Em seg, 23 jul 2001, Kiss The Blade escreveu:
> H� um tanto de inoc�ncia aqui. Se eu fosse uma empresa monopolista e
> tivesse sofrido um processo em relacao a t�ticas de intimidacao de
> integradores, com o risco de ser dividida, vc acha que eu faria isso DE
> NOVO no meio de uma investigacao? Gravadores e microfones sao baratos.
A Microsoft pode se achar no direito de cancelar um contrato de OEM com
um fabricante, porque n�o? Isso n�o fere as leis antitruste.
> Nao custa colocar um pouquinho de verdade aqui: nao se oferece Linux no
> desktop pra valer pq nao vale a pena. Nao existe demanda, nao existe
> software, 90% das pessoas nao querem ou nao precisam.
O apelo principal do Linux � o baix�ssimo custo de propriedade e a
independ�ncia de fabricantes e tecnologias.
> Isso nao tem nada a
> ver com MS. Outra coisa: est�vamos discutindo legal aqui, mas como sempre
> alguem tem que por a MS como o principio e a causa de todos os males.
Como Linux n�o � uma ilha, n�o vejo problema nenhum em relacionar a
Microsoft em uma discuss�o sobre Linux.
> O que eu disse: marketing. Sai bem na fita.
O simples angariar de simpatia n�o parece ser o motivo pelo qual essas
empresas anunciam seu apoio ao Linux.
Empresas como essas (IBM e Dell) tem departamentos inteiros s� para
defini��o de estrat�gias, com gente paga a peso de ouro.
Se elas est�o anunciando Linux agora � porque j� o vinham considerando
a tempos e provavelmente est�o pensando v�rios anos a frente.
Ent�o seria altamente estimulante intelectualmente, e possivelmente de
utilidade pr�tica, tentar descobrir o que passa na cabe�a desses caras
e o que h� por tr�s das entrelinhas das declara��es que altos
executivos de empresas arquibilion�rias, como � a IBM, fazem em favor
do Linux.
> Eu estou falando isso pq estou vendo o Linux se transformar no dep�sito de
> lixo dessas empresas. TUDO que nao tem mais viabilidade comercial tem seu
> codigo aberto, e devidamente anunciado aos sete ventos como se fosse grande
> vantagem ter disponivel material ruim que s� faz drenar os nossos recursos
> de programacao escassos.
Essas empresas confiaram no, e foram massacradas pelo, esquema
predat�rio e selvagem do software propriet�rio de hoje em dia.
O software livre � sua �ltima t�bua de salva��o. Para algumas
dessas empresas, por�m, � muito tarde.
O que voc� chama de inviabilidade comercial � na realidade o efeito de
um ambiente tecnol�gico moderno em que n�o importa mais a qualidade (de
c�digo, por exemplo).
Fatores como parcerias estrat�gicas (outro nome para acordos bilaterais
para suportar o monop�lio um do outro), dom�nio da cadeia de
distribui��o, controle da m�dia, entre outros, pesam muito mais.
> Se todo essa apoio � causa open source tem algum
> fundamento, porque a IBM nao abre o c�digo fonte do DB2? Ou da JVM para
> Linux? Cad� o c�digo do Oracle? Cad� meu notebook com Linux? J� passei da
> �poca da comida de beb�, eu quero carne.
Tais fabricantes j� constru�ram uma estrutura em cima do c�digo
fechado, amarrados por uma teia de contratos de confidencialidade com
grandes clientes. Eles simplesmente n�o podem abrir o c�digo.
E o objetivo do movimento de software livre n�o � acabar com o software
propriet�rio. � apenas criar um ambiente em que os programadores possam
desenvolver tecnologia em livre colabora��o.
> Servidores nunca vieram com sistema operacional. Ponto. Desde o tempo do
> Netware as pessoas compram seu hardware e instalam o SO � sua escolha. N�o
> entendo pq, de uma hora para a outra, comecou a se imaginar o que faz com q
> alguem q instala algo que ia ser instalado do mesmo jeito torne-se
> patrocinador de Linux, quando o que podia apresentar alguma utilidade
> pr�tica � gratuidade do Linux ainda � vendido com outro sistema operacional
> instalado, sem escolha. Eu nao preciso que me d�em de brinde algo que eu
> sei que nao custa nada.
O que alguns fabricantes afirmam � o seguinte: "Voc� quer rodar Linux
nos nossos servidores? Tudo bem. Fizemos um teste aqui e ele rodou".
> O que preciso � que essas mesmas 'apoiadoras' de
> software livre me VENDAM o hardware q quero com o SO q eu quero. Que
> ESCREVAM drivers do seu hardware para Linux. Eu quero drivers de placas 3D,
> som de trocentos canais, do scanner de porta paralela, dos Winmodems. Eu
> quero que elas postem c�digo pra LKML, coisa boa nao lixo, e nao facam
> sacanagem com bin�rios como faz a nVidia. ISSO, Edgard, � apoio real. N�o o
> Poweredge com Linux que eu sei instalar e o iPaq sem a POSSIBILIDADE de
> instalar, mesmo sabendo.
O desktop � um mercado que se movimenta muito mais lento que o mercado
de servidores.
A interface pessoa-m�quina � complicada, principalmente porque um dos
lados dessa interface tem vontade pr�pria, � altamente pulverizada,
envolve altos custos de migra��o (treinamento, por exemplo) e tem alto
custo de propriedade (uma m�quina para cada usu�rio).
> Todos, todos s�o hip�critas. N�o caia na conversa deles.
A boa an�lise � aquela que consegue enxergar no meio das entrelinhas
do que tais fabricantes est�o dizendo.
> >Apesar de o Linux atender em cheio nossa necessidade de inform�tica
> >profissional e dom�stica, pelos seus coment�rios fica patente que Linux
> >n�o � um sistema operacional para voc�.
>
> N�o fa�o assim. Nao sou anti-Linux. Apenas acho que como toda tecnologia,
> Linux est� sujeito a an�lises puramente pragm�ticas. Pelos seus coment�rios
> fica patente que vc quer passar a ideia de que Linux � o c�lice sagrado,
> quem 'ap�ia' torna-se cavaleiro da T�vola Redonda, e nao existe nada dentro
> dele que nao seja perfeito.
O Linux, do jeito que est�, tem um apelo IRRESIST�VEL do ponto de vista
comercial e tecnol�gico.
1) Tecnol�gico:
O software livre cria um ambiente de coopera��o espont�nea que permite
r�pidos desenvolvimentos e livre troca de informa��es para cria��o de
produtos com resultados pr�ticos e palp�veis.
2) Comercial:
Do ponto de vista comercial, Linux reduz muito o custo de propriedade
no longo prazo e amortiza todo o investimento inicial feito pela
empresa. Linux torna-se em pouco tempo um ativo computacional da
empresa e n�o um passivo, como � o modelo atual do software
propriet�rio.
N�o � o software em si que � Santo Graal. � o modelo.
> Nem as empresas de Linux agem assim, � uma
> postura perigosa e sujeita a interpretacoes v�rias e nem sempre boas. Sabe
> do que me lembro? De Eric Raymond e das palestras das Solution Providers
> daqui :). Em v�rios f�runs, exceto os de religiao, opinioes diversas sobre
> as v�rias �reas do conhecimento convivem livremente. Pq a Linux-BR seria
> diferente?
A Linux-BR n�o � diferente. E opini�es diversas convivem livres aqui.
Mas eu me reservo o direito de apresentar as minhas opini�es
concordando, complementando, ou me opondo as opini�es de quem quer que
seja.
> Vale lembrar que apesar de todo o conteudo essencialmente
> provocativo de minhas mensagens, como vc interpreta (mal), ainda nao fui
> moderado nenhuma vez, o que se nao prova que o que falo tem alguma razao,
> pelo menos implica que elas estao dentro do conceito de discussao sadia.
> Bem, essa ser� a primeira :)
Jamais algu�m aqui impediu seu direito de colocar suas opini�es. Nem
quero que algu�m impe�a as minhas.
Voltaire dizia: "N�o concordo com nada do que dizes, mas defenderei
at� a morte o direito de diz�-las".
> Eu acho que nossa comunidade cresceu intelectualmente o suficiente para
> adotar uma postura aberta em relacao a todo tipo de opiniao, favor�vel ou
> contr�ria. N�o estamos mais em 1998.
Ela ainda continua aberta. Mas voc�, assim como eu, est� sujeito a ver
suas opini�es combatidas neste que � um f�rum de debates.
> Nao sou contra Linux. Apenas estou promovendo a livre circula��o de id�ias.
O fato de achar que Linux n�o serve para voc� n�o quer dizer que voc� �
contra ele.
[]s
--
Edgard Lemos
[EMAIL PROTECTED]
Usu�rio Linux n� 135479
Assinantes em 24/07/2001: 2239
Mensagens recebidas desde 07/01/1999: 124556
Historico e [des]cadastramento: http://linux-br.conectiva.com.br
Assuntos administrativos e problemas com a lista:
mailto:[EMAIL PROTECTED]