Líder da Velha Guarda da Portela canta hoje à noite no Sesc Pinheiros
Monarco volta a São Paulo para fazer show gratuito
LUIZ FERNANDO VIANNA
DA SUCURSAL DO RIO
Em cinco décadas de samba, o carioca Hildemar Diniz, o Monarco, nunca cantou tanto em
São Paulo quanto nos últimos dois anos. Se no passado o normal era um show por ano,
agora tem sido mais de um por mês.
"Em São Paulo estou em casa. A garotada conhece minhas músicas, é muito gratificante",
alegra-se ele, 72, líder da Velha Guarda da Portela e uma das melhores vozes do país.
Monarco volta hoje à capital paulista para uma missão especial: cantar para centenas
de pessoas no Sesc Pinheiros, no projeto Quintessência, que tem entrada franca. Ele
será acompanhado pelo grupo Samba Raro.
"Tem uma turma muito boa de músicos novos em São Paulo. São estudiosos, conhecem bem o
samba, não devem nada a ninguém", diz ele.
A divulgação informa que o show terá uma hora e 15 minutos, mas, em se tratando de
Monarco, não se deve confiar muito. É comum que suas apresentações durem duas horas ou
até mais.
"Eu não fico cronometrando show. Faço com o coração. Às vezes os produtores têm que
pedir para eu parar", conta.
Sendo assim, o repertório que enviou ao Sesc é só uma base do que cantará. Nessa base
estão seus sambas mais conhecidos, como "Tudo Menos Amor" (parceria com Walter Rosa),
sucesso de Martinho da Vila, "Coração em Desalinho" e "Vai Vadiar" (ambas com
Ratinho), gravadas por Zeca Pagodinho.
"A gente nunca sabe quando vai ser sucesso. O "Coração em Desalinho" andou perdido,
até que eu mostrei [em 1986] para um produtor [Milton Manhães] do Zeca, que nem era
conhecido ainda. O "Vai Vadiar" demorou muitos anos para ser concluído. Hoje, quando
eu canto, até as cadeiras sambam", brinca.
"Tudo Menos Amor" ("Tudo o que quiseres/ Te darei, ó flor/ Menos meu amor") nasceu de
uma história real vivida por Monarco.
"A mulher de um amigo meu resolveu bater asa para o meu lado. Eu disse que não. Podia
dar o que fosse, menos amor. A minha letra até dizia "Darei conforto", no sentido de
dar um quilo de arroz ou algo assim, mas o Martinho gravou "Darei carinho'", explica.
Muitas das composições de Monarco têm um fundo real, a começar pelas que exaltam a sua
Portela, como "Passado de Glória" e "Homenagem à Velha Guarda".
Ele chegou à escola ainda novo, pouco depois da morte de Paulo da Portela (1901-1949),
e aprendeu a seguir as lições do chamado "professor". Fez até parcerias póstumas com
Paulo: "O Quitandeiro" e "Serei Teu Ioiô" estão no repertório de hoje.
Monarco ainda cantará sambas que fez com outros grandes portelenses, como Chico
Santana ("Lenço"), Alcides Malandro Histórico ("Deixa Meu Nome em Paz") e Manacéa
("Conselho"). Ele se diz feliz de estar tendo, enfim, reconhecimento.
"O que eu tenho conquistei com a minha dignidade, a minha arte. O samba já apanhou
muito, mas não faz vergonha a ninguém. Vergonha fazem os políticos. No samba não tem
dinheiro na cueca", ensina ele.
Monarco
Quando: hoje, às 20h
Onde: Sesc Pinheiros (r. Paes Leme, 195, SP, tel. 0/xx/11/3095-9400)
Quanto: entrada franca
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1201200612.htm
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