Olá, Sandra,
Sandra diz: "Fiquei feliz pela notícia de um grupo intitulado
'Radicais'. Não há nada
mais radical nesse país do que a indústria fonográfica tão cheia de
imposições"
Eu: Não vi nenhum tipo de referência a respeito das tais "imposições"
da indústria fonográfica. Aliás, em tempos de pós-pirataria,
pós-copyleft, pós-umquetenha, nunca a a tal da INDÚSTRIA FONOGRÁFICA
foi tão complacente. Nunca tantos discos independentes foram
absorvidos (positivamente) pelas decadentes "majors". Até mesmo
artistas com resultados profundamente de sucesso iniciaram-se na
marginalidade, no disco independente, nos bares da vida (comprovem a
teoria com Vitor & Leo e Cesar Manotti & Fabiano). Não vi nada a
respeito disso. O que vi foi um discurso sectário, estúpido e
marqueteiramente blasé
"anti-zecapagodinhoporquelevendemuitoemuitagentegosta".
Sandra: "Fico feliz que um grupo de músicos, amadores ou não, tenham
disposição para divulgarem a música que acham que devam divulgar, sem
compromisso comercial."
Eu: Eu não fico não, Sandra. Fico muito chateado de saber que músicos
qualificados dependam de outra modalidade CAPITALISTA para a própria
sobrevivência. Músicos devem viver de música, vender músicas,
comercializarem músicas. Eu sou professor e vivo das minhas aulas.
Vendo minhas aulas. Comercializo minhas aulas.
Sandra: " Fico feliz que tenham disposição para evitar um ídolo
do samba (que pessoalmente admiro)."
Eu: Disposição para evitar a arte, porque veio de determinada origem?
Disposição para excluir? Disposição para discriminar?
Sandra: " Não entendi bem: não gostam ou se
permitem não ouvir este ou aquele sambista?"
Eu: Eu entendi bem, Sandra. Eles ouvem, mas, evidentemente, dizem que
não ouvem. Não querem compartilhar seu paladar musical com a massa
ignara. Então dizem que não ouvem. Mas, na verdade, fico chateado pelo
fato de escutarem esse tipo de arte. Zeca, Leci, Nei, Luis Carlos,
Paulo César, Arlindo, Jorge(s), Bandeira Brasil, Wanderlei Monteiro,
Dorina, Moacyr...essa gente - com 46 cromossomos, os mesmo 46 de
Pixinguinha, Manacéa e Cartola - talvez não se chateie de ser ouvida e
renegada mau-caratismo intencional de Didio, Tuco, Careca e Alexandre
Cardoso
Sandra: "Resolveram se dedicar aos
compositores de décadas passadas? Maravilha!
Pois que venham outros radicais..."
Eu: Radicais feito Didio, Tuco, Careca e Alexandre Cardoso sempre
empobrecem, desmerecem e torturam a continuidade da cultura popular.
São inúteis, sectários e obtusos. Julgar que Zeca, Jorge, Chico ou
Leci surgiram para sufocar a arte de Manacéa, Paulo da Portela ou
Cartola ou é mau-cartismo ou má-vontade. Qualidade musical
relaciona-se com "décadas passadas"?
Eu, que abandonei há muito o politicamente correto, digo pro Didio,
Tuco, Careca e Alexandre Cardoso:
"Se a gente nota, que uma só nota
Já nos esgota
O show perde a razão
Mas iremos achar o tom
Um acorde com um lindo som
E fazer com que fique bom
Outra vez o nosso cantar
E a gente vai ser feliz
Olha nós outra vez no ar
O show tem que continuar"
(Arlindo Cruz/Sombrinha/LC da Vila)
Se alguém acha que isso é desprezível,
Abs,
Eugenio
Em 31/08/07, SANDRA FARÁ<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> -------Mensagem original-------
>
> Assunto: [S-C] Radicais di SAMBA (Folha de São Paulo)
>
> Olá!
> Fiquei feliz pela notícia de um grupo intitulado 'Radicais'. Não há nada
> mais radical nesse país do que a indústria fonográfica tão cheia de
> imposições. Fico feliz que um grupo de músicos, amadores ou não, tenham
> disposição para divulgarem a música que acham que devam divulgar, sem
> compromisso comercial. Fico feliz que tenham disposição para evitar um ídolo
> do samba (que pessoalmente admiro). Não entendi bem: não gostam ou se
> permitem não ouvir este ou aquele sambista? Resolveram se dedicar aos
> compositores de décadas passadas? Maravilha!
> Pois que venham outros radicais...
> Enquanto isso, releio a piadinha ('piadex'), que recebi ainda hoje:
> Pior que a morte
> "Dois homens condenados à cadeira elétrica foram levados no mesmo dia para a
> execução.
> O padre lhes deu a extrema-unção, o carcereiro fez o discurso formal, e uma
> prece final foi rezada pelos participantes. O carrasco, voltando-se ao
> primeiro homem, perguntou:
> - Você tem um último pedido?
> - Tenho... Como eu adoro pagode, gostaria de ouvir o CD dos Travessos, Só
> Pra Contrariar, Negritude Jr., Karametade, Katinguelê, Os Morenos e O Belo,
> pela última vez antes de morrer e, se for possível, o CD do É O Tchan, Asa
> de Águia, Araketu e KI-Loucura.
> O carrasco virou para o segundo condenado e perguntou:
> - E você, qual seu último pedido?
> - Posso morrer primeiro?"
> Com certeza, muitos ao lerem essa piadinha boba, irão considerar-me
> radical... Sempre haverá o argumento que 'gosto não se discute...' No
> entanto, em se tratando de imposições, é melhor , em tempos de ditadura da
> mídia e muita alienação, manter o senso crítico apurado e principalmente,
> manter-se firme nas posições. E ser radical em nome de se preservar ou
> resgatar valores, lembrar e cultivar boas composições, sem releituras e
> arranjos arrojados, talvez. Só pra curtir, como provavelmente meu pai e
> muita gente mais antiga que eu curtiu um dia. Talvez radical seja apenas o
> compromisso de ser autêntico.
> Um abraço,
> Sandra Fará.
>
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