Marcelo Braz wrote:
como nao acredito em traducoes, poderiamos transduzir thread (que e' uma 
palavra bem feia mesmo...) por um dito bem pop no brasil: fio da meada. entao, 
pegando o fio desta meada:
"Corda de caranguejos", diria o Mangue Beat
- metareciclagem_conceito tem mesmo esta caracteristica de abre-e-fecha 
ilimitado pelos entes (nois) reconectados. pois realmente usamos uns (no 
duplosentido: individuo e 1 binario) e outros (duplo-sentido: nuvens de 
individuos e desaparecimentos_zeros) para emergirmos significa_acoes a partir 
desta tralha que comumente chamamo desenvolvimento tecnologico.
O binário nunca informa isso ou aquilo. O bit é binary DIGIT, o que nos ensina que a posição é que dá o sentido ao ligado-desligado... O salto que os árabes nos deram com a álgebra (e no qual nos esbaldamos) é esse: sem falar da situação do numérico, nada acontece.
- e se nao nos comunicamos (nao ha' realmente esta garantia, como alguns possam 
supor), no minimo geramos ruido nestas nuvens de sentidos. e' o que o hdhd 
sempre gosta de lembrar: introduzimos ruidos em instituicoes bonitinhas, mas 
ordinarias. lembrei-me de sua defesa da dissertacao, dentro das possibilidades 
de agenciamentos coletivos das enunciacoes.
Bandido da Luz Vermelha: "Se a gente não pode fazer nada, a gente avacalha"... mas isso em 1972. Agora já dá para construir, não dá?
- quanto a encrenca do Wittgenstein, penso que a critica recai sobre filosofos, 
no geral. A diferenca, a meu ver, e' que ele talvez tenha sofrido mais a coisa 
toda na pele. e Lembrei-me de um dito filosofo que apareceu para nos dar aula 
no curso de Educacao Comunitaria, que conclui'  recentemente. Os alunos nao 
suportaram e acabaram expurgando ele do curso, negando insistentemente as suas 
tentativas de dar sentido filosofico a educacao, na marra. Seria pois, tragico, 
se ja' nao fosse mesmo, comico. :)))
Esse cara deve ser apenas bacharel ou mestre em filosofia. Ser filósofo exige muito mais senso de humor.
- - Stalker, esta cosmologia que voce citou das bonequinhas russas ou dos 
atomos contendo universos que contem atomos era bem antiga mesmo la' do lado 
oriental. Mas hoje, mesmo a ciencia ocidental, a seu modo canhestro, lentamente 
redescobre a riqueza que toda aquela cultura 'dos outros' ja' vivenciava. Ja' 
ouvistes a palavra Multiverso (ausente de dicionarios ocidentais, mas muito 
presente em linguas do lado de la')? Alternativa `a Universo (um verso, um 
sentido, um verbo, um criador ...) muito em moda nas biblias do lado de ca'. 
Pois bem... nao ha' traducoes. :)
Se me permitem jogar um bloco de cristal na nossa caixa de areia, vejam este fragmento de Process and Reality de 1927-28 (Whitehead 1985, 7):

   "In all philosophic theory there is an ultimate which is actual in
   virtue of its accidents. It is only then capable of characterization
   through its accidental embodiments, and apart from these accidents
   is devoid of actuality. In the philosophy of organism this ultimate
   is termed 'creativity'. In monistic philosophies, Spinoza's or
   absolute idealism, this ultimate is God, who is equivalently termed
   "The Absolute". In such monistic schemes, the ultimate is
   illegitimaly allowed to a final 'eminent' reality, beyond that
   ascribed to any of its accidents. In this general position the
   philosophy of organism seems to approximate mor to some strains of
   Indian, or Chinese, thought, than to western Asiatic, or European,
   thought. One side makes process ultimate; the other side make fact
   ultimate."

Trocando em miúdos (que eu não dou conta ainda de entender bem o Whitehead...): O "Deus do organismo" é quase a mesma coisa que o Caminho, o Tao. (Comparar a citação com o Tao Te Qing, mesmo nas péssimas traduções disponíveis em língua portuguesa)


Quem não cria, não traduz (vejam o Tradução Intersemiótica do Júlio Plaza).

Traduzir tem a mesma raiz de trazer e trair... (para não ser wittgensteiniano, isso não é um argumento genético) digo isso para mostrar que o agir da tradução implica em contrabando e sedição. Não há traduções diretas nem direitas, elas são sempre Isquierdas (lembram daquele apelido do FF?)

"Caminheiros somos, no caminho andamos" (Vovô Britto)

Abraços e beijos!
mbraz








Stalker <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: Uhú! "Eu sou uma núvem de núvens" 
(metareciclando Maiakovski).


HD, tudo deleuze com você? Cuidado para não ficar deleuzelumbrado... :-P

Antão, comentários às intervenções desse thread (a gente devia traduzir "thread"... fieira, meada ou mesmo, porque não, cordel)...


Hernani Dimantas wrote:
q nada... é por aí mesmo!
abs
hdhd

On 9/6/06, Edgard Piccino  wrote:
Eu gosto desta metáfora (prefiro encarar assim).

Uma metáfora é uma charada com resposta: você cisma de inventar uma semelhança entre entes (ou conceitos, ou núvens...) até então díspares e usa uns para significar os outros...

    (Causo de uma charada: Dois amigos, um padre, outro bebum, viciados
    em charadas. Um dia, o padre passa pelo bebum caído e o xinga: "Seu
    pau d'água". O bebum: "Duas e uma, padre!". O padre fica
    cismadíssimo. Depois de muita cisma, saca que, inconsciente, o amigo
    lhe propôs uma charada (duas e uma é dica da resposta: duas sílabas,
    uma sílaba, equivalente a "padre") Resposta: Viga (duas sílabas) rio
    (uma sílaba), Vigário = Padre. )


Depois de respondida a charada, o que era distante fica próximo, o que era díspar vira análogo, o opaco fica translúcido (mas não transparente)... o que era estranho parece óbvio ("como é que eu não pensei nisso").

Na metáfora, não basta a analogia, tem que ter a distancia... ao saltar a distância pela semelhança (conhecida, suposta, ou inventada), projeta-se uma perspectiva sobre os entes conectados... o sentido da metáfora é não apenas a semelhança através da diferença, mas também (isso é implicito, mas é onde mora o poder da metáfora) uma perspectiva nova sobre os seres conectados que produz um outro contexto e muda (não só o "significado", muda o próprio modo de ser) dos entes conectados.

Se estou bem lembrado,
Deleuze compara um conceito a uma núvem de outros conceitos, que vai mudando
de forma a medida que os outros conceitos também vão se modificando.
Palavras, mentes, máquinas: abra-as e vai encontrar outras. Abra estas, e vai encontra mais. Desista de esmiuçar e volte aos "inteiros": tente definí-los e vc quebra a cara, porque eles não são nada sem estarem conetados a outros entes formando entes mais complexos. Suba para os mais complexos e vc topa com a mesma situação. E aí, vc desiste de definir e saca que conceituar é esse abre-fecha ilimitado.

(A encrenca do Wittgenstein, que me conste, é achar que isso se limita às suas adoradas palavras: nada, signos verbais são só um caso disso. E não existiriam se todo o cosmos não fosse do mesmo jeito. )

O mundo não tem fundo. "A criatividade é o último" (Whitehead): o abre-fecha não deixa nada intacto, a ação do investigador é mais outro ente que vai torcendo todo o real enquanto anda / cresce.
Ou seja, um conceito é dinâmico e se modifica ao longo do tempo. Neste caso nenhuma conceituação é definitiva, e é sempre uma construção coletiva, uma
vez que diversos atores modificam os conceitos que gravitam em torno do
conceito buscado.

Neste caso uma livre associação das enunciações ajudam a visualizar esta
núvem. Os mapas conceituais (ou mapas mentais) são interessantes ferramentas
para bagunçar as idéias.
A retórica (que não se limita aos signos mentais, está em toda parte, em todos os seres vivos e mesmo nos "inertes") é a fábrica desses mapas. Mapa é um diagrama, todo diagrama pressupõe uma metáfora, ou seja, que por sua vez seriam "fazer emergirem perspectivas".
Divaguei né?
Vagou... quem a mente que não vagabunda, não pensa! ;-)
Abs

 Edgard


On 9/5/06, Hernani Dimantas  wrote:
agenciamento coletivo da enunciação.... MUITO interessante


On 9/5/06, Edgard Piccino  wrote:
Deleuze conceitua conceito como um agenciamento de conceitos.

Acho isso interessante... mas só interessante...
Bonecas russas... sem a última, menorzinha, nem a primeira... isso é uma cosmologia bem linda, bem antiga e bem marginalizada (Platão, Santo Agostinho, os nominalistas, Descartes, Comte e seus positivistas detestam-na!): em cada átomo, um universo, cada universo átomo de outro...
On 9/5/06, Stalker < [EMAIL PROTECTED]> wrote:
Felipe Fonseca wrote:
e voltando à eterna pergunta (1), agora é o novaes
quem contribui mais um pouco:


http://blogs.metareciclagem.org/novaes/2006/09/03/pensando-metarec-descontruir-tecnologia/
(1): o que é MetaReciclagem?
FF, tem pelo menos dois jeitos de definir qualquer objeto
("objeto" no
sentido lógico, algo q se pensa, de que se fala e/ou se usa...)

(1) o jeito nominalista (que é o típico modo positivista moderno de
conceituar, contra todos os hábitos práticos cotidianos) de dar
definições, tipo "isto é aquilo", verbete de dicionário. Se defino
"banco" como "objeto construído com um tampo elevado para apoiar o
corpo, apoiado de maneira estável no chão", parece tudo bem até eu
encontrar um assento retrátil de elevador, que todo mundo chama de
"banco", mas que eu tenho que inventar outro nome para chamar,
porque
escapou da definição.

(2) o jeito realista (empiricista, só confia nos fatos acontecidos),
"isto é o que há de comum nessas coisas todas", parecido como
discurso
de etnólogos etnocêntricos, vê o que se repete e se define o
objeto pelo
que não muda nos casos todos. Isso funciona mais ou menos no
cotidiano,
banco é essa coisa de três ou quatro pernas, com um tampo, sem
encosto;
mas se eu encontro um banco de duas pernas (bom para vigias
noturnos...), vou ter que mudar toda a definição, porque "vivo no
passado" dos objetos que já foram pensados, falados e usados e não
projeto os usos futuros. Uma definição de enciclopédia é isso,
porque
mostra a rede de outros objetos na qual o objeto se torna o que
é... mas
falha porque não projeta os usos futuros. A


(2) o jeito pragmaticista (que é, no cotidiano, como as pessoas
espontaneamente conceituam os objetos) que é seguir os usos do
objeto,
tipo "isto costuma servir ou ser usado para aquilo, mas não só". Se
defino como "banco" como "objeto que serve para sentar e
descansar as
pernas, mas não para encostar o corpo", o banco do elevador não
vai ter
problema. Esse tipo de definição persegue os usos reais e
possíveis (na
linguagem técnica da filosofia: arranjos actanciais atuais e
virtualizados) de determinado objeto, que ao mesmo tempo servem à
produção do objeto e que organizam a lógica de seu uso num
determinado
tipo de situação.

A rigor, isso não é mais 'de-finir' (marcar os limites) mas, mais
extamente, "conceituar": o conceito não é nem uma idéia abstrata
aplicável, nem uma série de ocorrências passível de abstração,
mas um
hábito coletivo (coletivo no sentido de aglomerado de sujeitos
humanos e
não humanos) que ao organizar acontecimentos presentes e futuros, se
desenvolve e se transforma.


Claro que eu gosto mais da última. E imagino, pelo que você
contou do
seu trauma com as aulas de semiótica (ah, malditos professores
caretas e
desapaixonados de semiótica !) que tambem o agrade...



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