O Rufus, "boss da OKF", interviu, por isso a carta. Concordo com a avaliação do Andrés.
Jorge PS: Há dois anos atrás pedi na lista internacional da OKF que a organização publicasse seus dados orçamentários. A resposta dele foi um link com um PDF, com dados agregados e não legível por máquinas - e que pouco tinham a dizer. E nada mudou ainda: https://okfn.org/about/governance/ Casa de ferreiro, espeto de pau . On 20/06/2015 11:51, Andres MRM wrote: > Sou obrigado a discordar da Heloísa. A carta me preocupou bastante, para não > dizer "ofendeu", pois ela parece tentar deslegitimar a participação das > pessoas que têm se esforçado e dedicado para frequentar as reuniões da OK-Br, > e construí-la nos últimos meses. > > Defendemos a participação, criticamos a posição autoritária dos governos, > questionamos a democracia "representativa", mas quando temos a chance de fazer > diferente repetimos os mesmos erros. Apenas ouvir a comunidade, permitindo uma > participação "ilusória", os governos também sabem fazer, distribuir o poder de > fato é que é a questão. > > Felizmente (ou não) a carta deixou vários pontos em aberto, o que me dá > esperança de que sejam respondidos de forma mais razoável. > Faço os questionamentos abaixo. > >> Entendemos legítimas, valorizamos e estimulamos as reuniões do "Conselho >> ampliado" mas, em última instância, as mesmas não têm caráter deliberativo >> na organização. Trata-se de um espaço de participação da comunidade, um >> local de troca e discussão de temáticas e projetos e que tem contribuído >> para dar maior alcance aos projetos e ideias da organização. Os >> questionamentos que possam surgir no espaço devem ser levados para as >> estruturas formais existentes que tem, não somente a prerrogativa para >> isso, como responderão perante as autoridades competentes pelas decisões >> tomadas. > Qual o papel das reuniões "ampliadas" então? Escutar a comunidade mas, se não > houver consenso, o D.E. decide e depois vai para o Conselho Deliberativo? > É essa a visão de "participação" que o Conselho Deliberativo tem? > >> Em relação a um dos compromissos formais assumidos pela organização, >> especificamente o Memorandum of Understanting com a OKI, é importante >> explicitar a posição de Rufus Polock, presidente e fundador da Open >> Knowledge Foundation. Em reunião com este conselho em 05 de junho de 2015, >> houve um entendimento de que a organização criada no Brasil deveria contar >> com a participação ativa de pessoas ligadas à comunidade do conhecimento >> livre, mas que isso não significa necessariamente em uma organização gerida >> pela comunidade. > Que pena que o Rufus acha "ok" usar a comunidade quando interessa para ele, > mas não dar voz a ela quando ela quer ser ouvida. Felizmente aparentemente ele > não impôs isso para a OK-Br. A decisão sobre como gerir a OK-Br ainda é > "nossa", ou deveria dizer, de "vocês", certo? > >> Esse acordo, como outros, foram viabilizados pelo empenho do diretor >> executivo que é quem responde legalmente pela organização criada no Brasil. >> Reconhecemos o papel protagonista de Everton Zanella Alvarenga na >> constituição formal da organização e na condução de projetos, obtendo >> resultados positivos para o pequeno período de existência da Open Knowledge >> Brasil. Entendemos que o mesmo deve gerir a organização com autonomia e >> zelar pela a missão e os valores da OK BR, sendo essas as prerrogativas de >> sua função. > Sem dúvida que o Tom é importante para a OK-Br, mas acho que concordam que ele > não é o único, certo? E essas outras pessoas, ao meu ver igualmente > importantes, não deveriam também ter direito de participar do processo > decisório? Ou acham que eleger o D.E. e conselheiros a cada 3 anos basta? > Humm, já ouvi essa história antes... > >> Cabe lembrar que, embora existam desde a origem visões distintas sobre como >> a organização deve funcionar, a OKBR foi criada com base em estatuto >> elaborado com a participação de seus membros fundadores e que o mesmo serve >> de lastro para a organização. > E sobre o estatuto dizer que o D.E. não pode ter remuneração? > > "Artigo 25°- Ao Conselho Deliberativo compete: [...] II – aprovar a > verba > de remuneração da Diretoria Executiva, cujos diretores desempenharão > suas > atividades em caráter voluntário, sem direito a qualquer remuneração" > http://br.okfn.org/estatuto-social-da-open-knowledge-foundation-brasil > > Tendo em vista que nossa atual Diretoria Executiva é composta por apenas uma > pessoa, assume-se que ela seja a diretora da Diretoria Executiva, logo, não > poderia ser remunerada. Qual a interpretação do Conselho sobre isso? > > O meu ponto é o seguinte: a carta tenta usar o estatuto como forma de > legitimar o poder do Conselho Deliberativo. Mas o atual estatuto é sabidamente > falho. Vão segui-lo à risca quando interessa e ignorar o restante? > >> Gostaríamos de reforçar nesse comunicado que mensagens dirigidas ao email >> [email protected] são entregues aos membros deste conselho >> e pretendemos divulgar em breve o calendário de suas reuniões. > Que reuniões são essas? Reuniões do Conselho Deliberativo "NÃO ampliado"? > Elas já vinham ocorrendo? Elas serão abertas? Se serão abertas, então porque a > última, que produziu essa carta, não foi? > >> Por esse motivo, estamos convocando a ASSEMBLEIA ORDINÁRIA, para >> apresentação do relatório anual e definição do cronograma de reuniões >> trimestrais do Conselho Deliberativo. No período entre as reuniões, >> estaremos abertos para ouvir toda e qualquer sugestão, vinda de associados >> ou não, interessados em maior ou em menor grau pela atuação da OKBR. > Essa é a pauta da assembleia, "apresentação do relatório anual e definição do > cronograma de reuniões trimestrais do Conselho Deliberativo"? > Alterações no estatuto, como a falha apresentada acima, não serão discutidas? > Quem vai ter direito a voto? Só os associados efetivos? Quem será considerado > associado efetivo, apenas os que já são ou vão aceitar os "novos" membros? > > > Por fim... > Tenho feito um esforço para participar da OK-Br desde o encontro de governança > de março, o qual me fez acreditar que eu também fazia parte dela. Tenho > participado de quase todas as reuniões e lido todos os e-mail dessa lista, > buscando estar informado para poder dar opiniões qualificadas no debate. Tenho > gasto manhãs inteiras (como estou fazendo nesse momento) para mandar e-mails > "abertos" nessa lista, acreditando que discussões relativas à tod@s nós devem > ser feitas de maneira transparente, em espaços "abertos". > > O fato do D.E. e dos conselheiros terem parado de discutir a questão aqui na > lista e nas reuniões abertas, e agora essa carta do Conselho Deliberativo, > mostram que discussões importantes estão sendo feitas de maneira fechada e não > transparente. Fato que considero contraditório com os valores da OK-Br e um > desrespeito para com as pessoas que estão tentando segui-los. > > Termino com duas citações (original e tradução) do texto que o Tom mandou para > a lista esses dias ("The Tyranny of Structurelessness"), mais especificamente, > duas recomendações que a autora faz. > > A primeira acho que tem tudo a ver com a questão das discussões fechadas: > > Diffusion of information to everyone as frequently as possible. > Information is power. Access to information enhances one's power. When > an > informal network spreads new ideas and information among themselves > outside the group, they are already engaged in the process of forming an > opinion -- without the group participating. The more one knows about how > things work and what is happening, the more politically effective one > can > be. > > Difusão de informação a todos com a maior frequência possível. > Informação é poder. O acesso à informação aumenta o poder. Quando uma > rede > informal dissemina novas ideias e informações entre si, sem passar pelo > grupo, ela está envolvida num processo de formação de opinião sem a > participação do grupo. Quanto mais uma pessoa sabe como as coisas > funcionam e o que está acontecendo, mais politicamente eficaz ela pode > ser. > > E a segunda com a questão do poder nas mãos de um grupo reduzido: > > Distribution of authority among as many people as is reasonably > possible. > This prevents monopoly of power and requires those in positions of > authority to consult with many others in the process of exercising it. > It > also gives many people the opportunity to have responsibility for > specific > tasks and thereby to learn different skills. > > Distribuição da autoridade entre tantas pessoas quanto possa ser > razoavelmente possível. Isso impede o monopólio do poder e exige > daqueles > em posições de autoridade que consultem muitas outras pessoas no > exercício > de seu poder. Também oferece a muitas pessoas a oportunidade de ter > responsabilidade por tarefas específicas e dessa forma aprender > habilidades específicas. > _______________________________________________ > okfn-br mailing list > [email protected] > https://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br > Unsubscribe: https://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br _______________________________________________ okfn-br mailing list [email protected] https://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br Unsubscribe: https://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br
