Oi

02/07/2007

Consumismo excessivo é a marca do novo movimento verde

De Alex Williams

Eis aqui uma imagem popular referente à salvação do planeta: deixe o 
aconchego dos suntuosos lençóis de fibra de cânhamo na sua cama, vista 
uma calça de algodão orgânico da Levi's, de US$ 245 e uma camisa de 
tricô biodegradável da Armani.

Saia do seu quarto, movimente-se pela casa eco-McMansion, dotada de 
painéis solares fotovoltaicos, e dirija-se à cozinha remodelada com 
madeira reciclada. Entre na garagem para três carros iluminada com 
lâmpadas fluorescentes que consomem pouca energia e sente-se atrás do 
volante do seu Lexus híbrido de US$ 104 mil.

Dirija até o aeroporto, e embarque num vôo de 12,8 mil quilômetros -- 
tomando o cuidado de comprar direitos para o consumo de carbono -- e 
passe uma semana jogando bolas de golfe feitas com comida de peixe 
compactada em um eco-resort nas Ilhas Maldivas.

Essa imagem de uma vida eco-sensível baseada em uma série de escolhas a 
respeito do que comprar atrai milhões de consumidores e sem dúvida 
define o atual movimento ambiental como preocupado ao mesmo tempo com o 
destino da Terra e com uma vida de estilo.


Escolha ecológica

Segundo um relatório divulgado recentemente, cerca de 35 milhões de 
norte-americanos compram regularmente produtos comercializados como 
ecológicos. A diversidade desses produtos é muito grande, abrangendo 
desde os batons de cera de abelhas orgânica da floresta tropical do 
oeste de Zâmbia até os automóveis Toyota Prius. Com passos graduais, um 
número cada vez maior de consumidores procura o que deseja no catálogo 
de 60 mil produtos disponível no novo programa Opções Ecológicas da Home 
Depot.

Tais escolhas estão na moda neste momento em que as celebridades 
preocupadas com o aquecimento global aparecem na capa da 'edição verde' 
da revista "Vanity Fair", e astros populares como Kelly Clarkson e Lenny 
Kravitz se preparam para agir em prol do planeta nos concertos da série 
Live Earth, em 7 de julho, que ocorrerão em diversos locais de todo o mundo.

Os consumidores abraçaram o estilo de vida verde, e em grande parte o 
movimento verde tradicional adotou o consumismo verde. Mas até mesmo 
neste momento de alta visibilidade e impacto para os ativistas 
ambientais, uma facção dissidente do movimento passou a criticar aquilo 
que à vezes chama de "verdes light". Esses críticos questionam a idéia 
de que possamos reverter o aquecimento global comprando os produtos 
rotulados de "amigos da Terra", entre os quais estão roupas, carros, 
casas e férias, quando o efeito cumulativo do nosso consumo continua 
sendo enorme e perigoso.


Como ser 'eco-sexy'

"Existe atualmente uma idéia bastante generalizada segundo a qual tudo o 
que precisamos fazer para evitar catástrofes em escala planetária é 
tomar decisões de compra ligeiramente diferentes", critica Alex Steffen, 
diretor-executivo do Worldchanging.com, um website dedicado às questões 
relativas à sustentabilidade. A solução genuína, segundo ele e outros 
críticos, é reduzir significativamente o consumo de bens e recursos. Não 
basta construir uma casa de férias com madeira reciclada. A maneira real 
de reduzir as emissões de carbono é ter apenas uma casa.

Comprar um carro híbrido não ajudará caso este seja o Lexus mencionado 
acima, o luxuoso modelo LS 600h L, que faz 9,3 quilômetros por litro na 
estrada; o Toyota Yaris (US$ 11 mil) faz 17,3 quilômetros por litro nas 
rodovias com um motor comum a gasolina.

É como se as milhões de pessoas que os ambientalistas conseguiram 
convencer com sucesso a se preocuparem com o aquecimento global 
estivessem passando por um momento do tipo "coma bem e à vontade": ao se 
depararem com uma caixa de biscoitos de chocolates sem gordura, que 
acabam de maneira deliciosa com qualquer sensação de culpa, esses 
indivíduos comem o conteúdo inteiro da caixa, evitando a gordura, mas 
empaturrando-se de calorias.

A questão do consumismo verde está chamando atenção para uma divisão no 
seio do movimento ambiental: "Os ambientalistas da velha guarda baseada 
na auto-abnegação versus esse grupo que deseja comprar uma espécie de 
caminho para os céus", diz Chip Giller, fundador do Grist.org, um blog 
ecológico que alega contar com 800 mil leitores por mês. "Nos últimos 
dois meses tem aumentado a preocupação do campo tradicional em relação 
às extravagâncias do novo movimento verde -- do tipo '55 maneiras 
maravilhosas de ser eco-sexy'", diz Giller.

"Entre os verdes tradicionais, existe o temor de que grande parte da 
população acredite que exista uma solução fácil para esse problema de 
dimensões planetárias".

Tradução: UOL



Retirado de
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2007/07/02/ult574u7551.jhtm

-- 
Beijins
Fa
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"Qualquer que seja o passado de alguém,
  seu futuro é sempre imaculado..."
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