Salve Helion, antes de mais nada é um prazer ver você novamente por aqui. Eu
gosto muito destes discos que o Cartola gravou com o Marcus Pereira, são
duas obras primas fundamentais pra se conhecer o mestre. Mas veja, você
disse que "As Rosas não falam" quando gravada pela Beth já vinha sendo
celebrada por quem era do ramo desde a gravação do Cartola. é verdade, mas
era celebrada só por quem era do ramo, pois estes discos do Cartola pela
Marcus Pereira não tocaram em rádio e nem tiveram uma grande vendagem. Já
quando a Beth gravou a música virou tema da novela das 8 da Globo e
estourouno país inteiro. Então troco o termo "projeção" pelo termo
"massificação", quem levou o Cartola para as grandes massas foi a gravação
da Beth, tanto de "As Rosas não falam" como "O Mundo é um moinho". Mas sem
dúvida que o Marcus Pereira merece todas as reverências pelo que fez pelo
Cartola gravando aqueles dois discos.
abraço,
Eduardo Martins

----- Original Message -----
From: "Helion Povoa" <[EMAIL PROTECTED]>


> Desculpe Eduardo, mas vou ter de discordar. Os discos da Marcus Pereira
com o Cartola em 1974 e 1976 cumpriram um papel importantíssimo desde o seu
lançamento para quem gostava de música popular e samba. Eu por exemplo, e
muitas pessoas que conheço, descobriram Cartola e "As rosas não falam" já
nesses meados dos anos 70. Atribuir a projeção do nome do cartola
exclusivamente à gravação da Beth para a trilha da novela é minimizar
>
>   Desculpe Eduardo e outros, mas vou ter de discordar. Os discos da Marcus
Pereira com o Cartola em 1974 e 1976 cumpriram um papel importantíssimo
desde o seu lançamento para quem gostava de música popular e samba. Eu por
exemplo, e muitas pessoas que conheço, descobriram Cartola e "As rosas não
falam" já nesses meados dos anos 70, pela gravação dele mesmo.
>
>   Atribuir a projeção do nome do Cartola exclusivamente à gravação da Beth
para a trilha da novela (em 1976, e não 1975, portanto posterior ou ao menos
simultânea à gravação do Cartola) é minimizar a importância do Marcus
Pereira de gravar Cartola, que foi celebrada por muita gente como algo que
já deveria ter sido feito muito antes. Uma idéia óbvia, mas que só ele teve
peito pra bancar. Ótimo que a Beth em seguida resolveu gravar, mas a música
já vinha sendo celebrada por quem era do babado desde a gravação do Cartola.
Que por sinal é a mais bela, na minha opinião. A Beth "foi na boa", acertou
em cheio gravando uma musica que estava sendo super celebrada, mas dizer que
ela é a responsável pela projeção nacional do Cartola me parece um certo
exagero.
>
>   Se a gente considerar só o periodo da "redescoberta" do Cartola nos anos
60, vamos ver  a Elizeth e Clementina gravando com o próprio Cartola "Fiz
por você o que pude" em 1966 e Ciro Monteiro gravando "Divina dama" em 1968.
>
>   Ouvi pela primeira vez "Acontece" na linda gravação de Gal Costa em
1974, e já havia uma versão do Paulinho da Viola de dois anos antes.
"Alvorada" foi gravação da Clara Nunes em 1972.  Paulinho gravou "Amor
proibido" em 1968, "O sol nascerá" em 1974, "Não quero mais amar a ninguém"
também em 1974.
>
>   Mas se eu fosse escolher alguém para celebrar como responsável pelo
prestígio do Cartola no fim da vida, convites para se apresentar, fazer
temporadas, eu escolheria mesmo o Marcus Pereira. Ninguém antes dele bancou,
nem reuniu um Butantã de músicos para acompanhar o mestre: Dino, Meira,
Copinha, Altamiro Carrilho, Abel Ferreira, Marçal, Guinga... e muitos etcs.
Numa qualidade de gravação espantosa, notas de gravação completas e
esclarecedoras, apresentação gráfica caprichada... tudo isso que não era
comum em 1974. O Marcus bancou isso tudo, endividou-se mas foi em frente.
Vamos deixar para ele ao menos uma lasquinha do mérito de ter projetado o
Cartola, concordam?

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