Em novilingua, eles foram apagados..

AKA wrote:
> e viva a democracia PTista
> 
> ---------- Forwarded message ----------
> 
>   A reportagem original da Folha
> 
> Ipea "expurga" economistas divergentes
> 
> Quatro pesquisadores independentes e considerados não alinhados ao
> atual pensamento econômico do governo foram afastados nesta semana do
> Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), no Rio, pela nova
> direção do instituto, vinculado ao Núcleo de Assuntos Estratégicos,
> comandado por Roberto Mangabeira Unger. São eles: Fabio Giambiagi,
> Otávio Tourinho, Gervásio Rezende e Regis Bonelli. Os dois primeiros,
> que estavam cedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
> Econômico e Social), foram informados de que seus convênios não seriam
> renovados no vencimento, em dezembro. Já para os outros dois, que
> estão no Ipea há 40 anos e faziam trabalhos regulares para o
> instituto, a alegação foi a de que eles já estavam aposentados.
> 
> Procurados pela Folha, por meio de suas assessoria de imprensa, os
> economistas Marcio Pochmann, presidente do Ipea, e João Sicsú, diretor
> de Estudos Macroeconômicos do órgão, considerada a mais importante
> posição do instituto, e que fica instalada no Rio, não se
> pronunciaram. A assessoria da Ipea confirmou a saída dos quatro
> pesquisadores, mas deu motivos diferentes dos que foram apurados pela
> Folha. De acordo com a versão oficial, Giambiagi e Tourinho teriam
> pedido para voltar para o BNDES, e, em relação aos outros dois, o Ipea
> informou que apenas estariam aposentados.
> 
> Segundo a Folha apurou, no entanto, Giambiagi e Tourinho teriam sido
> informados ou por Sicsú ou por seu assessor Renault Michel de que seus
> convênios com o BNDES não seriam renovados. Os dois já estavam cedidos
> ao Ipea pelo BNDES há vários anos. Já Bonelli e Rezende, especialistas
> respectivamente em indústria e agricultura, foram convidados a deixar
> as salas que ocupavam no Ipea por já estarem aposentados. No governo
> Fernando Henrique Cardoso, Bonelli ocupou uma diretoria do BNDES, e
> Rezende, uma diretoria da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
> Para os quatro, a direção do Ipea alegou que havia irregularidades nos
> contratos deles com o instituto.
> 
> Os quatro pesquisadores tinham em comum também o fato de serem
> críticos do excesso de gastos do governo, o que contraria o pensamento
> tanto de Pochmann como de Sicsú, que se definem "desenvolvimentistas"
> e defendem um aumento da política de gastos públicos para acelerar o
> crescimento da economia.
> 
> O clima no Ipea é de indignação e desconforto com a saída dos quatro
> economistas. Ontem, pesquisadores do instituto organizaram um almoço
> de solidariedade, no Rio, aos quatro técnicos afastados. O ambiente
> era de preocupação com a nova orientação da direção do instituto.
> 
> Considerado um dos maiores centros do pensamento econômico do país, o
> Ipea, criado há 43 anos, sempre se caracterizou pela liberdade de
> pensamento. Mesmo no período da ditadura militar, o Ipea nunca deixou
> de exercitar a crítica -por exemplo, à política de distribuição de
> renda.
> 
> O ex-deputado Delfim Netto, que comandou a economia no período de 1979
> a 1985, durante o regime militar, chegando a ser chamado de
> superministro, lamentou e criticou a saída dos quatro pesquisados do
> Ipea. Delfim foi até chamado por Pochmann -e aceitou- para assumir o
> cargo de conselheiro do Ipea."Tenho esses profissionais [os quatro
> pesquisadores afastados] em alta conta. São economistas dedicados à
> pesquisa, com boa formação acadêmica e trabalhos relevantes prestados
> à economia brasileira", afirmou o ex-deputado.
> 
> Delfim lembrou-se do período do autoritarismo e de sua convivência com
> o Ipea, quando ministro: "Nunca houve censura de nenhuma natureza no
> Ipea. No período da ditadura, eles atacavam a ditadura à vontade e
> ainda recebiam aumento de salário. O que espero é que não haja nenhuma
> censura à pesquisa acadêmica que o Ipea tem produzido".
> 
> Outros pesquisadores do Ipea, segundo a Folha apurou, pensam em deixar
> o instituto. O economista Ricardo Paes de Barros, um dos maiores
> especialistas do país da área social e um nome reconhecido
> internacionalmente, já está de passagem marcada para Chicago, nos
> Estados Unidos, onde irá permanecer por um tempo dando aulas e
> realizando seminários.
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