Quando as águas das enchentes baixaram nas regiões inundadas ou pousou a poeira das áreas castigadas pela seca, os milhões de eleitores que garantiram a vitória acachapante do Não, com 64% redondos, sobrando 36% para o Sim, começam a desconfiar que, no fritar dos bolinhos, não aconteceu nada.
Nenhuma medida séria é reclamada pela oposição com o adocicado sabor de novidade; nem o governo, na forma do costume, anuncia providência que saia da ronceira rotina burocrática e fure a casca grossa das obviedades. No jogo de malandro da baixaria de transferir a responsabilidade para os ombros alheios, os ministros do seleto grupo que ainda palpita, depois da reunião de emergência dos auto-intitulados coordenadores políticos, culparam os governos estaduais pela derrota do desarmamento. Drible de quem não tem intimidade com a bola e não enganou a assistência. Como a transparente inocuidade do plebiscito salta aos olhos, o vazio da empulhação estimulou a saída escapista das interpretações, que pingam das torneiras da tolice. Para não destoar do seu ramerrão, o presidente Lula tropicou nos calhaus dos equívocos: quebrou o silêncio conveniente e esperto em que se protegeu durante a campanha para pegar carona na embarcação com o casco furado e não só anunciou o voto no Sim como assinou artigo justificando a tardia definição. Ora, o governo sai muito mal da história, mesmo desconsiderando os exageros dos decepcionados que o crucificam como o grande derrotado. Que o governo é ruim de cintura todos sabem, menos o Lula. E que deveria fechar o bico e passar de fininho pela curta ressaca, sem fôlego para alimentar o debate até o fim da semana. Mas, o assanhamento de querer revidar aos tapas da oposição, atiçou o revide na simples exposição de dados oficiais indefensáveis. O levantamento do “Jornal do Brasil”, na consulta aos dados no Sistema de Acompanhamento Financeiro do Governo Federal, informa que, da verba orçamentária deste ano de R$ 647,2 milhões para a segurança pública, apenas 8,45%, exatos R$ 54,7 milhões, foram liberados. Nosso planglossiano presidente apareceu em São Paulo, em cima dos resultados do plebiscito, para o almoço com empresários e, como sempre, improvisou em cima do texto preparado pela assessoria – impresso em letras garrafais, para facilitar a leitura de um parágrafo em cada folha – para entoar o samba-enredo oficial do otimismo: “Acho que não temos razão para reclamar”. Falou por ele e pelos cupinchas que vivem em outro mundo, que não é da lua, mas dos apaniguados da Viúva. Em rompante inesperado, o melífluo presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), soltou o verbo na dura crítica aos gastos de milionário extravagante do governo que dissipou cerca de R$ 1 bilhão com o pagamento de diárias aos servidores públicos. A liberalidade não pára ai. Somem-se os gastos das diárias com os das passagens aéreas e o total dispara para mais de R$ 2 bilhões desde 2003. Desta vez, Lula ganha de FHC por larga diferença, que vai a mais do dobro. Lembrando-se dos seus tempos de oposicionista, o ex-articulador político do governo avisa que discutirá o abuso de viagens de servidores públicos ao exterior com o Tribunal de Contas da União (TC), com a Controladoria Geral da União e com a Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara. Bate firme: “Se o país gastou R$ 1 bilhão com diárias para o exterior e apenas um terço disso com o orçamento da Cultura, é evidente que há um desequilíbrio que a Câmara precisa fiscalizar”. Entende-se por que o ministro Gilberto Gil viaja tanto e ri à toa. Pensando bem, o presidente tem razão. Ao menos quanto ao plebiscito, não há razão para reclamar. Reclamar de quê, se não mudou nem mudará nada? Aliás, com qualquer resultado. Continua teoricamente proibido andar com o trabuco na rua ou conservá-lo em casa sem a licença para o porte de armas. A turma da bandidagem deve estar recebendo as encomendas antecipadas por precaução. Os eleitores do Não e do Sim, passado o calafrio da burla e a euforia da decepção, misturados na massa anônima da insegurança coletiva, entregues à própria sorte no país ao deus-dará, já nem mais podem queixar-se ao bispo, ocupado com coisas mais sérias. http://nominimo.ibest.com.br/notitia/servlet/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&pageCode=12&textCode=19097&date=currentDate&contentType=html _______________________________________________________ Promoção Yahoo! Acesso Grátis: a cada hora navegada você acumula cupons e concorre a mais de 500 prêmios! Participe! http://yahoo.fbiz.com.br/ Para facilitar a procura de assuntos anteriores, utilize o nosso arquivo de e-mails: http://www.mail-archive.com/[email protected]/ Na janela de "Find" digite a palavra para procura. Links do Yahoo! Grupos <*> Para visitar o site do seu grupo na web, acesse: http://br.groups.yahoo.com/group/n_gage/ <*> Para sair deste grupo, envie um e-mail para: [EMAIL PROTECTED] <*> O uso que você faz do Yahoo! Grupos está sujeito aos: http://br.yahoo.com/info/utos.html
