à sociedade há a atitude de > confronto ou de diálogo. > A partir da Reforma no século 16 predominou na Igreja Católica romana > a atitude de confronto: primeiro com as Igrejas protestantes > (evangélicas) e depois com a modernidade. > Face à Reforma houve excomunhões, e face à modernidade, anátemas e > condenações de coisas que nos parecem até risíveis: contra a ciência, > a democracia, os direitos humanos, a industrialização. A Igreja se > havia transformado numa fortaleza contra as vagas de reformismo, > secularismo, modernismo e relativismo. Missão da igreja, segundo esse > modelo do confronto, é testemunhar as verdades eternas, anunciar a > Cristo como o único Redentor da humanidade e a Igreja sua única e > exclusiva mediadora, fora da qual não há salvação. > Em seu documento de 2000, Dominus Jesus, o cardeal Ratzinger reafirma > tal visão com a máxima clareza e laivos de fundamentalismo. Tudo é > centralizado no Cristo. Esta atitude belicosa predominou até os anos > 60 do século passado quando foi eleito um papa ancião, quase > desconhecido, mas cheio de coração e bom senso, João 23. Seu > propósito era passar do anátema ao diálogo. Quis escancarar as portas > e janelas da Igreja para arejá-la. Considerava blasfêmia contra o > Espírito Santo imaginar que os modernos só pensam erros e praticam o > mal. > Há bondade no mundo, como há maldade na Igreja. Importa é dialogar, > intercambiar e aprender um do outro. A Igreja que evangeliza deve ela > mesma ser evangelizada por tudo aquilo que de bom, honesto, verdadeiro > e sagrado puder ser identificado na história humana. > Deus mesmo chega sempre antes do missionário, pois o Espírito Criador > sopra onde quiser e está sempre presente nas buscas humanas > suscitando bondade, justiça, compaixão e amor em todos. A figura do > Espírito ganha centralidade. > Fruto da opção pelo diálogo foi o Concílio Vaticano 2º (1962-1965), > que representou um acerto de contas com a Reforma pelo ecumenismo e > com a modernidade pelo mútuo reconhecimento e pela colaboração em > vista de algo maior que a própria Igreja, uma humanidade mais > dignificada e uma Terra mais cuidada. > Este "aggiornamento" trouxe grande vitalidade em toda a Igreja, > especialmente na América Latina, que criou espaço para aquilo que se > chamou de Igreja da base ou da libertação e da Teologia da > Libertação. Mas acirrou também as frentes. > Grupos conservadores, especialmente incrustados na burocracia do > Vaticano, conseguiram se articular e organizaram um movimento de > restauração, de volta à grande tradição. > Este grupo foi enormemente reforçado sob João Paulo 2º, que vinha da > resistência polonesa ao marxismo. Chamou como braço direito e > principal conselheiro, seu amigo, o teólogo Joseph Ratzinger, > elevando-o diretamente ao cardinalato e fazendo-o presidente da > Congregação para a Doutrina da Fé, a ex-Inquisição. > Aí se processou de forma sistemática, vinda de cima, uma verdadeira > Contra-Reforma Católica. O próprio cardeal Ratzinger no seu conhecido > "Rapporto sulla fede", de 1985, um verdadeiro balanço da fé, dizia > claramente: "A restauração que propiciamos busca um novo equilíbrio > depois dos exageros e de uma abertura indiscriminada ao mundo". > Ele elaborou teologicamente a opção pelo confronto a partir de sua > formação de base, o agostinismo, sobre o qual fez duas teses > minuciosamente trabalhadas. Notoriamente Santo Agostinho opera um > dualismo na visão do mundo e da Igreja. Por um lado está a cidade de > Deus e por outro a cidade dos homens, por uma parte a natureza > decaída e por outra, a graça sobrenatural. > O Adão decaído não pode redimir-se por si mesmo, seja pelo trabalho > religioso e ético (heresia do pelagianismo) seja por seu empenho > social e cultural. > Precisa do Redentor. Ele se continua e se faz presente pela Igreja, > sem a qual nada ganha altura sobrenatural e se salva. > Em razão desta chave de leitura, o papa Bento 16 se confronta com a > modernidade, vendo nela a arrogância do homem buscando sua > emancipação por próprias forças. Por mais valores que ela possa > apresentar, não são suficientes, pois não alcançam o nível > sobrenatural, único caráter realmente emancipador. Nela vê mais que > tudo secularismo, materialismo e relativismo. Essa é também sua > dificuldade com a Teologia da Libertação. A libertação social, > econômica e política que pretendemos, segundo ele, não é verdadeira > libertação, porque não passa pela mediação do sobrenatural. > Para concluir, se o atual papa tivesse assumido uma teologia do > Espírito, coisa ausente em sua produção teológica, teria uma leitura > menos pessimista da modernidade. > No atual momento se dá o forte embate entre essas duas opções. A > Igreja latino-americana pende mais pela opção do diálogo. Esta é mais > adequada à cultura brasileira que não é fundamentalista nem > dogmática, mas profundamente relacional e dialogal com todas as > correntes espirituais. > Somos naturalmente sincréticos na convicção de que em todos os > caminhos espirituais há bondade para além dos desvios e que, > definitivamente, tudo acaba em Deus. > Não parece ser esta a opção de Bento 16: seus discursos enfatizam a > construção da Igreja em sua forte identidade para que seu testemunho > seja vigoroso e possa levar valores perenes a um mundo carente deles, > como se viu claramente em seu discurso aos bispos brasileiros na > catedral de São Paulo. > Essa Igreja é necessariamente de poucos, coisa reafirmada pelo teólogo > Ratzinger em muitas de suas obras. Mas esses poucos devem ser santos, > zelosos e comprometido com a missão de orientar e conduzir os muitos, > sem se deixar contaminar por eles e pelo mundo. > Ocorre que esses poucos nem sempre são bons. Haja vista os padres > pedófilos. Por isso, a Igreja precisa renunciar a certa arrogância, > ser mais humilde e confiar que o Espírito e o Cristo cósmico dirijam > seus passos e os da humanidade por caminhos com sentido e vida. > > ________________________________ > > LEONARDO BOFF é teólogo da libertação e escritor. Em 1985, foi > condenado pelo então cardeal Joseph Ratzinger ao "silêncio > obsequioso" > ________________________________ > > Folha de São Paulo, 13/05/2007 > > Também em 14/05/2007 > http://www.itapedigital.com.br/rol/index.php?option=com_content&task=view&id=1126&Itemid=9 > > <http://www.itapedigital.com.br/rol/index.php?option=com_content&task=view&id=1126&Itemid=9> > > Recebi de "Sergio Milani" na [ Mistura-Fina ] > > > -- > No virus found in this incoming message. > Checked by AVG Free Edition. > Version: 7.5.467 / Virus Database: 269.7.0/803 - Release Date: 13/5/2007 > 12:17 > > > > > --- > > Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se. > > Comentários: www.yahoogroups.com/group/goldenlist-L/messages > <http://www.yahoogroups.com/group/goldenlist-L/messages> > > Newsletter: www.yahoogroups.com/group/goldenlist/messages > <http://www.yahoogroups.com/group/goldenlist/messages> > > Yahoo! Groups Links > > > > > > ------------------------------------------------------------------------ > > no mail with banners > > > > ------------------------------------------------------------------------ > > No virus found in this incoming message. > Checked by AVG Free Edition. > Version: 7.5.467 / Virus Database: 269.6.8/797 - Release Date: 10/05/2007 > 17:10
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