Helion, saudades

Tua recuperação foi maravilhosa ... fui correndo buscar os discos da Marcus Pereira e re-escutar .....

Vc deu crédito ao um lindo trabalho que corre o risco de ser esquecido .... Esgotados há pelo menos duas décadas, não se encontra mais estas raridades ...Quem tem tem .. quem não tem fica com agua na boca .... este material todo deveria ser reeditado e colocado a disposição dos amantes do samba e da musica popular brasileira .... tou mexendo agora na musica popular do sudeste, do sul, do norte e do nordeste - maravilhoso trabalho de pesquisa do Marcus Pereira, lembra? Que além de uma pesquisa de primeira, envolveu um time de músicos maravilhosos pelo Brasil todo ...

Fico me perguntando o que terá acontecido: eramos mais ricos ou eramos mais ousados???? Acho que ousávamos sonhar com uma identidade nacional e trabalhar pra que ela viesse a tona .... pena que o Brasil perdeu tanto .....

beijos

Carmen






----- Original Message ----- From: "Helion Povoa" <[EMAIL PROTECTED]>
To: <[email protected]>
Sent: Saturday, February 24, 2007 12:06 PM
Subject: [S-C] projeção nacional do Cartola


Desculpe Eduardo, mas vou ter de discordar. Os discos da Marcus Pereira com o Cartola em 1974 e 1976 cumpriram um papel importantíssimo desde o seu lançamento para quem gostava de música popular e samba. Eu por exemplo, e muitas pessoas que conheço, descobriram Cartola e "As rosas não falam" já nesses meados dos anos 70. Atribuir a projeção do nome do cartola exclusivamente à gravação da Beth para a trilha da novela é minimizar

Desculpe Eduardo e outros, mas vou ter de discordar. Os discos da Marcus Pereira com o Cartola em 1974 e 1976 cumpriram um papel importantíssimo desde o seu lançamento para quem gostava de música popular e samba. Eu por exemplo, e muitas pessoas que conheço, descobriram Cartola e "As rosas não falam" já nesses meados dos anos 70, pela gravação dele mesmo.

Atribuir a projeção do nome do Cartola exclusivamente à gravação da Beth para a trilha da novela (em 1976, e não 1975, portanto posterior ou ao menos simultânea à gravação do Cartola) é minimizar a importância do Marcus Pereira de gravar Cartola, que foi celebrada por muita gente como algo que já deveria ter sido feito muito antes. Uma idéia óbvia, mas que só ele teve peito pra bancar. Ótimo que a Beth em seguida resolveu gravar, mas a música já vinha sendo celebrada por quem era do babado desde a gravação do Cartola. Que por sinal é a mais bela, na minha opinião. A Beth "foi na boa", acertou em cheio gravando uma musica que estava sendo super celebrada, mas dizer que ela é a responsável pela projeção nacional do Cartola me parece um certo exagero.

Se a gente considerar só o periodo da "redescoberta" do Cartola nos anos 60, vamos ver a Elizeth e Clementina gravando com o próprio Cartola "Fiz por você o que pude" em 1966 e Ciro Monteiro gravando "Divina dama" em 1968.

Ouvi pela primeira vez "Acontece" na linda gravação de Gal Costa em 1974, e já havia uma versão do Paulinho da Viola de dois anos antes. "Alvorada" foi gravação da Clara Nunes em 1972. Paulinho gravou "Amor proibido" em 1968, "O sol nascerá" em 1974, "Não quero mais amar a ninguém" também em 1974.

Mas se eu fosse escolher alguém para celebrar como responsável pelo prestígio do Cartola no fim da vida, convites para se apresentar, fazer temporadas, eu escolheria mesmo o Marcus Pereira. Ninguém antes dele bancou, nem reuniu um Butantã de músicos para acompanhar o mestre: Dino, Meira, Copinha, Altamiro Carrilho, Abel Ferreira, Marçal, Guinga... e muitos etcs. Numa qualidade de gravação espantosa, notas de gravação completas e esclarecedoras, apresentação gráfica caprichada... tudo isso que não era comum em 1974. O Marcus bancou isso tudo, endividou-se mas foi em frente. Vamos deixar para ele ao menos uma lasquinha do mérito de ter projetado o Cartola, concordam?

 abraços,

 Helion

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From: "Eduardo S. Martins" <[EMAIL PROTECTED]>

 Um filme sobre o Cartola que não mencione o nome da Beth Carvalho só
pode ser um filminho de merda, afinal foi graças a gravação que a Beth
Carvalho fez em 75 de "As Rosas não falam", que inclusive entrou para a trilha sonora da novela Duas Vidas da Rede Globo, que permitiu que o Cartola ganhasse uma boa graninha no fim da vida e tivesse seu nome projetado em nível nacional, ou você acha que aqueles discos que ele gravou pela Marcus Pereira tinham feito isso por ele? Esses discos da Marcus Pereira só foram virar coqueluche bem depois, quem projetou a nome da Cartola no fim da sua vida, em meados dos anos 70 foi a D. Beth Carvalho, que também gravou "O Mundo é um moinho", contra fatos não há argumento. (...)





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