Caro Professor Tangerino, 
Em nenhum momento quiz atacar ou minimizar a ABID, pelo contrário, o espiríto da abordagem foi mais no sentido de fortalecê-la cada vez mais. Sei o quanto isto é díficil e requer força hercúlea e determinação.
A questão é que, além do esforço e determinação que tem sido feito, isto todos nós somos testemunhas, é preciso rever estratégias e tornar os eventos mais atrativos e desafiadores, pelo menos é a forma como tenho sentido e conseguido ver as coisas dentro dos limites da meu conhecimento, concepção, percepção e experiência, mesmo que modesta. Promover divisão e destruição é muito fácil. O duro mesmo é construir.
Confesso que quando me manifestei fiquei preocupado que pudesse ter outra interpretação. Mas como a coisa mais degradante de um ser humano é a omissão, resolvi correr o risco, e ir explicando, esclarecendo e discutindo para que não paire dúvidas todas as vezes que se fizer necessário.
Concordo plenamente com as manifestações do Professor e Amigo Tangerino. Todos os diversos segmentos que integram e abrangem a agricultura irrigada devem ser envolvidos e mais, ainda, serem comprometidos. Temos que ter muito cuidado com o discurso, pois o duro são as interpretações das meias verdades, que depois são duras de serem desfeitas ou esclarecidas.
Os pontos técnicos são essenciais e você os destacou com muita propriedade. Não podemos nunca esquecer deles, mas temos que ter em conta que muitos deles para serem alavancados precisam de apoio institucional.
Essa questão levantada pelo Prof. Tangerino é da mais alta relevância, e reflete em todos os campos. Tenho atuado no Plano Nacional de Segurança Hídrica, e nos contatos com as unidades federadas para fazer o inventário das intervenções necessárias, praticamente não tenho visto a presença dos segmentos da agricultura irrigada. É uma omissão geral em todas as unidades federadas até agora visitadas (14 estados). Parece que esse subsetor da agricultura não tem nada a ver com a água. As reuniões com as Unidades Federadas, são articuladas, agendadas e organizadas entre a ANA, cada Unidade Federada e o Ministério da Integração Nacional. Pasmem, a Secretaria Nacional de Irrigação é vinculada a esse Ministério e até agora não se mostrou. Não é no mínimo curioso?
Sou de opinião que devemos colocar as questões de forma franca, honesta, e ir, dentro das críticas, reações e constribuições dos diversos segmentos, construindo estratégias para o fortalecimento técnico, político e institucional da agricultura irrigada. As vezes parece desagradável ouvir certas abordagens mas elas precisam vir à tona e serem debatidas com muita propriedade e sem paixão mas com razão. Temos que ter na crítica a visão construtiva e não destrutiva.
 
 




De: [email protected]
Enviada: Segunda-feira, 29 de Junho de 2015 00:35
Para: [email protected]
Assunto: [Irriga-l] Estatisticas, como participar e novidades do GIFC

Boa noite a todos!
 
Fernando, parabens pela oportuna manifestação! Este espaço foi criado exatamente para que possamos divulgar, discutir, ecoar, amplificar o debate em torno da agricultura irrigada. Espaço nem sempre adequadamente aproveitado, mas lembramos que ele existe e pode e deve ser utilizado.  
 
Assino embaixo todos os argumentos e questionamentos.
Apenas destaco que para agir é preciso um ponto ou local de união/reunião de todos os stakeholders. Seria tarde utilizar o XXV CONIRD para promover esta discussão e posicionamento do setor? Aliás, quem seria o setor? Fabricantes, professores universitários, irrigantes, funcionários públicos ou de Estatais que labutam com a agricultura irrigada? Na minha opinião, todos fazem parte da agricultura irrigada. E todos devem estar e caminhar juntos, mas onde todos nos encontraremos? E começaremos a discutir o setor em todas as suas vertentes.
 
Defendo aqui a ABID no que tem feito desde a sua retomada. Se nao não fosse a ABID a agricultura irrigada estaria ainda mais "abandonada". Vejo o Helvecio lutando e lutando.... e tentando convencer a diferentes profissionais e os parceiros de verdade, são aqueles do local do congresso do ano, depois, estes parceiros "desaparecem" e mesmo os CONIRDs deixando a sua marca por onde passou a mudança se mostra pequena. Alguns o chamam de persistente, na verdade é um Guerreiro!
 
Em plena crise hidrica, temos uma deficiencia técnica enorme, desde os aspectos macros/estruturais até a questão do uso da água no dia a dia. Tenho acompanhado as ações na Califonia com os 4 anos de crise hídrica e as feitas aqui, com um jogo de empurra empurra entre os governos Federal e Estadual para saber de quem é a culpa e sem  as ações concretas para se garantir a segurança hídrica no futuro próximo nos deixam com vergonha.
 
No ponto de vista on farm, todos parecer saber o que é evapotranspiração no sentido amplo, mas poucos saberiam diferenciar e/ou estimar a evapotranspiração de referencia, da cultura, da potencial, da real ou atual e precisamos de fato, implementar a passos largos o manejo da irrigação, e nem vou discutir se devemos faze-lo via solo ou via atmosfera, mas devemos faze-lo.
 
Outros profissionais ainda defendem laminas pesadas em aspersão em detrimento à baixas pressoes e baixas precipitações e o escoamento da agua no solo é real e farto. E assim damos oportunidade ao oportunismo de disseram que somos os responsáveis pela crise hídrica.
 
Toquei em alguns pontos técnicos que estou envolvido diretamente, pois cabe a nós professores formar e informar, mas de fato precisamos discutir a agricultura irrigada ao inves de simplesmente pensarmos em irrigação. 
 
É de conhecimento de muitos com quem estão mais perto que  sempre sonhei com uma ABID forte, nos moldes da Irrigation Association americana (https://www.irrigation.org/) com seus cursos de certificação e auditoria e o "Show" quando as novidades tecnologicas estariam sendo lançadas anualmente. Mas ainda não vi a menor condição de avançar nesta direção, pela simples falta de comprometimento.
 
Por fim, descartando os eventos da area de Agrometeorologia e Recursos Hídricos, temos tres eventos na area da agricultura irrigada, com caracteristicas bem distintas:
- CONBEA
- INOVAGRI Meeting
- CONIRD
 
Não vou aqui entrar no mérito como são são feitos e a que publico atingem, mas já há algum tempo me manifestei que as entidades que os promovem devem sentar-se à mesa e tomar algumas decisoes estratégicas. Realmente, tres eventos no mesmo segundo semestre de um mesmo ano, pode não ser uma ideia adequada.
 
No mais, sempre estaremos a disposição para contribuir para e pela modernização da nossa agricultura irrigada e da preservação dos recursos hídricos.
 
Recebam todos um apertado abraço e tenhamos uma excelente e produtiva semana!
 
Fernando Tangerino
   

Em 28 de junho de 2015 17:54, Fernando Rodriguez <[email protected]> escreveu:
Caros Colegas,

Ao ler este e-mail me veio uma sensação de vazio, e de que algo está faltando. Mais um congresso? É isto que estamos precisando neste momento? Não é um momento de reflexão? De pensar o futuro? De refletir sobre o nosso papel perante a sociedade? Além de outras inúmeras questões que me vieram à cabeça, as quais me levaram a compartilhar estas ponderações a este seleto grupo.

Num momento em que algumas das instituições das Nações Unidas mostram e alertam como serão atendidas as demandas de alimentos no meado deste século, ou seja, daqui a um pouco mais de três décadas, onde a América Latina terá papel preponderante, e dentro dela este nosso gigante Brasil, não é chegada a hora de tomarmos alguma iniciativa mais concreta. Essas instituições têm deixado claro que a maior parte da oferta de alimentos para essa população do meado do século virá da agricultura irrigada. O que estamos montando de estratégias para enfrentar este desafio? A história certamente nos cobrará.

Ao analisar a temática posta pelo e-mail recebido, com mais calma e atenção, o vazio aumentou mais ainda. Não que as questões colocadas não sejam importantes. Mas será que são essas as questões do momento? Será que não falta alguma abordagem mais estratégica que precisa ser colocada para enfrentar os desafios de um futuro não muito distante?

Nem de longe é tocado nos aspectos institucionais, que hoje guiam os aspectos técnicos e o que é pior os tem fragilizados.

Longe de mim disseminar discórdias, mas temos que pensar no futuro para não corarmos de vergonha nesse horizonte do porvir. Seremos submetidos a julgamentos sob a acusação de ter-se omitido e desprezado o alerta, quando ainda havia tempo para conviver com a democracia e a correr riscos para defender uma causa, uma ideia, um segmento legítimo da sociedade. É hora de nos posicionarmos e deixar claro que tipo de comportamento esperamos de nossos políticos, de nossos profissionais e de nossos cientistas. Esse assunto é de vital importância para as indagações que esse alerta nos coloca de como contribuir para a produção de alimentos, fibras e agroenergéticos neste século com o mínimo de pressão sobre o meio ambiente, de forma, portanto, sustentável.

Precisamos sim, ser cuidadosos, mas não omissos, para não despertar alarme exagerado até que o ritmo da pressão fique mais evidente. Esta omissão pode custar empregos e prosperidades, além de aumentar o ônus da pobreza local.

Pessoa ou instituição alguma, por mais competente, respeitada e notável que seja, possui o monopólio da verdade infalível.

O que está acontecendo com a tecnologia? A Ciência busca a verdade, mas estamos ficando pasmos com a rapidez com que os técnicos e cientistas têm se subjugado a serviço dos interesses políticos. Abate-se sobre eles uma apatia geral, e muitas vezes uma disposição serviçal que se confunde com a prostituição. O que está havendo? Estamos perdendo o senso de que o político não pode viver sem o técnico e este não pode viver sem o político? Não é chegado o momento de que é preciso construir uma agenda que seja politicamente correta com embasamento técnico necessário e indispensável.

É impressionante a passividade da classe técnica-científica, perante a política, acatando cegamente situações dúbias com o argumentum ad verecundiam. Nos últimos tempos o debate sobre ciência tem se limitado a círculos fechados e quando aberto à sociedade quase nunca tem sido prioritariamente sobre a ciência, tem sido sobre política.

Esta é uma forma de ditadura. Todo profissional técnico ou cientista, consciente do seu dever perante a sociedade é um sofredor, pois para manter sua posição, está tendo que fazer sacrifícios financeiros, pôr em risco seu emprego e o progresso na carreira, recebendo em troca apenas a satisfação de preservar seus princípios morais.

É chegada a hora de nos posicionarmos, não exigindo cargos, mas indicando os perfis dos profissionais que devem ocupar determinados cargos. Veja o vexame, uma Secretaria Nacional de Irrigação, com poucos anos de vida já teve à sua frente, creio que cerca de 8 pessoas diferentes, quase dois por ano. O que a nossa representação fez ou faz perante estes fatos. E nesses anos todos o que essa Secretaria apresentou de resultado? Só agora uma tímida reavaliação territorial do potencial da agricultura irrigada, um passo importante, não resta dúvidas, mas que ainda carece de aprimoramento. Nessa quase uma década de existência só esse produto? É muito pouco, pelo menos no meu modesto entender. Nem a regulamentação de Lei, mesmo tendo uma Secretaria Nacional. Repetindo-se o que ocorreu há mais de trinta anos quando não se dispunha de uma estrutura. Passaram-se cinco anos para regulamentar a primeira lei que instituiu a Política Nacional de Irrigação.

Jamais uma instituição de representação deve exigir cargos, para ficar mais à vontade para cobrar resultados, mas, sim saber exigir que esses resultados aconteçam. A definição de um perfil nada mais é do que uma contribuição construtiva. Outras instituições, das quais participo têm assumido essa postura e com resultados alvissareiros. Essa postura deixa pouco espaço para aventureiros.

Esta não é uma crítica a ninguém, mas uma manifestação para evitar precipitação, imprudência e impulsividade que precisa ser posta na mesa, para que cada um tire suas próprias conclusões e avalie o que tem que ser feito.

Vamos continuar com os Congressos anuais? Não seria mais prudente e sensato espaçar mais os Congressos para que tenha mais peso e densidade?. No intervalo entre um e outro congresso promover eventos regionais e temáticos para buscar soluções de problemas desses locais, que até podem ser multiplicados em outras regiões.

Esse Congresso da forma e periodicidade como está sendo conduzido está fragilizado, desgastado, perdeu a densidade que um Congresso Nacional deve ter. Tem dirigente de instituições públicas e privadas que já começam a se manifestar por esse excesso.

Houve um período em que se fez necessário essa concentração, pois passou-se um período de ausência dos CONIRDs e muitos trabalhos ficaram represados. Já não é mais o caso. Creio que é hora de repensarmos sobre essa questão.

Abraços a todos.

 




De: [email protected]
Enviada: Sexta-feira, 26 de Junho de 2015 12:17
Para: [email protected]
Assunto:[Irriga-l] Estatisticas, como participar e novidades do GIFC


Bom dia!

Atualmente no IRRIGA-L, que se propoe a ser um Grupo de Discussão em Agricultura Irrigada temos atualmente inscritos 377 pessoas das mais diferentes regioes, mas pouco se manifestam.

Penso que alguns ainda não registraram em suas agendas o endereço para envio de mensagens e possam então ter dúvidas de como enviar uma nova mensagem. Vamos ajudar!

Basta enviar a mensagem e os arquivos attachados para:
[email protected]

Pronto, todos receberão. Vamos aproveitar mais este canal de comunicação colocado a disposição de todos?

XXV CONIRD - Sergipe nos espera

30/06/2015 - terça-feira!  Está chegando a data limite para submissão de trabalhos ao XXV CONIRD - Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem (CONIRD) que terá como tema a "Agricultura irrigada no semiárido brasileiro" e acontecerá de 8 a 13 de novembro em Aracajú - SE e Os artigos podem ser de natureza científico ou técnico. As normas para envio de trabalhos e as datas importantes estão disponíveis.

 

A ABID acredita na agricultura irrigada e seus efeitos multiplicadores e assim sendo, estimula a participação no CONIRD de todos os profissionais ou estudantes que tenham atividades "antes e depois da porteira". Os temas a serem explorados no XXV CONIRD são:

• Gestão da Agricultura Irrigada, em seus diversos aspectos de administração e capacitação de pessoas, bem como econômicos, sociais e ambientais, incluindo-se estudos e pesquisas das cadeias de valores dos negócios com base na agricultura irrigada, da introdução da irrigação e drenagem nas propriedades, das diversas infraestruturas necessárias, como da energia elétrica, de reservação das águas, etc.;

• Gestão da água na microbacia, procedimentos de outorga e licenciamento ambiental;

• Conservação da água e solo e desenvolvimento sustentável da irrigação;

• Reuso de água na produção agrícola e florestas plantadas;

• Agrometeorologia e mudanças climáticas;

• Engenharia de irrigação;

• Manejo da irrigação;

• Quimigação e Fertirrigação;

• Drenagem agrícola e recuperação de solos salinos;

• Agricultura de precisão na irrigação.

 

Em Aracaju, a ABID - Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem faz parceria da Universidade Federal de Sergipe (UFS), sob a coordenação do Professor Raimundo Rodrigues Gomes Filho (+55 79 98160807) e o XXV será uma grande oportunidade para muitos intercâmbios acadêmicos, incluindo-se facilidades de alojamento para estudantes. O e-mail utilizado para enviar trabalhos é: [email protected] Detalhes em http://www.abid.org.br A Secretaria Técnica está a cargo de Patrícia Vaz de Mello Lavall. Uma ótima notícia aos estudantes é que está sendo preparado um esquema alternativo de hospedagem visando baratear a participação, abrindo oportunidades à uma parcela maior de estudantes.

 

 

Os CONIRDs têm sido integrantes de parcerias anuais da ABID com uma das unidades federativas do Brasil, em um trabalho itinerante, com os Estados que vêm se candidatando para esse fim. Um dos principais objetivos é o de trabalhar anualmente com ênfase no estado parceiro, fomentando-se os planos e projetos para atender a agricultura irrigada no estado e no Brasil, perseguindo-se as melhores tecnologias e inovações para maior eficiência no uso da água e demais recursos naturais. O foco nas bacias hidrográficas, com melhor ordenamento da gestão compartilhada dos recursos hídricos, tendo-se como base os marcos legais a serem obedecidos para harmonizar os múltiplos interesses na utilização da água, faz do alcance socioeconômico da agricultura irrigada um estratégico setor para o desenvolvimento brasileiro.

 

Pod Irrigar - Encontro em Bebedouro mostrou a viabilidade da irrigação e fertirrigação em cana

Na última quinta-feira, dia 18 de junho de 2015 aconteceu em Bebedouro a 21ª Reunião do GIFC - Grupo de Irrigação e Fertirrigação de Cana-de-açúcar -, entidade que tem entre os seus objetivos promover, incentivar e fomentar a evolução dos conhecimentos de toda e qualquer forma de irrigação e fertirrigação de cana-de-açúcar, além de dedicar-se ao aperfeiçoamento dos processos e técnicas de irrigação e fertirrigação de cana-de-açúcar com vistas à qualidade e produtividade, à preservação do meio ambiente, à conservação de energia e à segurança operacional, atuando em prol do desenvolvimento tecnológico deste segmento.
 A edição [Pod Irrigar] - o Pod Cast da Agricultura Irrigada que foi ao ar ontem trata desta reunião. Vamos conferir o que aconteceu por lá? São só três minutos!


[PodIrrigar] Encontro do GIFC em Bebedouro mostrou viabilidade da irrigação e fertirrigação em cana-de-açúcar
http://podcast.unesp.br/podirrigar-25062015-podirrigar-encontro-do-gifc-em-bebedouro-mostrou-a-viabilidade-da-irrigacao-e-fertirrigacao-em-cana-de-acucar


Abraços a todos e tenhamos um ótimo fim de semana!

Fernando
-- 
Fernando Braz Tangerino Hernandez
Área de Hidráulica e Irrigação (Hydraulics and Irrigation Division)
DEFERS - Departamento de Fitossanidade, Engenharia Rural e Solos
Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira
UNESP - Universidade Estadual Paulista (São Paulo State University)
Caixa Postal 34 (P.O. Box 34)
15.385-000  -  ILHA SOLTEIRA - SP - BRASIL
Phone: (0##18) 3743-1939 / 3743-1959
Bolsista de Produtividade em Pesquisa 2
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