A capital cai no samba

Bambas mostram, em quatro endereços na cidade, o culto ao mais popular dos ritmos 
brasileiros

Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio

Carlos Elias integrou a Ala de Compositores da Portela, fundou o Clube do Samba de 
Brasília, tem música gravada por Paulinho da Viola e será personagem do trabalho final 
de um aluno da Comunicação na Universidade de Brasília. Mas não é só: o veterano 
sambista, de 72 anos, é hoje figura popularíssima nos locais onde se ouve o mais 
característico dos ritmos brasileiros.

Ninguém, portanto, mais indicado como guia para quem está a fim de conhecer as 
melhores rodas de samba da cidade. Isso com jovialidade, simpatia e elegância. Uma 
outra freqüentadora assídua desses pagodes é a advogada Sônia Palhares, carioca ligada 
a essa manifestação da cultura popular brasileira desde meados da década de 70 – 
igualmente expert do assunto. No último final de semana, os dois apresentaram à 
ex-roqueira Adriana Queiróz e ao Fim de Semana lugares onde se ouve (e se dança) samba 
de qualidade, feito por músicos competentes — ou gente que toca por pura diversão.

De sexta-feira a domingo últimos, a turma esteve em quatro endereços de rodas de samba 
regulares. O périplo tem início pelo Arena Futebol Society, que, durante o verão, 
promoverá às sextas-feiras, a partir das 22h30, o projeto Arena de Bambas. No sábado, 
a turma foi ao bar e restaurante Monumental, que privilegia o samba de raiz; e ao 
Calaf, mix de bar, restaurante e casa noturna, ponto de encontro de quem curte samba 
no pé. O Bexiga, um novo point da galera jovem nas tardes de domingo, costuma 
movimentar a quadra com um samba menos comprometido com a tradição, mas num clima de 
festa.

“A classe média, definitivamente, incorporou o samba à sua cultura”, comenta Sônia 
Palhares assim que chega ao Arena e se instala numa mesa próxima ao palco, com grupo 
formado por sete músicos e pelos vocalistas Makley, Wilson Bebel e Renata Jambeiro. 
“Quando comecei a ir a rodas de samba no Rio, em meados da década de 70, só via o 
pessoal do morro e do subúrbio. Gente simples, ligada ao samba.”

Moradora de Brasília há 17 anos, a advogada, servidora da Câmara dos Deputados, com 
atuação na área que presta assessoria a indígenas e afro-descendentes, vê com simpatia 
a adesão da classe média ao samba. “Hoje, essa garotada é vista tanto na platéia 
quanto no palco, tocando e cantando. Acho isso muito bacana.”

O elogio inicial da jornalista recém-formada Adriana Queiróz, que trabalha na 
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, vai para os músicos da 
roda do Arena. “Acho legal ver jovens brasilienses tocando samba com a competência de 
músicos experientes. Esse grupo, que eu não conhecia, está fazendo perfeita transição 
da bossa nova para o samba de raiz”, diz ela.

Na apresentação de sexta-feira, Wilson Bebel começou cantando bossas com jeito 
suingado. Depois, foi a vez de Makley e Renata na interpretação de sambas de Noel 
Rosa, Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Keti, Paulinho da Viola e outros mestres. Um dos 
melhores momentos da roda é quando os três juntam as vozes em Com que roupa, do Poeta 
da Vila.

Carlos Elias pouco fica na mesa. Paparicado, principalmente pelas garotas, é 
constantemente convocado para fotos. Dançarino emérito, cheio de ginga, não se faz de 
rogado e atende a todas. Freqüentador assíduo dos ambientes de samba na capital, 
conhece todos os integrantes do grupo que vai levar adiante o Arena de bambas. “Embora 
jovens, são todos muito bons”, avaliza. E anuncia na mesa uma nova roda de samba, a da 
Associação dos Servidores do Juduciário (Assejus), no Setor de Clubes Sul.

Originariamente uma área esportiva que possui quatro campos de futebol society de piso 
sintético, o Arena Futebol Clube abrigou, em novembro de 2003, o projeto Plano B, dos 
primos e sócios Eduardo e Fernando Macarini — uma roda de samba criada por estudantes 
da Universidade de Brasília, com a participação do grupo Sete na Linha. “Em pouco 
tempo, o Arena se transformou num dos redutos do samba na cidade. É um dos lugares 
onde mais venho”, afirma Elias.


Para ouvir e cantar

Ao contrário do Arena, onde as pessoas – na maioria jovens – vão para dançar, no 
Monumental o ambiente é para quem quer ouvir e cantar samba de raiz executado com 
competência pelo grupo Firme e Forte. “Dá pra sentir que é um grupo coeso, com 
proposta de trabalho bem definida”, analisa, de cara, Adriana Queiróz. “Curto um 
ambiente como o daqui. Embora a feijoada servida pela casa seja um apelo, dá pra 
sentir que todo mundo está atento ao que o pessoal está tocando”, acrescenta.

Um ou outro jovem se destaca em meio aos “coroas” com mais de 40 anos. Casais e grupos 
de amigos lotam as mesas. No sábado, o Firme e Forte não contou com a formação básica 
— com Fernando César (violão), Pedro Vasconcellos (cavaquinho) e Sérgio Moraes 
(flauta). Em compensação, ganhou o reforço de Márcio Marinho (cavaquinho/Cai Dentro), 
Bruno Patrício (sax/Choro Moleque) e Dudu Sete Cordas (violão/Sete na Linha).

No Monumental, o sambista e guia do grupo Carlos Elias aproveita para revelar suas 
apostas entre os brasilienses da nova geração. “O Sérgio Magalhães e o Cacá Pereira 
são compositores de grande talento. Outro destaque é o Dinho, líder do A Cor do Samba, 
mais conhecido, que tem até música (Cocada boa) gravada por Bezerra da Silva. Makley, 
Jorge Lacerda e Marquinhos Júnior são cantores prontos para fazer sucesso fora de 
Brasília. E há uma quantidade enorme de músicos excelentes.”

Fã de Makley, Sônia Palhares analisa o trabalho do músico. “Além de ser afinadíssimo, 
ele tem um grave único, impressionante divisão e extremo bom gosto na escolha do 
repertório. Não tenho nenhuma dúvida em afirmar que Makley é o melhor cantor de samba 
que ouvi depois de Roberto Ribeiro e João Nogueira.” Ela também elogia Breno, que toca 
pandeiro e é um dos vocalistas do Som Brasília, grupo que toca no Clube do Samba 
(Feitiço Mineiro), às segundas-feiras. “Esse menino tem muito futuro.”

Quando Makley começa a cantar Pressentimento (Elton Medeiros/Hermínio Bello de 
Carvalho), Sônia traz as lembranças para a mesa. “Esse música, interpretada pela 
Marília Medalha, se classificou em terceiro lugar na Bienal do Samba, festival 
promovido pela TV Exelcior, em 1968. Há registro em disco lançado pela Philips, que 
pode ser encontrado na internet.” Como o assunto era programa de tevê, o papo chega às 
entrevistas que a TV Senado tem feito com mestres do samba que vêm à cidade. “Eles 
estão criando invejável banco de memória”, frisa Sônia Palhares.



Acordes em dois turnos
Há três anos, a roda de samba do Bar do Calaf é a mais disputada da capital. E 
funciona em dois turnos. Começa ao meio-dia, quando o público bem mais velho vai até 
lá para saborear a feijoada da casa ou, simplesmente, tomar chope e comer tira-gosto, 
ao som do grupo Samba & Choro, que inicia os trabalhos tocando chorinho. Isso, até as 
16h, quando a platéia muda completamente de cara.

Foi nessa hora que Carlos Elias e companhia chegaram ao Calaf. Ainda houve tempo para 
se ouvir um dançante samba-choro. “Isso é música característica de gafieiera. Aliás, 
eu gostaria muito que Brasília viesse a ter uma casa do gênero, como a Estudantina, no 
Rio”, comenta, saudosa, Sônia Palhares. Logo em seguida, depois de uns chopes 
acompanhados de lingüicinha mineira, a turma passa a degustar uma paella valenciana 
(especialidade da casa).

Às 17h30, com o bar já lotado pela galera mais jovem, uma fila começa a se formar do 
lado de fora. Dentro, o clima é de alto astral, com muito samba no pé e a paquera 
rolando forte. “O Calaf é um um lugar onde, com certeza, eu traria algum amigo que 
estivesse visitando a cidade. Pelo ambiente descontraído, pela música, pelas pessoas 
que vêm aqui”, comenta, entusiasmada, Adriana Queiróz.

Para variar, o animado Carlos Elias não dá conta das moças que o querem como par. 
Principalmente depois que sube ao palco e manda uma canja cantando Samba para um 
sambista maior, que compôs em homenagem a Cartola. “Essa música foi gravada pelo Samba 
& Choro em seu disco de estréia e vem sendo bem executada na Nacional FM”, revela, 
orgulhoso.

Grande amiga de Elias, Sônia diz que o presenteou com um disco no qual há o registro 
de 70 fotos dele, tiradas em diferentes rodas de samba. “É impressionante a vitalidade 
desse homem. Um setentão que passa a noite inteira dançando e jogando charme para as 
meninas, como se fosse um garoto. Possivelmente, consiga isso porque não bebe, não 
come carne vermelha e leva uma vida regrada. O único vício dele é o samba, um vício de 
quase 40 anos.”

Tino Freitas, diretor artístico da casa, demonstra admiração pelo veterano compositor. 
“Carlos Elias é o tipo de pessoa que anima qualquer ambiente, com seu jeito alegre e 
seu carisma.” O boêmio às avessas mal ouve as palavras elogiosas e já está sendo 
chamado para rodopiar na pequena, mas sempre animada, pista de dança do Calaf. (IRL)




Diversão garantida

A diferença entre os outros lugares visitados por Carlos Elias, Sônia Palhares e 
Adriana Queiróz e o Bexiga, onde rola uma concorrida roda de samba aos domingos, a 
partir das 16h, foi notada logo na chegada dos três amantes do bom samba de Brasília. 
Num telão e em dois monitores de tevê eram exibidos clipes de Zeca Pagodinho, Beth 
Carvalho, Martinho da Vila, Jorge Aragão e Dudu Nobre — o que já coloca no clima o 
público, predominantemente jovem, que ocupava todas as mesas da parte interna do bar.

“É primeira vez que venho aqui, mas fica claro que esse um lugar é para azaração. A 
música é apenas mais um atrativo”, comenta Sônia. Bate uma dificuldade em acertar o 
som. E enfim começa a apresentação do grupo Joselito SemNoçamba — mas com um choro. 
“Não temos a pretensão de ser um grupo de samba profissional. Nem ensaiar a gente 
ensaia. Na verdade, somos amigos que nos reunimos para tocar o que gostamos, de forma 
descompromissada”, explica o vocalista Henrique Farias.

Erra quem imagina que Carlos Elias poderia se sentir deslocado num lugar onde, à 
exemplo de Sônia e Adriana, ainda não havia ido. O veterano sambista acabara de chegar 
ao Bexiga, usando vistosa camisa da Portela, e já havia uma porção de moças 
convidando-o para dançar. Ele, claro, aceitava os convite de imediato. “Estou gostando 
do ambiente. A levada dos meninos não é, exatamente, para quem quer ouvir samba, e sim 
para dançar”, comenta Elias, com seu jeito descolado. Com satisfação, atendeu ao 
convite do ritmista Tatá para dar uma canja e mandou Foi um rio que passou na minha 
vida, clássico de Paulinho da Viola, de quem é amigo.

E o Bexiga fica lotado, com muita gente do lado de fora atenta ao que se passa lá 
dentro — onde a paquera e a pegação rolam soltas, embaladas por muito chope e cerveja. 
Sempre atenta, Sônia observa: “É clara a influência exercida pelos cantores de axé, 
como o Xande, do Harmonia do Samba, nos vocalista do Joselito”. Acertou na mosca. O 
grupo encerra a apresentação mostrando sucessos da axé music. A “alternativa” Adriana 
dá o seu veredicto: “Aqui é um lugar para diversão, freqüentado por playboys e 
patricinhas”.



Eu indico





Carlos Elias

Além das rodas de samba do Arena Futebol Society, Monumental e Bar do Calaf, às quais 
comparece com freqüência, Carlos Elias indica outros endereços “onde se pode curtir 
música popular brasileira de qualidade”. Da relação do sambista consta, por exemplo, o 
Feitiço Mineiro, na 306 Norte. “Ali, quase sempre tem uma cantora ou um cantor da 
cidade se apresentando e também artistas de fora. Na segunda-feira, um ótimo programa 
é o Clube do Samba, também no Feitiço, comandado pelo grupo Som Brasília.”

Sônia Palhares

“Um lugar a que ninguém pode deixar de ir em Brasilia é o Clube do Choro (Eixo 
Monumental, ao lado do Centro de Convenções Ulysses Guimarães). A programação (que 
será reiniciada em março) é excelente, com a participação dos melhores chorões do 
Brasil e da prata da casa.” Para Sônia, uma boa pedida para o começo da semana pode 
ser o Tersamba, “um roda de samba bem informal”, que rola no Café da Rua 8 (408 
Norte). “No Feitiço Mineiro e no Momumental, além das rodas de samba, há sempre 
músicos e cantores da cidade se apresentando e vale a pena prestigiá-los.”

Adriana Queiróz

Lugares e eventos alternativos são os preferidos de Adriana. Ela conta que vai com 
certa freqüência ao Merlim (412 Norte), “um bar com espaço para dançar e DJs bem 
legais”. A jovem conta que curte, também, a Criolina, festa realizada às 
segundas-feiras no Bar do Calaf, além dos shows do Gate´s Pub (403 Sul). E indica, 
ainda, a Landscape (SHIN CA 7, Bloco F1, Loja 33, Lago Norte), “uma boate muito legal 
e com uma bela vista”.




ONDE SAMBAR

Arena Futebol Clube
(Setor de Clubes Sul). Ingresso: R$ 20

Monumental
(201 Sul). Não há cobrança de couvert artístico

Bar do Calaf
(Edifício Empire Center, Setor Bancário Sul) R$ 20 (masculino) e R$ 10 (feminino)

Bexiga
(404 Sul) Ingresso: R$ 10

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