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DEBATE ABERTO

Os dez mais

Dando seqüência aos meus comentários sobre as perspectivas políticas de figuras importantes da política nacional, segue minha lista com dez nomes que se deram bem nessas eleições e têm tudo para trilhar um caminho de flores no próximo período. Minha relação tem Lula, Serra, Aécio e até Benedita da Silva.

Maurício Thuswohl

Luiz Inácio Lula da Silva
– Foi ungido pela soberana vontade popular e agora tem a oportunidade histórica de dar uma inflexão à esquerda em seu segundo governo e se tornar de fato “o melhor presidente da história desse país”, como gosta de repetir. Se adotar uma política econômica voltada ao crescimento e ao desenvolvimento sustentável, aperfeiçoar as políticas sociais, fazer as reformas necessárias (agrária, política, etc) e aprofundar conquistas como a redução do desmatamento na Amazônia e a redução da pobreza, Lula tem tudo para, se quiser, voltar nos braços do povo em 2014.

José Serra – Passadas as eleições, é o homem que está no comando do maior partido de oposição do Brasil. A vitória no primeiro turno em São Paulo o credencia como candidato natural do PSDB à Presidência em 2010, e ele dificilmente abrirá mão dessa prerrogativa depois de ter dado vez a Geraldo Alckmin esse ano. Líder da ala desenvolvimentista do PSDB, Serra pode lucrar com uma certa aproximação institucional com o governo Lula. No plano interno, deve crescer politicamente com o ostracismo de Tasso Jereissati. Tem tudo para controlar o partido e vencer o duelo com Aécio Neves com vistas a 2010.

Aécio Neves – Consagrado nas urnas pelo povo de Minas Gerais, o governador reeleito é hoje em dia o político mais bem posicionado junto à opinião pública para suceder Lula e deve apostar no fortalecimento de sua imagem nacional nos próximos quatro anos. Dono de maior carisma do que Serra, pode até mesmo deixar o PSDB se perceber que suas pretensões presidenciais podem ser barradas pelo partido. A ida de Aécio, neto de Tancredo Neves, para o PMDB no futuro não seria surpresa. Se virar realidade, o “Príncipe das Alterosas” pode até mesmo dar o pulo do gato e ser o candidato de Lula em 2010.

Ciro Gomes – Se a eleição fosse hoje, seria o candidato de Lula. Conhecido nacionalmente e mais uma vez consagrado nas urnas pelo povo do Ceará, deve continuar nos próximos anos investindo no crescimento de seu partido (o PSB, que sempre esteve ao lado do PT e de Lula) e se consolidar como opção natural da esquerda em 2010. Se ficar no Ministério, Ciro deve deixar pra lá o pepino da Integração Nacional (e a polêmica transposição do Rio São Francisco) e passar para uma pasta de mais envergadura. Se souber lidar com o PT e a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, nas eleições municipais de 2008, Ciro pode até mesmo seduzir as correntes de esquerda do PT (seria o seu pulo do gato).

Tarso Genro – Em meio ao vendaval que assolou o PT nos dois últimos anos, o ministro teve atuação política impecável e ganhou status de conselheiro-político-mor de Lula. Conta com o apoio da militância ao sair na frente na defesa de um segundo mandato mais à esquerda e de uma participação mais qualificada do PT no governo. Tarso deve ser um dos principais ministros políticos de Lula nos próximos quatro anos e, se continuar na boa rota, deve consolidar-se como um nome forte no partido para a sucessão do atual presidente.

Jaques Wagner – O grande vencedor dessas eleições, depois do próprio Lula. Se fizer na Bahia um governo que marque com nitidez a ruptura com o carlismo e inaugure de fato uma nova forma de administrar a coisa pública num estado ao mesmo tempo tão rico e tão marcado pela desigualdade e o clientelismo, Wagner se firmará como a maior liderança de esquerda surgida no Nordeste (com expressão eleitoral) desde Miguel Arraes. Somente essa condição já seria suficiente para torná-lo um nome forte para 2010. Além disso, é um hábil político do Campo Majoritário petista. Ao mesmo tempo, é próximo a Lula e tem ótimo trânsito com a esquerda do PT e o grupo desenvolvimentista do partido.

Marta Suplicy – A ex-prefeita de São Paulo saiu ganhando com a participação ativa que teve na campanha de Lula durante o segundo turno. Depois de ser aparentemente derrotada no partido ao perder a prévia para o governo estadual para Aloizio Mercadante, Marta deu a volta por cima e reocupou o espaço deixado pelo grupo adversário com o envolvimento dos “aloprados” ligados à campanha de Mercadante envolvidos no escândalo do dossiê. Fortalecida junto ao presidente, Marta deve ganhar um ministério de Lula no novo governo e já parte como favorita para as eleições municipais de São Paulo em 2008.

Yeda Crusius – Se fizer um bom governo (ou pelo menos um governo menos vacilante do que o de Germano Rigotto), a paulista mais poderosa dos Pampas pode se credenciar como nome forte na remodelação do PSDB que será feita sob a batuta de Serra. Com a perda de espaço no Nordeste e no Pará, é natural que o PSDB busque se realinhar nos estados onde terá mais força administrativa. Como garante que vai pegar um estado quebrado financeiramente, Yeda deve ser uma das figuras tucanas que tentará de imediato o diálogo com o governo Lula, fato que poderá fortalecer sua posição como quadro político de um eventual governo do PSDB em 2010.

Benedita da Silva – Assim como Marta Suplicy, a ex-ministra deu a volta por cima no segundo tempo de um jogo que parecia perdido. Depois de derrotada internamente no PT do Rio de Janeiro, que preferiu Jandira Feghali (PCdoB) como candidata ao Senado, Benedita calou aqueles que falavam que ela estava fora do jogo político e foi a principal fiadora da aliança de Lula com o peemedebista Sérgio Cabral Filho, eleito governador do Rio. O acordo deu pra lá de certo eleitoralmente e deixou Lula e Cabral satisfeitos, o que tornou cor-de-rosa o mundo de Benedita, que deverá ocupar (ou indicar aliado para) uma secretaria no Governo do Rio e também emplacar seu grupo político com força renovada no segundo mandato de Lula.

Sérgio Cabral Filho – Se fizer um bom governo, pode passar a controlar definitivamente o significativo espaço político do PMDB do Rio de Janeiro, hoje controlado por Garotinho, e se tornar uma das peças mais importantes do partido em nível nacional. No novo PMDB majoritariamente alinhado com o governo Lula, Cabral Filho pode até mesmo se tornar o canal de interlocução oficial com Aécio Neves, o que o credenciaria para o primeiríssimo escalão da política nacional em 2010 seja qual for o cenário. Para chegar lá, no entanto, precisa consumar o rompimento com Garotinho e suas práticas políticas condenáveis e realizar o “governo com as forças progressistas” que está prometendo ao povo do Rio.

No terceiro e último texto, divulgarei a lista com dez nomes da política nacional que tanto podem ser felizes como podem amargar maus momentos durante o segundo governo Lula.

Artigo anterior:
Os dez menos < http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3384 >


Maurício Thuswohl é editor de Meio Ambiente e correspondente da Carta Maior no Rio de Janeiro.
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